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Na quelha da Saudade!

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Na quelha da saudade!

De paralelo…empoeirado, massacrado por tantas passagens.

Era estreita essa rua, tão estreita que um carro passava à justa!

Para nós, era apenas um recreio, um porto seguro a nossa quelha!

E se essa quelha falasse?

Das tantas crianças que conheceu!

De todos os jogos de berlinde a que assistiu!

De todas as corridas de pneu, em que os seus muros serviram de rails, quando os pneus seguiam a uma velocidade maior que um balanço!

E se essa quelha falasse?

De todas as zangas, discussões ou lutas.

De todos os primeiros amores, de beijos inocentes num fim de tarde de Outono!

Se essa quelha falasse!

Diria que vive na saudade…

Das crianças, dos risos, dos tombos e choros…

Das brincadeiras, do acender dos candeeiros da rua ao fim da tarde…

Do cheiro intenso a sardinhas de rabo na boca fritas, de todos os gatos que percorriam os muros em busca dos restos…

Essa quelha, não fala…

Hoje vive num silêncio inquietante, de quem por lá nunca mais passou, essa quelha, hoje vazia, de muros grafitados, de vidros e portas partidas, grita por socorro que nunca há-de chegar…

Abandonada…

Fica na memória da gente, aquela que um dia foi a nossa quelha, e que hoje pertence a ninguém!

Não se esqueçam de recordar e sonhar, porque a vida é feita de sonhos!

 

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