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O Introvertido Inconsciente

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Da influência na vida dos recalcitrantes, adoram os investigadores falar. Esses que maioritariamente se comportam de acordo com os padrões socializantes dos seus pares, levando à perpetuação dos benefícios uniformizantes dos princípios da convergência filosófica e política…

Perdeu-se ele, no meio de tão confusa indagação, onde a permutação irónica que, à mudança do todo, corresponde a manutenção Universal. Era a convergência que o conetava ao resto da humanidade, tornando-o tão único e geocêntrico, como um qualquer smartphone da marca Samsung. Junto de uns tantos outros. Que afluíam para a particularidade estilística de quem pretende fugir de si mesmo.

Na literatura científica, cinco características essenciais constituem a personalidade de cada um: neuroticismo (ou instabilidade emocional), a extroversão, a amabilidade, a escrupulosidade e a abertura para a experiência. O sujeito desta estória nada mais era do que o modelo do sucesso societário: extrovertido! Dinâmico! Capaz de lidar com todas as pessoas que o rodeavam. Mais do que “lidava”, ele alimentava-se da sua capacidade de relacionamento, das suas conversas, e, melhor, das lisonjas que tais interações acarretam, rejeitando a adenda da introversão. O ser introvertido, diziam-lhe, era o segredo para a pobreza e a exclusão. Era assim que ele se sentia bem, ou melhor, era assim que ela achava que tinha que se sentir bem, não fosse o seu sorriso, impecavelmente branco, os seus olhos vítreos, mirando o nada enquanto as luzes do alto do seu púlpito motivacional cegam a visão de todos os energúmenos que o idolatravam. De conforto tinha a desproporção de quem se deita numa cama de cuidados paliativos, de beleza tinha a visão do futuro, do final do dia, quando o silencio o envolveria.

Eis que ao deleitar-se com Orpheu nessa imagem tão pecaminosa que é o amor, que se deixa entrecortar a ideologia biológica, tão adorada pela tradição, que se revela o indivíduo subjacente ao próprio. Ele era aquilo que não era. Era o que o medo do sono havia permutado para uma sobrevivência retirada da vida. Era ele quem ansiava pela tomada de decisão, pela proponente inteligência da compreensão, quem lidava com os traumas de uma infância de correrias fugidas de assaltantes adolescentes da Damaia. Tudo o que o ele era, ele assumia, enquanto sonho. Um sonho. Pouco mais. Lidava. Tratava. Curava. Apenas um imaginário se poderia assumir mais real do que a realidade em si.

Era no meio de tamanha consistência axiológica, lógica, e outras “ógicas” racionais, que ele sentia que aquele que tem medo de ficar sozinho, é aquele que se teme a si mesmo. Desprezou, ao longo das 5 horas e 23 minutos de sono a que tinha direito toda a fundamentação da regulamentação societária do homem perfeito sabendo que… Quando acordou, simplesmente colocou de lado a introspeção. Toma banho, escova os dentes, veste o blazer preferido da assistente que o levava a trair a mulher dos seus princípios e vestia o sorriso, levando ao esquecimento a que todos os sonhos dele estavam fadados.

            Até amanhã…

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