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O ESTRANHO CASO DAS MÃES DO SÉCULO XXI…

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A maternidade é uma coisa séria. É linda, por certo, mas também trata-se de algo que impõe muitas e inúmeras responsabilidades. Não há melhor demonstração de amor no mundo do que a maternidade, isso é certo e sabido. O facto de o ser humano poder criar e trazer ao mundo um novo ser é a coisa mais bela que pode existir nesta vida.

Mas existe algo que anda, de certa forma, a distrair ou a desviar as mães do que significa realmente a maternidade. Como, por exemplo, as novas tecnologias. Ontem, dia 19 de Março de 2019, celebrou-se mais um Dia do Pai. Como tal, e como pai que sou, dei muita importância a essa efeméride. Fui buscar a minha filha mais cedo ao infantário para poder passar algum tempo precioso entre pai e filha, celebrando assim da melhor forma possível o Dia do Pai. Peguei na minha piquena pirralha e fui até ao parque que fica perto da nossa casa. Ela adora andar no escorrega e, então, levei-a lá para ela brincar um pouco e, assim, eu sentir-me interiormente feliz por ver a felicidade estampada na cara da minha petiz.

Assim que chegámos ao parque constatei que o mesmo se encontrava repleto de crianças e papás. Normal, visto que estava um dia bastante solarengo para a época em que estamos e, obviamente, era Dia do Pai e certamente muitos pais pensaram da mesma forma que eu. Entretanto, enquanto a minha filha subia e descia o escorrega tremendamente feliz e contente, reparei que, sentada num banco de madeira com uma espécie de telheiro para proteger do sol por cima, se encontrava uma mamã. Ao seu lado, dentro do ovinho, no carrinho de bebé estava o seu filho. A dada altura, o bebé desata a chorar. Normal, visto se tratar de um recém-nascido. A mãe, com o filho a chorar compulsivamente ao seu lado, nem se mexeu. Aliás, ela mexia-se sim, mas era agarrada ao telemóvel. Estava no WhatsApp, porque, sem querer parecer cusco, foi inevitável eu espreitar para o que ela estaria a fazer para não dar a atenção merecida e devida ao seu rebento. O bebé continuou a chorar. E ela nada. Sempre agarrada ao telemóvel. Pensei “bom, não tenho nada a ver com isto, deixa-me cá aproveitar o tempo que tenho com a minha filha neste Dia do Pai”. Mas o som do bebé a chorar estava a entrar-me no cérebro quem nem agulhas a espetarem de uma forma extremamente agressiva. Olhei para os outros pais que, obviamente, deveriam a ter o mesmo pensamento que eu e notava-se perfeitamente que também eles se sentiam incomodados com tal situação.

Os minutos foram passando e o bebé continuava a chorar compulsivamente e eu não aguentei mais. Cheguei ao pé da senhora e disse-lhe “olhe, não sei se já reparou, mas o seu bebé está a chorar há já vários minutos…” e a resposta dela foi “Sim, eu sei…” e continuou agarrada ao telemóvel. Voltei a pensar, “bom, não é nada comigo, o filho é dela…” e voltei a brincar com a minha filha. Mas o bebé continuava a chorar. Cada vez mais e de forma mais aflitiva. Eu e os outros pais que se encontravam no parque iamos trocando sinais de desaprovação. Aquilo já se estava a tornar absurdo. E eis que o bebé, de tanto chorar, começa a engasgar-se. E ela… nada. Continuava agarrada ao telemóvel. Talvez no mundo dela aquilo é que era efectivamente importante. Não o filho, que chorava compulsivamente até chegar ao ponto de se engasgar. Perdi a cabeça e voltei junto daquela amostra de mãe que ali se encontrava e disse “olhe, eu sei que o filho é seu, mas por favor veja o que se passa com ele porque a criança já se está a engasgar!”, já com um tom alterado.

A resposta dela foi: “Ele que espere. Eu também tive de o aguentar aqui dentro durante 9 meses!”

De seguida levantou-se, muito indignada, e foi-se embora com o bebé ainda a chorar de uma forma desenfreada e descontrolada. Não foi capaz de sequer ver o que se passava com o bebé. Eu percebo que a maternidade consegue ser, por vezes — ou quase sempre! —, bastante cansativa e agressiva, mas o filho dela estava a engasgar-se de tanto chorar. E ela nada…

Se aquela mãe, por mero acaso, chegar a ler esta crónica, quero pedir-lhe desculpas por ter interrompido a importância de troca de mensagens que estava a ter no WhatsApp, que era, de facto, mais relevante do que o seu filho estar a engasgar-se por se encontrar há já vários minutos a chorar de forma desenfreada. Se a bateria do telemóvel tivesse acabado, tenho a certeza que ela assim já teria ido em auxílio do seu rebento.

Resta-me desejar boa sorte para aquele bebé que, infelizmente, não tem culpa de ter a besta de mãe que tem…

Isto é que é uma Vida de Cão, hein…

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