01/06/2020

O Caso do Cão no Comboio – Carla Vieira

loading...

Certamente que este caso já vos foi parar ao feed do facebook, ou ouviram falar no twitter, ou cuscaram no youtube. Um caso polémico acerca de dois jovens, um cãozinho e agentes da polícia que foram um bocado brutos. Uma história que pelo que me pareceu não chegou às notícias mas ainda assim foi exposta ao país para escrutínio dos Portugueses. E o que é que aprendemos com isto?

Primeiro, aprendemos que os animais pagam bilhete. Sou sincera, não fazia a mínima ideia que os bilhetes se processavam assim. Sei que as crianças até aos quatro anos não pagam bilhete, e sendo que os animais são basicamente crianças e não ganham dinheiro, sempre achei que estavam isentos, mas pelos vistos estava enganada.

E depois, claro, aprendemos que não se pode ver nada a acontecer neste país sem que apareçam pessoas com opiniões completamente extremistas, tanto contra os rapazes como contra os polícias. Primeiro, desculpem lá mas acharem que o que os polícias fizeram foi bem feito é uma grande parvoíce, porque acho que ninguém assumiria que os cães pagam bilhete. Aliás, começa logo no revisor que sentiu a necessidade de parar o comboio…

Lembro-me de que uma vez validei o andante errado quando ia para Espinho num comboio de S. Bento para Aveiro e o revisor apenas me fez pagar outro bilhete, sem problema nenhum. Gosto de imaginar que se tivesse um bicho comigo a cena não teria sido diferente, mas sabe-se lá.

O que eu acho engraçado também é, e por favor expliquem-me: mesmo que o rapaz não quisesse pagar bilhete para a bicheza – e eu concordo porque me parece apenas roubo – havia necessidade alguma de violência? E atenção, eu não sei se o rapaz se ofereceu para pagar o bilhete ou não. Pura e simplesmente, não sei. Mas sei que a atitude violenta e brutal dos dois agentes meteu-me um bocado de medo, e ninguém deveria ter medo da autoridade. Afinal de contas, eles estão aqui para reforçar a lei, sim, mas também para nos proteger. Eu não ponho a minha segurança em pessoas que me metem medo e que, caso disso, me batessem. Confio que tal como as outras pessoas têm noção que de não devem instigar a violência, eu também não a instigo. E como tal, não a devem instigar contra mim em circunstância nenhuma.

E agora vocês dizem: “não é bem assim, há casos em que a polícia…” sim, sim, nem todos os polícias são assim nem assado, as pessoas são diferentes, cada caso é um caso. Todos nós sabemos isso, certo? Não desculpa ninguém nesta situação. Agora com o país como está, os Portugueses estão com as emoções (más) à flor da pele e desejosos de se revoltarem contra o que quer que seja. É normal. Mas na era da internet, com telemóveis e acesso às redes sociais, seria de esperar que toda a gente tivesse o mínimo cuidado para não acabarem no youtube… Digo eu. Especialmente por coisas más. Nunca fica bem a ninguém.

Crónica de Carla Vieira
Foco de Lente