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O maior Marco foi mesmo a contratação de Jesus.

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Bomba. Foi desta forma que foi encarada a notícia que avançava Jorge Jesus como novo treinador do Sporting. Os que dizem que acreditaram desde o primeiro rumor, mentem. Nem o professor Bambo conseguiria prever algo como isto. O impensável. A notícia que abalou por completo o futebol português. Um escândalo. Afinal de contas, estamos a falar da contratação do treinador campeão nacional, pelo maior rival do Benfica, o Sporting. Se a isto juntarmos um despedimento por justa causa alegando, entre outras coisas, o não uso do fato oficial num jogo frente ao Vizela, e as reacções dos benfiquistas após terem certezas da veracidade do sucedido; então temos uma das maiores e melhores novelas de sempre do futebol português.

Antes da explosão fazer estremecer os media e o público em geral, existiram um sem número de acontecimentos que propiciaram tal efeméride. Desde logo, a relação de Marco Silva com Kim-Jong Bruno, perdoem-me, com Bruno de Carvalho. O presidente do Sporting desde cedo que demonstrou perante toda a comunicação social que não pretendia manter o timoneiro verde e branco para a próxima época. O sem número de razões que são evocadas na carta de despedimento por justa causa – onde o fato é a figura dominante – , podem ser perfeitamente resumidas numa certeza: Bruno de Carvalho não gostava, não gosta e nunca gostará de Marco Silva. Os verdadeiros motivos não são fáceis de escrutinar, talvez o facto de o ex-treinador do Estoril não lhe ter prestado vassalagem seja um desses motivos. Aliado a diversas desculpas, entre elas os resultados – mesmo após o treinador ter ganho o primeiro troféu em 7 anos – e  a não defesa de Marco Silva quando Rojo quis agredir Bruno. Um crime hediondo, pois claro. O certo é que o futuro do treinador do Sporting já era mais do que sabido e a porta da rua seria o seu primeiro destino de férias. Contudo, mesmo o despedimento não sendo uma surpresa -nem para os cépticos que acreditaram que a Taça de Portugal significaria alguma coisa no meio de tudo isto -, acabou por desencadear uma turbulência de tal maneira brusca que até provocou risos em figuras reconhecidas dos dois clubes. Esperamos que não se tenham engasgado com o riso jocoso.

Jorge Jesus é o novo treinador do Sporting. Mesmo antes de ser oficializado por Bruno de Carvalho, os órgãos noticiosos fizeram questão de divulgar e de vincar a ideia de choque intrínseca ao tema. O bi-campeão nacional, que conquistou 3 títulos de campeão em 6 anos; que levou a equipa do Benfica a duas finais europeias e que era adorado por – quase – todos os adeptos encarnados, acabava de não renovar contrato e de chegar a acordo de forma a rumar ao rival da 2ª circular, que acabou o último campeonato no 3º lugar. Para muitos o impacto foi tremendo, não por pensarem que Jesus ficaria no Benfica, algo que era um dado muito pouco provável, mas pela razão de nunca terem associado o técnico encarnado a outro clube em Portugal. E mesmo surgindo esse cenário, ninguém pensaria noutro clube a não ser o da invicta. Um espécie de movimento de “cavalo para burro”, como dirão os benfiquistas. Durante os últimos dias muito se tem falado em motivos. Os motivos de uma decisão tão polémica e bombástica para o panorama do futebol português. Muita tinta correu, foram ditas e escritas várias coisas, tais como: Jorge Jesus vai para o Sporting para conceder o último desejo ao seu pai doente; Jesus assina pelo Sporting porque entraram capitais estrangeiros e a SAD verde e branca passa a ter dinheiro para investir; Luís Filipe Vieira já tinha um pré-acordo com Rui Vitória, tendo negligenciado Jesus; Jorge Jesus queria ir para o seu clube do coração, entre muitas outras. As versões são várias, as opiniões ainda mais, no entanto, um aspecto que parece consensual é a importância da vertente monetária. Se o Sporting oferecesse ao, agora ex, treinador do Benfica, um vencimento consideravelmente abaixo do que auferia no clube da Luz, por certo que a resposta não seria um convicto sim. No futebol moderno o amor à camisola tem limites e uns dos principais são os cifrões. Rematando toda esta questão à volta do tema quente, muito se poderá falar da ética, do timing, da legalidade, não obstante de tudo isto, a única decisão firmada é mesmo a de que Jorge Jesus terá um leão ao peito na época de 2015/2016.

Quando a poeira assentar, algo que não acontecerá de forma assim tão repentina quanto isso, será tempo de analisar as circunstâncias e os planos de futuro do novo timoneiro dos leoninos. A grande dúvida é: Como será o Sporting de Jesus? Será um, agora sim, assumido candidato ao título? Muitas são as questões que surgem com o avançar do tempo, e menos são as respostas. O investimento no treinador foi grande, grande será o investimento no reforço do plantel. Pelo menos assim o exigirá “JotaJota”. A conversa da formação para aqui, formação para ali, pouco ou nada interessa. Quem for bom, jogará. Os anseios dos viscondes de Alvalade são algo que os impede de estarem felizes a 100% com a contratação de outro mundo que foi feita, ou seja, o seu futuro homem do leme. Interessa de igual forma saber, que jogadores ficarão agora que sabem que serão treinados por Jorge; se Bruno de Carvalho continuará no banco; se Inácio vai embora ou não; que influencia terá o novo técnico na gestão do futebol; qual será o esquema táctico adoptado; reacção dos adeptos leoninos; importância da supertaça. Tudo isto e muito mais será alvo de análise ao longo dos próximos meses, dando assim uma possível previsão do que será o resto da época. Há algo desde já definido, será uma das temporadas mais longas do futebol português e dará mais do que falar do que alguma vez deu.

Bruno fez xeque. Ainda não matou porque o jogo pode ser virado. A falha mais grave de toda esta jogada, onde foi comendo peões e desnorteando o oponente, foi sem dúvida nenhuma a forma vergonhosa como tratou o treinador que devolveu o Sporting aos títulos 7 anos depois. Repito, 7 anos. Tudo para não pagar uma indemnização escabrosa. O dinheiro é que move as peças, mas a dignidade mantém-nos em jogo. Contudo, os adeptos – que têm a memória mais curta do que um peixe dourado – perdoarão tudo, afinal de contas, roubaram o treinador que foi bicampeão com o clube rival, 31 anos após a última conquista idêntica. O episódio mais dramático, caótico e chocante dos últimos tempos.

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