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Papua Ocidental; um povo esquecido

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A Papua Ocidental, é um conjunto de dois territórios controlados pela Indonésia, situados em ilhas da Ásia Menor, na zona da chamada Melanésia. Recentemente, uma coligação de organizações pro-independentistas papuásios (gentílico de Papua), foi integrada como observadora numa organização, Melanesian Spearhead Group (MSG), a qual engloba outros países da Melanésia, como Vanuatu e Ilhas Salomão. Esse acontecimento, na minha opinião, tem de ser visto pela comunidade internacional como um reconhecimento da legitimidade da causa independentista. Foi assim que Timor Loro Sae, por exemplo, conseguiu desbravar o seu caminho para a independência.

Ora foi precisamente José Ramos-Horta, ex-presidente de Timor Leste e prémio Nobel da Paz, que disse, numa entrevista à ABC australiana que “não acredita” no sucesso da campanha levada a cabo pela oposição papuásia. Ramos-Horta diz ainda que a Papua Ocidental é “de facto, pertença à Indonésia”. Instado a comentar os inúmeros casos de atentados aos direitos humanos, relatados por várias ONG’s, situações como a escravatura infligida aos papuásios e a censura prévia na informação dos territórios, levadas a cabo pelo governo indonésio, o prémio Nobel pensa que “qualquer solução para a melhoria das condições de vida do povo papuásio, acabando com quaisquer abusos de direitos humanos, económicos e com a exclusão social dos papuásios terá de ser efectuada no contexto da soberania indonésia”. A solução para Ramos-Horta passa “pelas elites papuásias procurarem o melhor acordo possível com o novo governo indonésio”, talvez como uma estratégia e não por convicção de que seja o melhor para Papua Ocidental. Widodo, presidente indonésio, é para o político timorense o homem certo com quem negociar melhores condições de vida para os habitantes da Papua Ocidental.

Talvez mais preocupado com apoios regionais à delimitação de fronteiras marítimas entre Timor Loro Sae e a potência Austrália, Ramos-Horta parece assim não apoiar o direito à autodeterminação do povo papuásio ocidental. Timor Loro Sae também teve uma longa caminhada até à independência obtida no referendo de 2002, conseguida em muito devido à resistência armada levada a cabo por Xanana Gusmão (que conviveu na mesma cela com Thomas Waiggai, o ideólogo da Grande Melanésia), nas montanhas de Dili. Curiosamente, também por referendo, em 1969 deu-se a anexação dos territórios papuásios à Indonésia. Porém, apenas pouco mais de mil chefes tribais puderam votar, num referendo pedido pela Holanda (país colonizador que saiu das ilhas em 1961), mesmo após os EUA terem negociado a cedência dos territórios à Indonésia. E assim, a proclamação da independência da República da Papua Ocidental, a 1 de Dezembro de 1961, ficara sem efeito.

Desta forma, fica feito o ponto de uma situação a que o mundo ocidental não pode ficar indiferente: há um povo num sítio distante, mas neste planeta, que sofre continuados atentados aos direitos humanos. Timor Loro Sae também sofreu. Portanto, não nos esqueçamos da Papua Ocidental.

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