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Há uma linha que nos separa…dos homens!

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Eu diria que não há só uma linha que nos separa dos homens mas sim várias! O género na linha de produção… ser homem ou mulher! Uma linha que nos separa por toda a eternidade!

Há uma linha que separa ser velho de ser idoso…há uma linha que separa ser ativo ou não ativo…consciente ou inconsciente…dependente ou independente…tudo o que nos rodeia é separado por uma linha!…mas o que pretendo hoje é focar a terapia da linha no tempo…compreender o que as emoções dos idosos (hoje especificamente dos homens), trazem nesta fase para a sua vida, para a sua auto estima, aprender a maneira para eles alcançar o mínimo de estabilidade ou satisfação. Compreender profundamente o que são as suas emoções, devaneios ou excitações.

Não é novidade para ninguém que os cuidadores podem ser de diferente sexo! Normalmente é mais comum, na terceira idade, os homens serem tratados por mulheres, que as mulheres serem tratadas por homens! Mas penso também que se deve ao fato de existirem mais profissionais do sexo feminino nesta área! Estou ainda a referir-me a uma etapa que vem contemplando pessoas entre os 80 e os 100 anos de idade, viveram numa época em que era impensável haver este tipo de cultura, até porque na sua maioria eles são ainda do tempo que até na escola havia divisão de sexo!

Então…pergunto eu? Qual é a linha que separa o sexo feminino ao ser cuidador do sexo masculino! È uma linha que separa o profissionalismo da brincadeira… que separa o abuso da total confiança…que separa a naturalidade da malicia…o saber da sabedoria…!

Ao longo de todo um percurso diário, vivem-se situações marcantes, uma mais engraçadas, outras menos agradáveis, mas na sua maioria são fáceis de contornar…porque…são utilizadas as estratégias da tal linha que nos separa! Quer seja num gabinete médico, numa enfermagem ou ainda num quarto onde diariamente terão que ser prestados os cuidados necessários há sempre uma base…a do total respeito! Mas será que o idoso respeita sempre separação! Será que o idoso ( ainda bem ativo sexualmente!) consegue ter o comportamento que seria desejável! Pois bem! Estaria a mentir se o confirmasse! No entanto, se calhar o comportamento é normal…como homem…normal como individuo com desejo ou ate mesmo necessidade! E nós…como reagimos! Aceitamos e desviamos a” ideia”! Alimentamos esperança! Ou contornamos a situação com uma brincadeira! Este é no meu ver o caminho mais correto. Há quem diga que não devemos brincar com os idosos…mas eu falo em brincadeiras que possam solucionar o problema! Se não vejamos esta experiencia!

Um idoso sofre de um problema nos testículos (bolas…como ele diz!). A primeira vez que que me deparo com ele para lhe efectuar a higiene ele diz:-cuidado, não sei se sabe mas eu tenho um problema! Eu tenho uma bola maior que a outra! E Sra. Enfermeira diz para ter muito cuidado! Eu respondo:-claro que sim, eu sei bem que tem um problema, não sou eu que o vou tratar, apenas lhe vou prestar os cuidados de higiene…não se preocupe! Ele volta a repetir:-olhe que eu tenho uma bola maior que outra e a Sra. Enfermeira diz para eu não mexer nas bolas! E também diz para eu não mexer no “taco” se não fico rendido!

Posto isto…a higiene continua e a sua cara de “safado” aguardava resposta ou continuidade na conversa! Como não alimentei a conversa ele voltou a dizer: – sabe se há mais alguém com as bolas diferentes! Sabe se é verdade que posso ficar rendido!

É aqui que entra a linha da sabedoria! Eliminar a carga emocional, o medo, a raiva ou qualquer emoção incapacitante numa fracção de minutos, é nossa tarefa! Quer seja a nível sexual ou outro!

Perante duas” bolas” e um” taco”, só nos resta manter um ar sério e de confiança…porque jamais o idoso poderá jogar bilhar na nossa frente!

Esta é uma experiencia que retrata o medo, o pânico, a total certeza de uma preocupação sexual, mas há tantas e diversas situações em que o desejo sexual dá na certeza um vasto numero de peripécias e engenhos!

Só para concluir…se um dia um velhinho se virar para si e lhe disser…dava 50 euros para ver as suas “lombas”…responda com sabedoria e diplomacia! Diga-lhe apenas que as “lombas” fazem parte da linha que separa o homem da mulher…tal e qual as “bolas” e os “tacos”…!

Este é o dia a dia de quem lida com idosos …situações em que a malicia é bem patente…tal…adolescência!

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Crónica de Aida Fernandes
A última Etapa

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