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Moda (pouco) saudável

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Há uns dias atrás surgiu a notícia de uma modelo plus-size ter sido contratada por uma grande agência de modelos do mundo. Tess Holliday, americana, tem 1.65 m e pesa 120 kg, vestindo o tamanho 58. Pois bem, fico indecisa como reagir à notícia. Fico contente por incluírem modelos de tamanhos grandes? A verdade é que existem mulheres de todos os tamanhos, pelo que é a realidade. Ou fico preocupada com a mensagem que transmite? É que para mim, diz que é normal e saudável e que não há nada de errado em ter 120 kg medindo apenas 1.65 m. Não sei como reagir mesmo.

Só há uns anitos atrás é que se ouviu falar em modelos plus-size. E ainda existe muito caminho para percorrer neste campo da moda, contudo penso se o plus-size não estará na moda e ajuda apenas a chamar a atenção para algumas marcas e agências.

Ao fazer pesquisa no santo Google deparo-me com o facto de ser considerado plus-size a partir do tamanho 44 ou 46 (anda num misto dos dois), só que se formos passear por algumas lojas e marcas “normais” os números acima do 40 começam a escassear chegando ao tal 42 normalmente e não existe mais nada maior. Também podemos ver que algumas modelos consideradas plus-size são tudo menos plus-size, como é o exemplo da também americana Leah Kelley que veste o 38/40 e tem 1.77m (é uma plus-size em pleno estão a ver?!).

Primeiro que tudo todas as pessoas têm o direito de se sentirem bem como o corpo que têm. O que não ajuda a isso a roupa por vezes nada fácil de encontrar e que parecem do tempo da avozinha (tenha 20 e poucos anos, tenha 50 ou 60, se veste acima do 44 é tudo igual). Todos temos que andar vestidos, independentemente do tamanho, mas podiam fazer umas coisas que animassem o espírito de todos não apenas de alguns. Segundo, ainda bem que existem mulheres, neste caso mas pelo que vi no Google também há homens como modelos plus-size, com alguns quilinhos a mais e que querem ser modelos e que o conseguem. Estas mulheres também existem e gostam de moda. São um exemplo, ao dizer que não são apenas as “magras” que conseguem e podem ser modelos. Se temos sonhos, podemos concretizá-los. E visto por este lado do prisma, felizmente a moda investe em modelos plus-size e quer mostrá-los ao mundo!!

Porém que imagem dá à moda ter pessoas a representar algo com muito peso a mais? Que imagem dá a moda ao investir nestas mulheres? E quando digo peso a mais, não é uns quilos, é mesmo muitos quilos, bem acima do peso “ideal”, minimamente saudável. Para mim parece que dizem que não há problemas ter 120 kg (e há tantos problemas e outros tantos que advém disso), que está tudo bem. Ninguém poderá dizer que é feio ou que fica feio utilizar mulheres plus-size, porque não fica – a Tess é lindíssima – e qualquer mulher é bonita, se juntarmos ainda a maquilhagem e uma roupa top como as utilizadas em produções de moda ficam deslumbrantes. Mas não é saudável ter 120 kg e medir 1,65 m, não é.

Tal como criticamos (pelo menos eu critico) os grandes desfiles e produções de moda utilizarem modelos (extra) magras, penso que também devemos criticar quando utilizam modelos com muito peso a mais. Não tem nada a ver se a roupa é maior ou mais pequena, todos usamos roupa como já disse, para uns número mais baixos para outros mais elevados e todos os outros que se encontram no meio. Todos os tamanhos são necessários e pena é não existirem mais marcas a apostarem nestes mercados. Tem a ver com o que transparece após surgir na capa da revista X, com a publicidade a Y e Z, com o anúncio a AB e com o desfile da marca C. Todos vemos estas imagens e pensamos (volto ao: pelo menos eu penso) qual é a barreira que existe entre a moda e o saudável? É que deve existir uma barreira enorme, difícil de transpor, pelos exemplos que vamos tendo. Nem a magreza extrema é bonita e saudável, nem a obesidade extrema é bonita e saudável. Nem oito nem oitenta.

E depois desta reflexão toda, penso no quanto gostei e admirei o anúncio de TV e nas revistas que todos os diferentes corpos das mulheres estavam representados. Só que lá não tinha ninguém com obesidade extrema, no meu entender. Claro que todas temos o direito de ser “representadas” (tenhamos 50 ou 150 kg) mas tem que passar a informação que peso a mais não é (não é mesmo) saudável!

E voltamos ao início…não sei como ficar – preocupada ou contente…não sei.

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