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O Obelisco Irónico

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É enquanto os olhos dele observam que se desvanece a significância sucedânea ao conhecimento de tudo aquilo que curiosamente teria significado, cuja contradição urje, ao solicitar a presença do prejuízo. Do alto das esferas havia sido a representante maior das conquistas humanas, as quais tinham um sentimento curioso: a indução da exclusividade argumentativa e explorativa do brio pelo objetivo. Não havia um objetivo concreto. Ou pelo menos um objetivo das massas, unificado, resumido e acordado. O seu objetivo era tão oco como a bola que nele repousava, ou como a cabeça da Margarida Rebelo Pinto. O objetivo parecia importante às terrenas bestas ondulando entre ciclos de vida, económicos e violentos, desconhecendo que o brilho nada tinha que ver com disposições matemáticas, dissertações filosóficas ou posicionamentos nacionalistas e políticos.

Curioso o quão insignificantes parecem tão importantes objetivos quando a derrocada sucede perante a inoperância de um transeunte. Irónica a justaposição entre o tempo de construção e a fração milionésima para a queda… A beleza estava presente do mesmo modo em que o apocalipse o seria: pedras separando-se, logo abaixo da esfera, caindo e provocando a deterioração de outras entre si… Gerando uma avalanche, cobrindo a distância entre a força destrutiva e a criatura em apenas algumas milésimas de segundo.

A avalanche, como força dominadora que era, tinha a tendência em desfeitear os soterrados em lixo ternurentemente depositado pela natureza, se bem que o Homem se considera uma entidade separada da mesma… Oh… Abençoados sejam os tolos… E esta tendência, que por sua vez tendia em solidificar e emprisionar, representava uma linha esperançosa para quem não a tinha.

É curioso pensar que a construção do Obelisco, numa óbvia tentativa de compensação de um ego e potenciais complexos de Édipo (e não esquecer a extensão do órgão sexual) mal resolvidos, teria um objetivo diametralmente importante, com a sua imponência, mas como toda a imponência, bastou um toque… Uma pequena lasca no suporte, para que este fosse destruído…

Pena que com a queda do laxismo ubíquo dos pequenos autores de tão afamada construção estivesse o terror da morte associada para todos aqueles que, com o tempo, os passaram a admirar.

Mas por uns pagam os outros, não é verdade? Era este, a ironia da construção do remanescente de um obelisco.

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