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Je ne suis pas Charlie, eu sou Zé!

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Não é nada do que estão a pensar…Eu não sou mesmo Charlie, sou Zé!

Mas como Zé (Povinho) que sou, não preciso de me afirmar como um pacato, tolerante e apaixonado português.

Vivo num país onde não existem felizmente as barbáries que são cometidas noutros países. E porque será isso? É o temperamento do povo? É a nossa civilização? É a nossa cultura? Seremos nós um povo simpático quando visto pelos olhos de quem é natural e vive no estrangeiro?

Sou Zé, sou democrata, mas não ligo em demasia a tudo o que me dizem e me contam.

Sou um Zé que não ousa importunar sequer o seu vizinho, a não ser para lhe pedir um ovinho ou umas folhinhas de salsa… que me esqueci de comprar.

Cumprimento quem comigo se cruza na rua, corre-me a lagrimita pela face se alguma boa atitude que aprecio, me comove, quer ela seja real, ou quer ela seja ficcionada.

Acompanho com preocupação os problemas dos meus amigos e colegas.

Tenho amigos simpatizantes de todos os quadrantes políticos, que com alguns deles mantenho por vezes acesas discussões políticas, até ao limite em que essa discussão possa prejudicar a nossa amizade.

Muitos amigos meus são seguidores de outras religiões diferentes da minha e até acérrimos praticantes e eu respeito as suas opções, a sua Fé e tenho por vezes até curiosidade em acompanhá-lo(a).

Será necessário que eu seja “Charlie”, para me sentir do lado da razão? Para me sentir enquadrado numa cultura e civilização ocidentais de democracia, liberdade, tolerância, fraternidade, igualdade?

Não!

Ser Zé muito mais do que isso. É rir-se tanto ou mais das piadas, desenhos e caricaturas dedicadas outros, como daquelas que fazem sobre mim. Eu até que sou alentejano e conto anedotas de alentejanos aos meus amigos…

Ser Zé hoje é viver neste mundo global de eterna tolerância, mas a tudo e a todos, até mesmo para com aqueles que nos querem fazer mal.

Já dizia Jesus Cristo no “Sermão da Montanha”: «Tendes ouvido que foi dito: Olho por olho, e dente por dente. Eu, porém, vos digo: Não resistais ao homem mau; mas a qualquer que te dá na face direita, volta-lhe também a outra; ao que quer demandar contigo e tirar-te a túnica, larga-lhe também a capa; e quem te obriga a andar mil passos, vai com ele dois mil. Dá a quem te pede, e não voltes as costas ao que deseja que lhe emprestes.» (Mateus 5:38-42).

Não é isto ser Zé? Não é ser Zé maior do ser Charlie?

E o mais grave, é que o Islão é também isto, e não aquilo que os radicais querem fazer parecer…

Que Deus perdoe os agressores e que Deus perdoe também aqueles que ganharam ou irão ganhar com o rescaldo dos atentados de Paris. Que Deus salve a alma dos falecidos e que abençoe as suas famílias!

Eu sou Zé, com muito orgulho!

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