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A Fastned uma empresa Holandesa sustentável e de vanguarda

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Quando comecei este conjunto de crónicas o objetivo seria focar para além da Política Ambiental, que foi o objeto das minhas duas ultimas crónicas, as Energias Renováveis que não são difíceis de abordar mas que têm alguma complexidade na abordagem, deste modo é mais fácil abordar as políticas públicas nesta primeira fase, embora vos vá falando sobre e das energias renováveis e se neste primeiro período de forma pontual, após as eleições legislativas de próximo Outubro irei entrar com mais frequência nesses assuntos, pois até lá é preciso vincar o que devem ser as prioridades de um próximo governo, nomeadamente, e até porque é o meu partido, o PS, em contraposição com o que tivemos até hoje e em especialmente no deserto e regressão que tivemos nos últimos três anos.

O que é a Fastned?

Fastned Logo

A Fastned é uma “empresa” Holandesa, e pus o nome de empresa entre aspas, pois é detida por uma Fundação, a FAST de Fastned Administratie STichting, que dispersa por fazes – e conforme forem aumentando a rede e a necessidade de capital para a implantarem – o seu capital pelos subscritores. Está registada em Amesterdão ao abrigo de uma modalidade intitulada, Companhia Pública Limitada, ou seja, é uma sociedade anónima que distribui dividendos e que os direitos dos acionistas são condicionados apenas aos seus investimentos – dividindo os dividendos de acordo com o investimento efetuado – tal permite à direção da Fundação FAST decidir as fases de implantação do projeto e aplicar com a parcimónia e o cuidado suficiente, após a avaliação anual, a implantação das várias fases do investimento. Está cotada em Bolsa na NPEXDutch SME Exchange uma bolsa também detida por uma Fundação – Stichting Bewaarbedrijf NPEX e que dispersa em bolsa precisamente as Companhias Públicas Limitadas entre outros produtos financeiros.

Esta empresa representa o futuro!!! E representa o futuro em toda a sua amplitude e um futuro que não está muito distante e que na Holanda já é uma realidade atual.

É isso mesmo, este projeto é totalmente sustentável e baseado em energias renováveis e tem como objetivo a criação na Holanda de uma rede de postos de abastecimento elétrico de veículos híbridos e elétricos.

Os clientes podem pagar no local via cartão MB ou via aplicação em smartphone, ou então comprarem um carregamento prévio de € 100 e renovarem o mesmo sempre que o valor comesse a chegar ao fim.

O governo Holandês nos últimos dois anos autorizou e concessionou, por 15 anos, 221 postos de abastecimento elétrico de veículos nos postos de combustiveis já existentes das auto estradas, destes, 201 foram atribuídos à Fastned, a grande impulsionadora destes concursos, e precursora, pois mal foram atribuídas as primeiras concessões no final de 2013, esta empresa instalou logo 9 postos e até finais de Novembro de 2014, tem já, 18 instalados e 12 em construção dos que tem concessionados.

O problema?

Houve um tempo bastante longo entre os 9 postos iniciais inaugurados em 2013 e os atuais de 2014, esse problema deveu-se ao facto de que em 11 de Julho de 2013, o governo Holandês foi processado pela Associação de Franchisadores de Concessões de Postos de Abastecimento de Combustíveis das Autoestradas, estes alegavam que a concessão lhes dava o direito exclusivo de fornecer combustíveis aos veículos e que a eletricidade destes postos deveria ser considerada como combustível.

O seu pedido era que os tribunais terminassem com as concessões deste tipo e não permitissem ao governo que parte do terreno que lhes pertencia na concessão fosse cedido a este tipo de postos de abastecimento elétricos.

O tribunal decidiu contra as pretensões desta Associação referindo que o contrato de concessão entre o governo e estes era bastante claro e que os limitava ao fornecimento de petróleo e derivados, e ainda para mais, que em recentes negociações que estes efetuaram com o governo de modo a aumentar a concorrência no mercado de gasolina, que o que estes vendiam era apenas e só petróleo e derivados e não outro tipo de “combustível“, pelo que outras formas de propulsão de combustíveis não foram tidas nessa negociação então e não se justificariam agora como ser tomadas em conta. O tribunal referia até que foram os próprios concessionários que se prejudicaram a si próprios pois a sua não iniciativa, em prol da construção de espaços de carregamento elétrico, permitiu ao governo atribuir novas concessões a quem a teve.

A decisão, embora rápida, atrasou em pelo menos um ano a construção dos postos de abastecimento elétricos de veículos que estavam planeados até finais de 2013, e que seriam numa primeira fase apenas 18, mas que o atraso levou a que se conseguisse o financiamento para pelo menos mais 12, num esforço financeiro de mais de 10 milhões de euros para um total de 30 postos.

O processo embora ganho nas duas primeiras instâncias encontra-se em recurso e julga-se que entre o final de 2014 e o primeiro trimestre de 2015 haja a decisão final. A Fastned e o estado Holandês aliaram-se nesta batalha jurídica, pois a Fastned detêm mais de 90% das concessões atribuídas pelo estado aos postos de abastecimento elétricos de veículos.

