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…Era uma vez um “Chicla”… – Aida Fernandes

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Qual situação complicada isto de lidar como confidente numa história de amor …ainda por cima de uma pessoa de família! Pois bem, se por ser da família se tornou um pouco embaraçoso, por outro lado a confiança depositada era suficiente para dar continuidade a uma conversa muito interessante!

E…a história começa assim! Era uma vez uma “velha” esquentada da veia… adorava dar “chiclas”…não podia ver um homem! Normalmente diz-se…aquele não pode ver um rabo de saia! Neste caso é ela que não pode ver um rabo de calças! Completamente louca por homens, não havia nenhum viúvo que lhe passasse despercebido. Ela fazia-se a todos…a maior parte com um sucesso pouco duradoiro! Acho que ela tinha pedal a mais hehehehe… e eles não aguentavam!

Mas lá chegou o dia do meu confidente… …todo charmoso…um velho ainda a cativar muitos corações…alto, boa figura e muito lucido! Passava os dias um pouco triste, tinha perdido a esposa e via-se agora num lugar que não lhe era de todo, aquilo a que estava habituado. Reencontra no entanto amigos e amigas do tempo de infância e adolescência e mais caricato, reencontra o seu primeiro e grande amor! Este reencontro vem dar um pouco de luz e cor aos seus dias até ao momento em que a “Migusta”… era assim que ele chamava á velha esquentada… lhe quer roubar um “chicla”!…um “chicla”? pensava ele! Que raio a mulher quer!

Seja lá o que for, não vou resistir…afinal sou homem!

Eu continuava a ouvir, a entender que ele queria e não queria pois não sabia do que se tratava…se por um lado aquela mulher pouco lhe dizia, por outro fazia com que ele se sentisse vivo…as emoções estavam á flor da pele! Estava a sentir-se um felino! …depois de ela lhe pedir um “chicla” a curiosidade deu lugar á vontade de correr o risco! … Era tentador!

Perante o “chicla “ fiquei eu a rir-me de espanto e curiosidade, e também eu, sem saber o que era achei no mínimo tentador e provocador…se bem a conhecia hehehe

Como se ingénua fosse perguntei o que era afinal o tão falado “chicla”…é alguma coisa que possa dizer ou não vou ser merecedora de tal hehehehe. Ele continuou e dizia, ela passava a vida a dizer, se não me dás um chicla é porque és “larila”!

Chicla para lá chicla para cá, chega a hora do banho…mais uma tarefa difícil achava ele! …Algum dia pensei eu que uma sobrinha me pudesse dar um banho! Eu estou a viver cada coisa! Que mais me irá acontecer! Provavelmente seria das ultimas coisas a passar-me pela cabeça, como a ultima seria que fosse ainda dar alguns “chiclas” hehehe ! É então que eu fico a saber o que é a tão famosa palavra!

Depois de todo aquele desabafo, depois de tal confidência, fui vendo que ate na velhice existe bem vincada a diferença entre atração e amor…a tal prosa ou poesia que tenho vindo a falar! Este homem via-se agora dividido entre duas mulheres…uma o seu grande amor…outra a sua grande tentação! E tudo ainda não passava de uns “chiclas” mas a vontade era de ir bem mais longe logo que possível! Pensava num lugar e na forma como concretizar aquela aventura, achava ele que estava a ficar mais novo e que a “Migusta” lhe estava a dar razoes de viver! E na realidade estava…estava a despertá-lo a cada dia.

Devem no entanto estar a pensar…vais ou não dizer o que ela tanto queria! Pois bem, nada mais que um “chicla”!…digo eu! E não se admirem pois afinal a esquentada da veia queria apenas roubar-lhe um beijo! Beijo para ela que tinha vivido na Austrália era chamado de chicla para o beijo de intimidade!

Muito haveria para contar desta historia de amor…as desavenças entre as duas mulheres, a luta pelo lugar no sofá , os ciúmes e ainda a rivalidade diária na conquista.

Como qualquer história esta teve um princípio…um meio…e um fim!

O principio baseia-se na vontade de colorir os dias…o meio já passou da lucidez á loucura…o fim esse então perdeu toda a cor, porque no dia em que uma interveniente da história, parte… ( na sua longa viagem)… tudo muda! E aos poucos e em pouco tempo outro interveniente, parte (na sua longa viagem)…e fica somente a “Migusta” para relembrar tudo isto!…

Já tem mais de noventa anos e continua no ativo….aposto que pedir “chiclas” dá saúde e prolonga a estadia por cá!

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Crónica de Aida Fernandes
A última Etapa

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