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Emigrantes: O regresso a Portugal mas de férias

Podia estar a falar do (in)sucesso do programa VEM que apoia o regresso dos emigrantes a Portugal mas não é isso que me trás aqui hoje, até porque daquilo que observei muitos regressam apenas de férias. Desde 2009 que a emigração em Portugal continua a aumentar, estima-se que em 2013 cerca de 2,3 milhões de portugueses tinham emigrado, o que representa cerca de 20% da população residente. Os destinos dos emigrantes são vários, no entanto o país europeu que mais emigrantes recebeu em 2013 foi a Suiça, seguindo-se França e Alemanha. Fora da Europa, os emigrantes preferem Angola e Moçambique pela facilidade na comunicação. (Fonte: www.observatorioemigracao.pt)

Arrisco-me a dizer que, talvez sejam poucas as pessoas que não têm um familiar ou amigo emigrante. Os motivos que levam os emigrantes a sair do nosso país são os mais variados e naturalmente pessoais, muitas vezes até nem se prendem por encontrar um estilo de vida superior ao que teriam em Portugal mas sim procuram aquilo que Portugal não lhes consegue dar para que cá permaneçam, o que passa na maioria das vezes por encontrar um emprego. Um trabalho para que possam sustentar as necessidades básicas de qualquer ser humano, entre elas: alimentação, saúde,higiene e educação. Desengane-se quem pensa que: “Emigrante é rico”.

Por esta altura do ano, muitos são os portugueses emigrantes que regressam a Portugal, à sua casa, onde vêm passar as férias de verão com a sua família. O regresso dá-se das mais variadas formas, depende do país e consequentemente da distância a que permanecem, mas é nos aeroportos que esses reencontros são mais frequentes.

Confesso-vos que as palavras emigração, emigrantes quase que não existiam no meu vocabulário, nunca fui pessoa de sonhar em sair do meu país, gosto de viajar, gosto de conhecer novas culturas, apreender novos cheiros e sabores, gosto de experiências intensas onde ficam sobretudo memórias por onde vou passando. Acredito no meu país e gosto de ter os pés bem assentes na terra, apesar de gostar imenso de “voar”, nunca me imaginei a “voar” do meu país para quase sempre. Talvez a esta altura já esteja a pensar que faço parte do número de emigrantes, mas não ainda não faço, não estando tão segura de que isso não possa um dia acontecer, não será num futuro próximo.

No entanto, como lhe disse talvez todos temos um pouco de nós por aí pelo mundo e eu também tenho. São perto de uma dezena mas mais próximos são dois e se eu ainda hoje não me imagino a sair, nunca me tinha passado pela ideia que quem emigraria eram eles. Primeiro um, depois o outro, a uma distância de 16200km de Lisboa, primeiro é um vazio que fica dentro de nós mas depois o tempo encarrega-se de nos ajudar a preencher esse vazio com uma chamada no Skype, um telefonema e pouco mais que isso, contando os dias para a próxima vez que voltam de férias.

Verão de 2015, mais um verão em que corremos para as chegadas do aeroporto cheios de saudade (palavra tão portuguesa e com um significado tão grande para quem parte), ansiosos pela chegada, por detrás do corrimão, aguardamos, sempre atentos quem vem lá, chegam de diversas nacionalidades, uns de férias outros em trabalho, mas a maioria são emigrantes portugueses que nesta altura vêm visitar as suas origens e principalmente os que lhes são mais queridos. Por vezes parecem horas, a espera para avistar os nossos emigrantes, outras vezes num ápice o tempo passa, na maioria das vezes e como gosto imenso de pensar e observar, o tempo flui enquanto eu penso porque não aceitamos este vai e vem com a naturalidade de quem bebe um Martini antes da refeição com os amigos, ou fuma um cigarro ou até faz uma caminhada, porquê?  E assim que os avistamos é inevitável, os pés andam sozinhos e correm para os braços de quem tanto tempo não podemos abraçar. Assim vai sendo a vida de quem por cá fica, vivendo naturalmente, aguardando sempre aquele abraço da chegada, aqueles dias para conviverem juntos, que na maioria das vezes são apenas 15 dias mas que são tão intensos.

Voltar? Talvez um dia mas por enquanto só de férias!

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