Últimas Crónicas

O chico-espertismo dos colaboradores da NOS

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Vanessa era uma rapariga simples e muito pacata. E por ser uma rapariga simples e pacata, dava muita importância aos pequenos pormenores da vida. Vivia sozinha e refugiava-se da sua solidão passando várias horas da sua vida em frente ao rectângulo mágico repleto de cores. Desde séries a simples e básicas telenovelas, Vanessa passava horas a fio completamente focada na televisão. Devorava tudo quase sem respirar. Mas existiam séries que não conseguia acompanhar porque às horas em que passavam na televisão, ela estava a trabalhar — o que a entristecia muito. Até que um dia, após uma simples conversa sobre telenovelas, uma colega de trabalho disse-lhe que ela podia assistir às telenovelas quando quisesse, bastando para isso usar a capacidade de gravação da sua box da NOS. Vanessa ficou radiante e, assim que chegou a casa do trabalho, foi colar-se diante da sua box para agendar gravações atrás de gravações. Mas o que parecia ser uma feliz descoberta, tornou-se rapidamente numa dolorosa e triste descoberta. Ao que parecia, a sua box não gravava. Mas Vanessa não desistiu da felicidade e decidiu telefonar para o Apoio ao Cliente da NOS. Indicaram-lhe vários truques para colocar a sua box a gravar, mas revelaram-se todos infrutíferos. E, após várias tentativas, chegou-se à conclusão que o mais simples era enviar um técnico à sua casa para tentar resolver o problema. E assim foi… ficando agendada uma marcação para o dia seguinte por volta das 18 horas.  

No dia seguinte, Vanessa chegou a casa do trabalho relativamente mais cedo, por volta das 17 horas. Radiante, por saber que iria receber um técnico em casa que lhe iria resolver um grave problema da sua vida, preparou um lanche para encher o bandulho antes de receber a visita. Mas não teve tempo para lanchar visto que, por volta das 17 horas e 20 minutos, o seu telefone tocou e do outro lado estava um técnico da NOS, pronto para tratar do seu problema.  

“Estou? Quem fala?”, disse Vanessa, depois de atender o telefone.

“Boa tarde! Daqui fala Armindo de Almeida. Sou o técnico da NOS que vai resolver o seu problema.”

“Ah. Mas ainda são 17 horas e troca o passo. Vocês não vinham só às 18 horas?”, disse Vanessa, adivinhando que não iria conseguir lanchar.

“Hum. Sim, sim… Mas nós despachámo-nos mais cedo e então… cá estamos!”

“Pronto. Ok, tudo bem. Venham lá então, que eu já estou em casa.”

Passamos 5 minutos tocaram à campainha. Após abrir a porta, Vanessa constatou que Armindo de Almeida não vinha sozinho e trazia um rapaz de tenra idade com ele. Mais tarde veio a saber que se tratava do ajudante de Armindo, o técnico da NOS.  

“Vocês vieram muito cedo… Tiveram sorte de eu já estar em casa. A marcação era só para as 18 horas…”

“18 horas?! Credo! Isso é muito tarde. A essa hora já queremos estar em Cascais a jantar!”, disse Armindo, apressando-se a entrar em casa de Vanessa. “Então qual é o problema, menina?”

“A box não grava!”, respondeu Vanessa.

“Ah, então isso é fácil. Tomás, estás a ver ali a antena parabólica? O problema deve ser daí. Vai ao carro buscar uma cabeça nova para trocarmos por aquela que ali está montada que deve estar avariada. Isto vai ser muito rápido! Não tarda estamos em casa a jantar.”, disse Armindo, mostrando-se plenamente confiante de que iria resolver o problema rapidamente.  

Alguns minutos mais tarde, já com a cabeça da antena parabólica trocada, Armindo pediu a Vanessa para gravar algo com a box. Segundos depois, os três constataram que a box continuava sem gravar.

“Isto não será da box?”, perguntou Vanessa.

“Não. Já sei do que se trata. Eu resolvo já isto num instante! Vai ser rápido e daqui a pouco estamos a seguir caminho direitos a casa, Tomás…”, respondeu Armindo, piscando o olho ao seu ajudante.

Depois de mexer várias vezes na box, Armindo disse: “Menina, a box agora vai gravar de certeza absoluta. Eu tenho vários anos disto e, por norma, fazendo um reset a box fica a funcionar que é uma maravilha!”

E a box continuou sem gravar.

“Não seria melhor trocar a box?”, perguntou Vanessa de forma totalmente inocente.

“Não, não… Estranho, isto nunca me aconteceu! Deixe-me só fazer uma chamada…”  

Após vários minutos ao telefone, Armindo fez uma série de procedimentos à box tentando desesperadamente resolver o problema. Voltou a pedir à Vanessa para gravar qualquer coisa com a box, mas, mais uma vez, a box não gravou…

Vanessa arriscou-se mais uma vez: “Olhe, desculpe, mas não seria melhor trocar a box?”

Armindo respondeu que não, e voltou a telefonar para alguém, passando vários minutos ao telefone para tentar perceber como poderia resolver o problema.

“Ah, já sei! Agora é que isto vai ficar a trabalhar que é um espectáculo e nós podemos ir jantar a casa!”, disse Armindo, voltando a fazer mais uma série de testes à box na tentativa de resolver o assunto.

Mas a box continuou a não gravar…

“Mas que raio! Isto não pode ser!”, exclamou Armindo, já algo alterado. “Em tantos anos disto, nunca me aconteceu tal coisa!”

“Se calhar era melhor trocar a box…”, disse Vanessa.

“Não, menina… O problema não é da box. Tomás, vai lá ao carro buscar cabo que temos de alterar as ligações!”

Meia-hora depois, e ligações trocadas, e a box continuou a não gravar… 

“Bom. Eu não sou técnica e nem percebo nada disto, mas não seria melhor trocar simplesmente a box?”, disse Vanessa, num tom exasperado.

Armindo continuou a mostrar-se relutante em trocar a box e tentou mais uma série de testes. E a conclusão era sempre a mesma:

“Que merda! A box continua a não gravar!”

Vanessa começou a desesperar, e tentou a sua última cartada: “Amigo… Se calhar o problema é mesmo da NOS. O melhor seria eu trocar de operador que estou a ver que vocês não conseguem resolver o meu problema!”

Armindo suspirou. Olhou para Vanessa e depois para Tomás, e disse: “Vai lá ao carro buscar uma box nova…”

Alguns minutos mais tarde, e depois de montar a box nova, Armindo suspirou uma simples conclusão:

“A box já grava…”

E, entretanto, já se tinham passado 3 horas e Armindo e Tomás já não iam a tempo de jantar em Cascais…

 

Isto é que é uma Vida de Cão, hem…

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