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O erro bonito dos Blur

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O furor em volta da reconciliação dos Blur, e sobretudo em razão do lançamento de um novo disco, dezasseis anos depois de 13 (o último com Coxon), foi quase tão volumoso quanto aquele que se seguiu à inesperada cisão do quarteto britânico, então no auge da afirmação enquanto uma das forças criativas mais reconhecidas da música europeia na década dos noventas. Da digressão mundial pós-reunião – em particular o desvio asiático que casualmente veio a precipitar a gravação do disco que os quatro já ansiavam fazer em conjunto -, já muito se disse. Ao que parece, foi o cancelamento de uma actuação em Hong Kong que os empurrou para estúdio durante cinco dias em 2013, aproveitando o tempo inesperadamente livre para escrever e gravar o produto espontâneo dessas sessões, sem pensar na “obrigação” de o transformar em disco. Ainda assim, essa edição tornar-se-ia incontornável, respondendo até aos anseios da trupe que, já depois do lançamento deste The Magic Whip, manifestou publicamente o prazer de regressar, o orgulho que tem nestas canções, e, mais do que isso, o regozijo que todo o processo permitiu, desde o início da gravação até à edição final.

A súmula dessas energias positivas acaba por se sentir no disco e na aura intuitiva das canções. No fundo, a linguagem Blur está tão fantasiosa e esdrúxula como antes, desprendida de formatos e regras e, mesmo que “arrumada” com a maturação própria de músicos mais experientes e sabedores (e com conceitos estéticos entretanto solidificados a solo), não perdeu fulgor e criatividade. É verdade que, aqui e ali, a coisa não parece tão coesa como se desejaria. Mas, nas palavras de Graham Coxon, insigne guitarrista do quarteto (e principal responsável pela chegada destas peças à forma de álbum), “tem que haver espaço para erros bonitos”.  E os Blur, afinal insofismavelmente, são um dos “erros” mais bonitos dos últimos vinte e cinco anos.

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