O Motel Caviar – Parte 2

Queres ir para um Motel hoje à tarde? Esta foi a mensagem que Estela recebeu do tipo do escritório. A ultima experiência de Estela num Motel não tinha corrido às mil maravilhas, resumindo em português vernáculo: o gajo não valia a ponta dum chaveiro e os quarenta euros empatados tinham sido um desperdício, o gajo ainda lhe pediu o número de telemóvel mas Estela, cuja experiência não dava espaço para segundas oportunidades não foi na onda, Chau querido até nunca mais. Passado é passado, assim sendo, Estela ficou entusiasmada e respondeu afirmativamente com uma foto do traseiro nu.

Felizmente a região norte é abundante em Motéis, Pensões e bermas de estrada, o povo do norte aprecia o sexo, em qualidade e quantidade também, se bem que a primeira é mais importante na minha modesta opinião, não é à toa que o povo nortenho é mais feliz, está estaticamente provado num estudo que não me recorda agora o nome nem a autoria. Motel Havay foi a primeira opção, quartos pequenos mas confortáveis, em duas horas para os mais rápidos, em quatro horas para quem aprecia o cigarrinho pós-coital, económico ( há que evitar os gastos em bens que não são considerados essenciais ) e sobretudo a localização, longe o suficiente do centro da cidade, se bem que um amigo me confidenciou recentemente que as entradas e saídas do motel são dignas de um filme, mas deixemos a fofoquice para outras crónicas. O Motel Portofino também foi sugerido, mais central, quartos elegantes mas sem exuberância que possa intimidar o mais tímido. Em Valongo o recente Motel Avenue era uma possibilidade, quartos requintados com sofás eróticos que apelam à imaginação. Ambos estavam no Mercedes a deliberar o destino e optaram pelo Motel Caviar, em Canidelo, a garagem privativa era um aspeto considerável pois ninguém quer ver comprometido casamentos estáveis de mais de 20 anos, há que manter a discrição e a falsa felicidade, fica o conselho desta cronista: o pagamento com cartão é dispensável,  optem por pagar com dinheiro, evitam chatices matrimoniais futuras…

O tipo do escritório parecia nervoso, foi à casa de banho, fumou um cigarro, voltou à casa de banho, saiu. Que se passa, querido? Perguntou Estela enquanto desapertava a blusa branca. O tipo olhou para ela e não pronunciou uma palavra, Estela pediu que ele se sentasse na cama, colocou-se à sua frente e foi despindo a roupa lentamente, primeiro a blusa botão a botão evidenciando o decote generoso do corpete preto, depois a saia justa preta, as meias de liga e a cueca rendada. O sexo foi bom, intenso, duradouro. Ambos nus, deitados na cama, relaxados, satisfeitos, silenciosos, olhavam um para o outro através do espelho no teto, até que o tipo disse: Estou a começar a gostar de ti. Estela só disse: Merda!

 

Continua