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Fair-Play? Deixem-se lá disso! Ou não?

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O mundo do desporto, com maior preponderância para o futebol, por ser o desporto rei e aquele que mais movimenta em termos de paixão, de exigência, de poder, de mediatismo, de dinheiro, do protagonismo, etc., tem que ser sempre avaliado sob diversos pontos de vista.

O que o futebol representa para cada uma das classes intervenientes é tão divergente quanto antagónica e por vezes até incompatível.

Sob o ponto de vista dos dirigentes, alguns deles são-no de “carreira”, outros para alcançarem alguma notoriedade ou até algum poder político, ou mesmo algum protagonismo e visibilidade pública, que não teriam noutra atividade, empresa ou organismo. Para alguns é um desafio ou uma aventura e para outros ainda, uma forma de ganharem contactos financeiros ou de influências na sociedade. Para muito poucos, na minha opinião – principalmente os dirigentes associativos e níveis mais baixos que apenas têm trabalho e preocupações, sem grandes benefícios e será uma forma de colaborarem com a sociedade por boas causas: as da prática desportiva.

Existe uma relação muito estreita entre o poder dos dirigentes associativos, a sua influência política e os seus negócios enquanto empresários ou pessoas com a pretensão de ganharem influência no mundo financeiro.

Para os investidores – particulares ou empresas – sendo o futebol um desporto de massas, é benéfica a sua ligação, patrocinando os clubes de futebol profissional, que consiste numa das maiores receitas que estes possuem. Juntamente com estes, aparecem as televisões, para as quais muito têm a lucrar com o futebol, apesar de serem também as entidades que mais verbas fornecem aos orçamentos dos clubes.

Mas para o cidadão comum, o futebol é a paixão, é a ilusão ou a desilusão, pode até afirmar-se que é um campo de batalha entre clubes rivais, bairrismos, entre cidades, entre regiões ou até de desforras históricas ou geográficas.

Como tudo na vida, as pessoas não são iguais e, por isso, existem muitos “filhos de muitas mães” e nem todos sabem respeitar-se mutuamente, nem agir com moderação e tolerância quando de trata de avaliar a atitude do outro.

Toda esta reflexão foi-me sugerida após ver imagens e ler os comentários de muitos cibernautas nas redes sociais, que faziam sarcásticos comentários aos cumprimentos e/ou abraços que ocorreram entre Jorge Jesus e Quaresma e ainda com Pinto da Costa após o último jogo a contar para a Taça de Portugal entre FCPorto e SLBenfica, no Dragão. Os locais ganharam por 1-0, diferença escassa para a segunda volta, mas ainda assim, uma “vantagem”, o que se torna um resultado mais positivo para o Porto do que para o Benfica. Um jogo morno, em que vimos um Porto jogar à Benfica e vice-versa (atendendo ao que temos assistido no decorrer desta época). Ora, quando se diziam barbaridades acerca da conhecida expressão de Jorge Jesus “o Fair-Play é uma treta”, parece que esses gestos documentados em foto esclarecem bem. Depois, ao presenciarmos a atitude de Quaresma no final do jogo do Porto com o Nacional, no fim-de-semana seguinte ao jogo do Dragão, parece-nos não haver coerência de atitudes nos mesmos protagonistas… Também já vimos atitudes provocatórias de JJ noutras situações… e continuamos sem coerência. Afinal o que distingue as mudanças de atitudes? A alegria dos portistas pela vitória, de certo que lhes retirou aquele azedume habitual do “não saber perder” que habitualmente demonstram. Por outro lado, o não azedume de JJ, pode querer significar que afinal esse resultado de 1-0 seria um dos esperados pelo treinador do Benfica e possíveis de acontecer para lhe dar boas perspectivas de continuar na prova. Ou então, sem fazermos juízos de valor, simplesmente o respeito que cada profissional deve ter pelo seu próximo: colega de profissão, mestre, diretor.

Ou então, tentando ser algo creativos: poderá ter sido o encontro de Jesus, rumo à Sua Páscoa, no tempo de preparação que vivem os cristãos neste momento e que se dá o nome de … Quaresma, precisamente!

Foi bonito de ver e que se torne a repetir, porque os azedumes nada nos ensinam, nem jogadores, nem treinadores, nem diretores e, por conseguinte, nem o público apaixonado; porque esse, geralmente reage às atitudes de quem vem de cima, no mesmo sentido desses.

Viva o Fair-Play!

Pratique-se o Fair-Play!

Afinal para que serve o desporto se não para o bem estar humano, para a diversão e para dar emprego a muitos dos praticantes profissionais???

Crónica de Rafael Coelho
A voz ao Centro 

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