Últimas Crónicas

O Último Elfo

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Disclaimer: este texto constitui uma fanfic, da categoria fantástica. O autor, e o site Mais Opinião, declaram não deter quaisquer direitos sobre as obras de JRR Tolkien, no qual o mesmo se baseia.

O tempo é a curiosidade incompreendida dos seres que se passavam, e esbanjavam, pela Terra. Foi o tempo que, na sua leveza passeando pela medição, curta e longa, conforme a medição e a percepção do ser que o apreendia, fez transformar o Mundo. Desde as Terras Eternas, à companhia dos Deuses, a minha incomensurável existência levou à relativização da importância das coisas. Suponho que tenha sido assim que os primeiros Elfos se tenham sentido… Mas perco-me nos meus pensamentos. Mesmo nesta hora, tão perto do final… Há coisas que nunca mudam, tal como o meu cachimbo.

Foi na passagem para a Era do Homem que vi a Magia desvanecer do Mundo. As lendas tornaram-se, lentamente, mitos. Mitos esses que, hoje, nada mais passam do que contos passados às crianças, herdeiras da sabedoria dos Primeiros Homens. Os futuros dominadores da Terra. Mas parece que o fim da Era dos Elfos apenas prolongou a vida da Terra por mais alguns milhares de anos. Parece que os velhos inimigos desapareceram. O sobrenatural deu lugar à explicação física, à preleção factual, da qual eles não tem ideia… E foi a perda dessa história… Do facto de nós, seres pensantes, arrogantes na nossa superioridade, termos deixado os humanos ao seu destino. Mas muito perdemos. Perdemos a História. Perdi a minha História. O Caminho. E o Regresso.

Sim. Este é o pensamento que me leva às lágrimas. à tristeza. O pensar que o sacrifício de uns, que levou à prosperidade de muitos mais, muitos milhares de anos depois, foi perdido. Mas talvez haja espaço para uma última missão. Houve muito que mudou. Houve uma natureza que se perdeu. Parece que os fogos da indústria não se extinguiram por entre as florestas de Fangorn, e a reconquista dos Pastores de Árvores, estejam eles onde estiverem… Hoje são os filhos dos homens aqueles que queimam, sangram e esgravatam a terra, incorporando todos os defeitos das Raças que os precederam.

Perdemos o equilíbrio… E a minha longa observação está a chegar ao fim, à medida que uma nova batalha começa. Mas esta batalha não é minha. Não pode ser minha. Eu não sou deste Mundo. Desci dos Céus para guiar os seres, aconselhando-os, até que os seus ouvidos se tornaram tão tolhidos pela depravação, que o equilíbrio foi perdido.

É por isso, meu amigo, que preciso de ti. Sim, eu sei que desejas que o teu longo sono nunca termine. Que desejas viver com a floresta que te albergou depois da morte de Gimli e da Eternidade, deixando-te entregue ao mais terrível destino que poderia imaginar. Depois das guerras, dos céus e infernos que testemunhaste. E mudaste. Mas temo que nada possa ser feito sem a tua ajuda.

“Acorda, Legolas, meu amigo. Meu irmão, pois a vigília de Gandalf, o Branco, terminou e o Mundo precisa de ti.”

Tendo dito isto, Gandalf sorriu. Apenas uma última vez. Olhando para os claros olhos de Legolas, mirando-o, interrogando-se, mas retribuindo o sorriso do último membro da Irmandade, para além de si mesmo. Claro. O sorriso facilmente se converteu em tristeza incomensurável à medida que a queda do primeiro, amparada pelo Elfo, simbolizava a passagem de uma nova Era. Só que… Esta nova Era teve uma diferença: as palavras de Gandalf encontraram o aconchego perfeito em Legolas.

Chorando, em chamas sepultou o seu amigo. Mais do que amigo: família. Irmão.

O seu olhar élfico, vendo para lá das árvores que o envolveram, isolando-o do Mundo, permitiram-lhe ver o estado do Mundo.

Uma solitária lágrima percorreu a face de Legolas, enquanto uma nova jornada começou, deixando a sua cama, para se passear novamente no Mundo, que era a sua casa.

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