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O MUNDO É PARA OS ESPERTOS…

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Estamos em pleno século XXI, e o ser humano parece querer regredir cada vez mais a sua raça. É uma espécie de competição de quem consegue elevar mais alto a sua capacidade absurda para ser chico-esperto. As pessoas, com o avançar dos anos, parecem não querer progredir e, ao invés, optam por regredir cada vez mais na sua inteligência — basta olhar para a mais recente polémica à volta do juiz Neto de Moura, para rapidamente se entender do que estou a falar.

Mas, neste caso em particular, não vou abordar esse tão badalado tema. Vou sim, abordar o tema que o título desta crónica tão bem especifica: o chico-espertismo humano. Eu fui, uma vez mais, alvo deste flagelo e vou partilhar com vocês, caro leitores, do que as pessoas são capazes de fazer para serem mais espertos que os outros, como se isso lhes desse uma espécie de realização pessoal mais importante do que se tivessem acabado de ganhar o Euromilhões.

De vez em quando (quando estou doente, é a única explicação para o que vos vou relevar de seguida…) perco a cabeça e vou lavar e aspirar o popó. Normalmente, opto por me deslocar a um desses inúmeros — e autênticas máquinas de chupar dinheiro… — centros de lavagens automáticas que existem por todo este país plantado à beira-mar. Primeiro opto por aspirar todo o interior do meu boguinhas e só depois o lavar e esfregar todo de forma veemente como se o meu único propósito fosse apenas tentar arrancar a tinta do veículo. Bom, aspiração feita, estava na altura de me dirigir para uma das zonas de lavagens com pistola a pressão. Vi um lugar vago e lá vou eu. Entretanto, reparo que se começa a formar uma pequena fila atrás de mim, mas era algo que não me aquecia nem arrefecia porque eu já estava no local para lavar o carro. Saio do carro e coloco a ficha na máquina e nada. A traquitana não lhe apetecia trabalhar e estava sempre a devolver-me a ficha de volta. Insisti várias vezes mas nada feito. A dada altura, a funcionária do centro de lavagens aborda-me, com um ar chateado e autoritário, dizendo-me que a máquina estava avariada e se eu não vi o pino no chão que estava a bloquear o acesso àquela máquina. Eu respondi que não, e ela fez questão de demonstrar onde ele estava. De facto, ele estava lá, mas desviado para a máquina do lado e assim eu não o consegui ver ou perceber que aquele pino estava localizado com a intenção de bloquear o acesso ao sítio onde eu me encontrava com o veiculo. Expliquei à senhora que eu não vi o pino e que coloquei ali o carro porque alguém tinha desviado o raça do pino de propósito. Pazes feitas, lá tive de retirar o carro e dar a volta para voltar a entrar numa outra máquina de lavagens. Assim que dei a volta deparei-me com uma senhora num carro que se encontrava igualmente à espera de uma vaga. Coloquei-me atrás dessa senhora, esperando que ela percebesse que eu tive de sair de onde estava porque a máquina estava avariada e que, de certa forma, tinha alguma prioridade sobre ela.

Assim que abriu uma vaga… o chico-espertismo impregnado naquele ser veio ao de cima e, num movimento brusco, ela arrancou para colocar o carro no local que acabara de ficar vago antes que eu tivesse hipótese de ter qualquer tipo de reacção. Saí do carro e dirigi-me à senhora para tentar explicar que eu já lá estava e que tive de sair e dar a volta com o carro porque, ela própria, estava a bloquear-me a manobra. A reacção da senhora foi a seguinte:

“O que queres, ó? Temos pena! Fosses mais rápido! O mundo é para os espertos!”

Perante tal resposta, fiquei sem reacção. Não estava à espera de algo assim e deixei-me estar no meu canto. Para quê arranjar confusão quando, na verdade, era bem visível que a senhora não tinha educação nenhuma e não valeria argumentar com ela. Era tempo perdido…

Momentos depois, observo a senhora a dirigir-se à máquina de trocar notas por fichas. Vejo ela a insistir vezes sem conta em colocar a nota e nada. Já não havia fichas… Sem vergonha nenhuma, a senhora dirige-se a mim e pergunta-me: “Olha, não tens para aí moedas para destrocares esta nota?”

Respondi: “Tenho. Mas não dou. Fosses mais rápida. O mundo é para os espertos…”

A senhora ficou vermelha. Pensei que fosse ter um ataque de fúria a qualquer momento e desatasse a bater-me sem dó nem piedade. Mas não. Voltou costas, entrou no carro e foi-se embora. E eu… fui lavar o carro e, de seguida, fui à minha vidinha que é vivida num mundo que, segundo aquela senhora, é para os espertos…

Isto é que é uma Vida de Cão, hein…

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