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Mendigo: tempo de Natal

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Mendigo. Quando se pensa nesta palavra, pensa-se em alguém pobre, sujo, descalço, enfim, alguém que está na miséria. Hoje foi dia de ficar com uma imagem diferente de ti Mendigo, não foi por acaso, que essa imagem fica para sempre à porta de casa da Nossa Mãe.

Estava eu enrolada nos meus botões, caminhando sobre a vida, dirigindo-me para casa dela, para mais uma vez sentir o conforto de sua casa, quando mesmo à sua porta surgiste. Esticando a mão, Disseste: “Uma ajudinha, por favor”. Reparei em ti, na tua pobreza, mas não foi isso que guardei. Nós passamos por ti, na nossa pobreza de espírito, levantamos a cabeça, que ia serrada no chão sobre os seus problemas e tu Disseste: “Obrigado”. Foi aqui que me tocaste, um turbilhão de sentimentos e pensamentos começaram a invadir-me e até comentei: “Não lhe demos nada e ainda nos agradece”. Não consegui ficar-te indiferente e fiz-te chegar a minha “ajudinha”, como tu tinhas pedido, com um ar humilde, olhaste e sorriste, para aquelas duas crianças, dizendo: “Obrigada”.

A partir daqui, comecei a fazer introspecções e tirei até uma grande lição… Quantos mendigos não existem por aí, mendigos esses com bom aspecto, que não lhes falta nada, andam pela rua com o seu ar imponente e que sobretudo não se tocam, nem se deixam tocar pelo Amor. Tu não, tu não és Mendigo. Porque não tens nada, não deixaste de ser humilde, não deixaste de te alegrar com o pouco e com muito, não deixaste de sorrir, não deixaste de caminhar e de acreditar.

Quantos são os que neste Natal andam numa correria, vão de superfície comercial em superfície comercial à procura de prendas? Eu sei, eu também gosto de receber prendas, acho que todos nós gostamos mas o Natal é muito mais que uma prenda, é muito mais que luzes e enfeites, é muito mais que tudo. O Natal é tempo de fazer um caminho espiritual.

Mendigo é todo aquele que deixa de agradecer, de sorrir, de se alegrar e de caminhar.

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