Sustentabilidade do projeto

3.ª Estação da Fastned em Klein

O postos de abastecimento elétricos de veículos da Fastned são construidos usando como fonte de abastecimento unicamente as fontes renováveis captadas no local, ou seja, a armação que cobre a área do posto é toda coberta por painéis solares e para além disso, muito próximo, existem vários aerogeradores. Estas duas fontes, a solar e eólica, alimentam de forma continua as baterias que carregam os carros.

Cada posto custa em média cerca de 200 mil euros cada, a preços de 2013, com os custos a baixarem pois os custos de painéis solares e de baterias também estão a baixar.

O nível de carregamentos também está a crescer verificando-se no ano de 2013, na fase de testes e com os 9 postos de uma média entre os 5 a 10 carregamentos por dia, dos 15 em média pretendidos e necessários para que haja uma viabilidade financeira dos postos.

Já o de consumidores, também e apenas com dados de 2013, os consumidores alvos passaram entre 2012 e 2013 de 1.910 para 4.161 veículos apenas elétricos e de 4.348 para 24.512 de veículos híbridos. Este aumento enorme em veículos apenas elétricos deve-se em grande parte a uma marca, a Tesla, que cumpriu e entregou aos consumidores holandeses grande parte das suas encomendas do Tesla Model S, cuja a autonomia supera os 400 quilómetros, podendo o carro ser carregado totalmente em 40 minutos, já o BMWi3 só começou as entregas das suas encomendas em Novembro de 2013, pelo o que o seu impacto nesse ano não foi tão significativo como o modelo da Tesla. O aumento espantoso em mais de 20 mil veículos híbridos deveu-se em grande parte ao híbrido Mitsubishi Outlander que vem equipado com uma capacidade de carregamento rápida e uma razoável autonomia quando combinados os dois meios de combustível.

Futuro

Evolução planeada das estações entre 2013 e 2016

É óbvio que até quem é o promotor do projeto reconhece que existem riscos, sendo o mais importante o facto do recurso atrás referido não lhe ser favorável, mas existem outros como por exemplo haver uma quebra significativa de venda de veículos elétricos aparecendo outras tecnologias que poderão superar esta, como os veículos a hidrogénio ou veículos a diesel mais eficientes e com menos custos, ou então uma quebra tal nos preços dos combustíveis que fosse mais viável a continuação da compra destes e não dos veículos elétricos.

Todos os riscos atrás referidos poderão ser um facto, mas muitos deles, nomeadamente os tecnológicos nos últimos dez anos mostraram uma estagnação ou no caso do preço do petróleo num recuo não muito significativo para se dar logo de seguida um grande agravamento, pelo que a possibilidade de que os riscos se verifiquem são ténues, para não dizer inverosímeis, diante dos factos e da informação que temos até agora disponível.

Para além disso a própria Fastned conseguiu transformar a venda de modelos híbridos e puramente elétricos em algo viável, pois se para meio urbano a sua viabilidade como veículo era reconhecida, haveria sempre o problema da sua viabilidade para grandes distancias e entre cidades, a popularização dos postos nas principais autoestradas, com carregamentos que vão desde os 15 minutos (carregamentos rápidos aos híbridos) a 40 minutos (carregamentos totais dos elétricos) vem retirar o grande problema que era o uso destes veículos em grandes distancias.

A perspetiva conservadora, e efetuada antes do fenomenal aumento de vendas verificado em 2013, era que até 2020 a Holanda deveria ter um crescimento sustentável de 7% ao ano na venda de carros híbridos e de 1% na venda de carros puramente elétricos o que iria ter como corolário a existência nesse ano de cerca de 200 mil veículos, tais números estão claramente sub avaliados pois em finais de 2013 já se tinha atingido 15% desse objetivo, pelo que provavelmente e em 2020 o número de veículos elétricos irá superar em muito as perspetivas anunciadas, falando-se que em 2022 o número previsível seja o de entre os 450 mil e os 500 mil veículos.

Os 30 postos que a rede deverá ter, no final de 2014, em 50 possíveis de a viabilizar indicam que está muito próximo a sua viabilidade sustentável e económica. Para além de que estão a projetar construir os restantes 151 postos dos 201 que têm concessionados ou com capitais próprios, cerca de 72 que planeiam ter até ao final de 2015 – num investimento total próprio de 40 milhões de euros – e os restantes através de acordos de parceria e de franchising ou com investidores locais ou em conjunto com os próprios concessionários e revendedores de combustível fóssil, os tais que processaram o estado e tentaram impedir que fossem construídos estes postos de abastecimento elétricos de veículos, numa política de atração aos próprios que os contestaram, reconhecendo estes últimos com a sua abertura, que se não os podes combater junta-te a eles.

Perece-me deste modo que uma política ousada de um conjunto de empreendedores, pois quem fundou a Fundação FAST, e a Fastned, foram jovens empreendedores, a que se juntou o estado holandês na concessão de licenças e na defesa dessa concessão o que levou a que um país em que a dependência do petróleo é quase total, pois não tem nas suas águas territoriais nenhuma captação e/ou plataforma petrolífera passe para uma dependência a médio prazo tendencialmente nula. Só assim é que se compreende como é que a Holanda tem um dos mais baixos défices públicos, não gastando milhões na importação de petróleo e aposta em não só o manter como baixar conseguindo equilibrar desta maneira as contas públicas, pois os seus impostos e a sua criação de riqueza interna dão e sobram para as suas necessidades financeiras.

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