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Fracos com os fortes e fortes com os fracos

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Prefiro mil vezes os homens que gostam de se armar em bons perante as mulheres, do que aqueles que o fazem na frente dos outros homens e, para provar que são mais fortes do que eles, os atiram ao chão e agridem ao pontapé e à bastonada.

Muito mais, os que, podendo não sê-lo, ainda assim adoram armar-se em corajosos quando veem uma senhora em apuros e sem receio de sair do carro à noite, param na berma de uma estrada isolada para ajudá-la a trocar um pneu, do que aqueles que, animados de se verem armados até aos dentes é que têm coragem para, à bordoada e à coronhada, desbaratarem uma multidão de homens e mulheres indefesas.

Prefiro mil vezes os homens que perdem um amigo mas não a oportunidade de dizerem uma piada, só para se poderem armar em engraçados diante uma mulher, do que aqueles de quem nem os amigos querem ouvir falar porque reprovam tudo o que dizem e os condenam pelos atos de violência gratuita.

Prefiro mil vezes os homens que se gabam diante dos seus congéneres de conquistarem muitas mulheres, do que todos os outros que, à conversa com elas enquanto os filhos jantam à mesa, se orgulham de terem espancado e ridicularizado um homem diante dos familiares que foram impotentes para defendê-lo.

Prefiro mil vezes os homens que falam alto e se fazem notar pondo-se em bicos de pés, dos que os que, para chamar a atenção sobre si mesmo, se notabilizam por derrubar e espancar, no chão, idosos, que é de onde acham que eles não se deviam levantar.

Prefiro mil vezes os sujeitos gabarolas com a mania de que sabem tudo, do que aqueles que, sem saber por que o fazem, erguem o braço contra alguém e desatam à bastonada só porque é no cumprimento de uma ordem.

Prefiro mil vezes os homens que levam uma vida dupla e se enfiam na casa de banho com o portátil sem a mulher desconfiar que ficam à conversa com miúdas mais novas nas salas de chat, do que os que se gabam de fazer tudo às claras, inclusivamente bater em alguém sem se importar de que fique registado pelas câmaras de televisão.

Só não prefiro a esses, os pedófilos nem os violadores da integridade física ou psicológica das mulheres naquilo que se convencionou chamar de violência doméstica, porque os tenho na mesma conta de pessoas que contribuem ativamente para o declínio da sociedade em que vivemos.

Vai longa esta crónica acerca de uma situação que não merece o mais curto comentário. Não há palavras para a cena da agressão policial que indignou, há uma semana, o país e levantou na opinião pública um coro de protestos que na maior parte dos casos, sem terem sido recorrendo aos termos que usei, se revelaram muito mais duros e críticos, tanto em relação aos profissionais da classe que andam a pôr em cheque a autoridade moral da Polícia, como aos que ajudam a denegrir a imagem das forças de autoridade em geral.

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