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Espionagem EUA: que respostas da UE? – Nuno Araújo

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As várias ameaças à segurança interna dos EUA e dos países da NATO não justificam a amplitude de meios colocados pelos americanos “no terreno”, por forma a efectuar vigilância a aliados seus. Depois de a UE ter tomado conhecimento do PRISM, da autoria da agência norte-americana de segurança NSA, surge agora a informação do magazine alemão “Der Spiegel” de que a chanceler alemã Angela Merkel (para além de todos os outros colegas europeus) foi “espiada” pela NSA, que recorreu a escutas ao telemóvel da líder da Alemanha. Merkel já teve ocasião de transmitir a Obama, também por telefone, o seu desagrado para com mais esta situação.

Este escândalo é como que uma autêntica “pedra no sapato” nas relações entre os dois maiores parceiros da NATO, EUA e UE. Como é que aliados tão “íntimos” diplomaticamente, diria eu, podem ter chegado a esta situação? Porque motivo está o governo dos EUA a autorizar as acções da NSA na Europa? Será que a NSA actua isoladamente, sem responder ao governo norte-americano?

Existe, quanto a mim, uma ilação a tirar, desde já, de todo este processo. A UE terá, forçosamente, de abordar as relações transatlânticas com os EUA de uma forma diferente daquela que tem feito até então. Após os vôos da CIA, os EUA efectuaram espionagem, em que a informação obtida ilegalmente pelos norte- americanos poderá ter sido utilizada para adquirir vantagem a nível comercial, por exemplo. É que o acordo de comercio livre com os EUA poderá mesmo estar em perigo de não ser assinado, sobretudo pelo facto de os norte-americanos estarem na posse de “informação privilegiada”, o que levou já à suspensão das negociações desse acordo, no passado dia 5 de Outubro.

A posição europeia deve ser intransigente para com os EUA: a UE não deve ceder ainda mais às sucessivas “transgressões” norte-americanas ao pacto militar da NATO. Se os EUA espionam o seu principal aliado na coligação militar da NATO, não será tempo de se falar mais “a sério” e concretamente num Exército Europeu? O exército europeu, afinal, acaba por ser uma abordagem mais realista às necessidades operacionais e estratégicas da UE, tanto a nível do controlo de fronteiras e de ameaças de segurança interna, visto que a NATO, em virtude destes acontecimentos de espionagem, parece não ser para os EUA mais do que um pacto “pro forma”.

A UE, onde se situam dezenas de territórios “off-shore”, tem sido alvo de vigilância por parte dos EUA, através do seu programa da agência NSA. E assim, o Parlamento Europeu já fez aprovar uma moção a suspender qualquer tipo de colaboração de troca de dados bancários com os EUA, moção essa aprovada com os votos a favor dos socialistas, liberais e verdes no hemiciclo de Estrasburgo. Não caíamos, porém, em “eurocentrismos” fáceis e “anti-americanismos” e “anti-imperialismos”, pois essas atitudes são em si mesmas os limites que poderão conduzir a nacionalismos e a híbridos posicionamentos políticos.

 

Crónica de Nuno Araújo
Da Ocidental Praia Lusitana 

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