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O fenómeno “X Factor” – João Cerveira

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Um miúdo que era um terror na escola (foi inclusivamente expulso e foi colocado por os país num colégio interno), trabalhou como “mailman” na editora discográfica EMI no Reino Unido. Mas sonhou que seria mais do simples “rapaz do correio” e apostou tudo na carreira de uma rapariga que conheceu num bar, que mais tarde viria a ser sua namorada. Foi um sucesso, fez muito dinheiro, mas não o soube gerir e acabou falido. Vendeu tudo para pagar dividas e, aos 30 e poucos anos, voltou para casa dos país. Mas o sonho não tinha acabado ali. E voltou a tentar. E hoje é um dos grandes magnatas da música em todo o mundo. E o seu nome é Simon Cowell.

Simon Cowell é conhecido pelos programas de talento nos quais foi juiz e/ou produtor. Mas ele tem vários projectos fora da TV. Poucos sabem que os Il Divo foram criados por ele. Ele teve a ideia de criar um grupo assim e levou 2 anos em castings até encontrar a actual formação. E, obviamente, agora é o manager deles.

Mas vamos falar dos programas de talento. Cowell foi júri do programa “Pop Idol” no UK, programa que, segundo ele, terá ajudado a criar. Simon Fuller, o produtor britânico que aparece nos créditos do programa como o seu criador, discorda. Mais tarde há a decisão de levar o programa para os Estados Unidos. E assim começa aventura “American Idol” para Simon Cowell. Uma aventura que durou 9 anos. Mas Simon Cowell passou de, nos primeiros anos,  o júri mais odiado, pela forma rude como tratava os concorrentes mais fracos, para um dos mais amados, nos anos seguintes, quando perceberam que ele só estava a ser honesto e a dizer o que pensava e nada mais. Muitos eram aqueles que viam o programa só para ouvir os comentários dele.
Após 9 anos de American Idol, Simon decide sair e criar um projecto semelhante mas ao mesmo tempo inovador. Assim nasce o X Factor.  No X Factor não só não iam procurar apenas um cantor pop (o programa aceita outros géneros e até grupos), como os membros do jurí seriam também mentores dos concorrentes que passassem à fase final, à fase dos programas em directo. Simon Fuller, criador do Idol, não gostou e processou Simon Cowell por plágio, tendo os advogados de ambos os empresários chegado a um acordo, o que lhe garantiu uma soma avultada em dinheiro que Cowell teve de desembolsar.
Mas falando do programa em si, Simon Cowell usa, desde 2004 no UK e desde 2011 no USA, o programa para encontrar novos talentos que depois lança através da sua produtora, a Simco, que tem uma joint venture com a Sony Music.

Claro que, sendo um programa de TV, para ter audiência, tem de gerar controvérsia, tem de ser dinâmico, para atrair audiências. E uma das formas de o fazer é deixar passar pessoas com, digamos, pouco talento, para atiçar os membros do júri (especialmente Simon Cowell nos EUA) a fazer pouco dele. Não é bonito? Bonito pode não ser, mas que realmente dá audiência e toda a gente se ri um bocado, é verdade. E quem concorre sabe como funciona o formato. Por isso sabem ao que estão sujeitos. Acho que é mais injusto pensar que, em vez dos chamados “cromos” podiam passar pessoas com talento que, por vezes, não passam da primeira fase (sim, há uma primeira fase, antes de serem ouvidos pelo juri, em que são só ouvidos por membros da produção, da FremantleMedia). Mas é, para mim, mais injusto ainda que a votação seja, como na maioria dos programas deste género, por voto dos telespectadores. E dirão: tu, um democrata convicto, achas injusto esse tipo de votação, por todos os telespectadores? Sim, porque se uma cidade ou região ou fãs de um determinado estilo de música votarem num artista porque ele “é da terra” ou porque canta RAP ou R&B ou o que quer que seja que gostam, não estão, a meu ver, a votar no melhor artista, na melhor actuação. Mas, sinceramente, sendo muito honesto, não consigo imaginar outra forma de votação que funcione melhor que esta em televisão.
Mas muita gente hoje em dia diz não ver este tipo de programas. Mas muitos gostam de Leona Lewis, Alexandra Burke, Olly Murs, Rebecca Ferguson, Cher Lloyd, One Direction, Little Mix, James Arthur, Ella Henderson, Carly Rose Sonenclair, Bella Ferraro, The Colective ou, mais recente, THIRD D3GREE. E muitos ignoram que estes artistas usaram o X Factor como rampa de lançamento. Muitos, como os One Direction, Little Mix ou THIRD D3GREE só existem porque foram criados neste formato.
Hoje em dia Simon Cowell detem os direitos do formato X Factor (no UK, o original, e nos USA, continua a ser o produtor principal, na Austrália é produtor associado e para outros centro e tal países vendeu os direitos através da FreemantleMedia) e do formato Got Talent (no UK, o Britain’s Got Talent, e nos USA, o America’s Got Talent, continuam a ser produzidos pela SycoTV, a produtora de Cowell, depois vende para outros países o formato).

Podem gostar ou não gostar. Gostos não se discutem. Mas, face aos resultados, há que dar valor ao formato que tanta boa música (outra coisa que já é discutível, porque depende dos gostos) deu ao mundo.

 

 

Crónica de João Cerveira

Diz que…

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