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Jamie Oliver provoca-me náuseas…

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Em toda a minha vida laboral, tenho sido absorvido pela mítica frase “Quem não presta para comer, não presta para trabalhar”. E a verdade é que me tenho agarrado com tal força a essa frase, que hoje em dia a aplico em várias situações da minha vida, embora com algumas variações. “Quem não presta para dormir, não presta para curtir”, “Quem não presta para ler, não presta para escrever” ou mesmo “Quem não presta para beber, não presta para fod…” (Bom, esqueçam esta…), podem ser alguns dos exemplos das frases que uso no meu dia-a-dia. A verdade é que, invariavelmente, a gastronomia faz parte de nós. Faz parte de quem somos, e do que nos faz sentir bem. Faz parte do nosso quotidiano. (Quem dizer, menos das modelos que substituem uma bela refeição caseira, por duas ou três folhas de papel A3 para assim enganar o estômago.)

Hoje em dia existe uma certa obsessão pela cozinha. Por pratos requintados, e por estrelas Michelin. Existem inúmeros chef´s que atingem mais facilmente o orgasmo quando recebem uma estrela Michelin, do que em uma hora de puro forrobodó com uma loiraça sueca, escultural e de olhos verdes. Essa obsessão gastronómica expande-se, hoje em dia, à realização de inúmeros programas televisivos de gastronomia, levando vários chef´s mundiais a serem verdadeiras estrelas – não estrelas Michelin – de televisão.

Uma dessas estrelas, é o grande chef Jamie Oliver. Confesso que até engraço com a forma como ele cozinha, e como, de uma forma bastante javardona – e ao mesmo tempo, de uma forma simplória –, ele elabora os seus pratos. A meu ver, é assim que a gastronomia deveria ser tratada: de uma forma javardona e, ao mesmo tempo, simplória e sem tabus. Não é por este facto que Jamie Oliver me provoca náuseas, se é isso que o caro leitor está a pensar, após comparar o título com o que acabei de escrever anteriormente.

Jamie Oliver provoca-me náuseas, porque, sempre que vejo um dos seus programas, em que ele cozinha de uma forma maravilhosa (E esta, hein? Ele cozinha! Este é o momento em que o leitor solta um “Uau!” de espanto. Sim, não se acanhe. Experimente lá. Viu? Foi ou não foi espectacular? Não se sentiu uma pessoa mais realizada interiormente, e, ao mesmo tempo, um pouco esquizofrénico, olhando para o seu redor a ver se ninguém o viu a falar sozinho? É uma sensação fantástica, não é? Não tenha problemas, porque todos nós temos um amigo imaginário (O meu chama-se Zé Pirolito, e é um Unicórnio) e ninguém achará estranho estar a falar sozinho. Certo?…), consegue soltar em mim o cozinheiro que eu penso nunca existir. E isso pode significar muita coisa. Como, por exemplo, uma enorme javardice na cozinha.

Foi o que aconteceu há uns míseros dias atrás. Após uma daquelas noites repletas de insónias, dei por mim a assistir a um episódio de um programa do Jamie Oliver, em que ele anda feito um louco pelos estados americanos a provar a comida que por lá se faz. E, de repente, uma enorme vontade cresceu dentro de mim. A vontade de elaborar um prato, inspirado naquele episódio de Jamie Oliver que tinha acabado de assistir. Quando dei por mim, estava de pijama na cozinha, a colocar uma série de alimentos em cima da mesa. Alimentos que, para mim, naquele preciso momento, faziam todo o sentido para a refeição que iria confeccionar.

Meio atordoado e inspirado pelo poder gastronómico que o Jamie Oliver tinha embutido em mim, comecei por pegar na faca de cozinha e cortar várias rodelas de batata doce. Depois, peguei em algumas castanhas piladas, e esmaguei-as todas. Peguei num tomate e cortei-o às rodelas. Alcancei uma cenoura e dei-lhe o mesmo destino do tomate. Depois, peguei em salsichas e introduzi-as no frasco da maionese até deixar de as ver. Enrolei fiambre, queijo flamengo e cogumelos juntamente com um pouco de frango assado que tinha sobrado do jantar, e acrescentei milho à mistura. Coloquei uma panela ao lume, e coloquei todos os ingredientes anteriormente mencionados lá dentro, juntando um pouco de azeite, cebola e alho, numa espécie de refugado. Mexi e voltei a mexer o refugado com a colher de pau, e mais tarde adicionei as salsichas que estavam dentro do frasco da maionese. Subitamente, uma estranha sensação de que estava a faltar algo ao refugado, a modos que me assombrou a mente. Olhei em redor, e descobri uma garrafinha de moscatel e outra de vinho do Porto. Era isso mesmo que faltava para dar um toque mágico ao meu refugado. Um copo de vinho do Porto e outro de moscatel e 20 minutos depois, tinha o refugado pronto. Retirei a mistura para dentro de um prato fundo, e fatiei de forma cuidada o pão alentejano que tinha em casa, para assim obter duas fatias perfeitas. Não muito grossas, e igualmente não muito finas. Perfeitas. Coloquei a mistura dentro das fatias, e adicionei um pouco de ketchup e mostarda. E comi tudo de empreitada, quase sem respirar!

E meia-hora depois, estava a caminho do hospital com uma intoxicação alimentar. Raios partam o Jamie Oliver…

Até para a semana, malta catita…

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