01/06/2020

Pacotes de leite badochas e testemunhas de Jeová – Joana Camacho

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Peço desculpa a todos pelo atraso, mas pelo caminho cruzei-me com uma gorda e ainda fui intersetada por testemunhas de Jeová, portanto: chegar aqui não se revelou tarefa fácil.

Mas, já que falei em gordas, permitam-me que exponha aqui uma questão que creio que poderá, também, ser a dúvida de muitos. Estava a examinar um pacote de leite Mimosa, quando me deparei com esta irregularidade no verso da embalagem, onde se lia: “leite meio gordo”. O que é que vem a ser isto?! Mas que tremenda falta de consideração é esta? Ai, vamos chamar aos gordos de fortes, gorduchinhos e cheiinhos, mas aos pacotes de leite… nada! Dos sentimentos deles ninguém quer saber, não é? Chamemos-lhes de gordos, badochas e anafados! E depois é o que se vê: pacotes de leite anoréticos, bulímicos, e com graves distúrbios alimentares. Tudo isto porque a sociedade não se lembra que aquele pacote de leite Mimosa também tem sentimentos.

Depois queixam-se que o leite está azedo. Pois claro! Se me chamassem a mim de “meia gorda”, também me deixava de meiguices e azedava (leia-se: partia-vos o nariz sem qualquer dó nem piedade)! Vocês declararam guerra aos pacotes de leite – agora parece que vão ter de lidar com isso. Temos pena. (Ai temos?)

Acho que, por esta altura, todos concordamos que é tempo de mudança; portanto, eu sugiro uma alteração no fabrico futuro de pacotes de leite. Defendo a sinceridade acima de tudo, portanto, ninguém pretende que lhes mintam e digam que são “leites esbeltos e elegantes”. Mas vá… e que tal um “leite meio forte” ou um “leite rechonchudo”? Sempre é mais simpático. E pronto. O meu serviço público está feito – pensem lá nisso, fabricantes de pacotes de leite.

Agora uma outra questão: mas será – SERÁ – que, sempre que estou com pressa, sou abordada por testemunhas de Jeová? Nada contra essa gente, mas… e que tal se emigrassem para um universo longínquo onde eu não tivesse de ser confrontada com a vossa existência? Era um grande favor que me faziam.

– A menina não gosta de ler? Não quer uma revistinha para ler à noite? Olhe, tem aqui este livrinho que fala sobre como Deus pôs os peixinhos a fazer glu glu e os coelhos a fazerem cocós com formas cilíndricas, sim? Ah, e a menina ajuda quem precisa, não é verdade? É uma boa menina… é, sim senhora.

Caríssimos(as): ide pregar aos peixes (e aos coelhos) para o raio que vos parta! Mas será que não entendem que as vossas revistinhas são sujeitas ao mesmo procedimento que os bombons oferecidos por parte de estranhos? Agradecemos o facto de nos terem oferecido a guloseima enquanto estes estão a olhar; mas, mal viramos a esquina, vai parar ao primeiro caixote de lixo que nos aparece à frente! Sois grandinhos(as) o suficiente para entender isto, não é verdade? É a lei da vida, caros(as) amigos(as). Portanto, vá: estamos em crise. Parem lá com isso de desperdiçar papel e – ainda por cima – fazer com que eu chegue atrasada aos meus compromissos. A minha vida não é a vossa!

Caras pessoas que me leem: caso, por alguma razão, tencionem subornar a autora deste texto, permitam-me que vos deixe uma sugestão… chocolates. Montes e montes deles.

JoanaCamachoLogoCrónica de Joana Camacho
A parva lá de casa