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Profissionais da Manif – Rafael Coelho

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Todo o universo se manifesta.

Desde as manifestações divinas, as manifestações cósmicas ou astronómicas, a própria natureza se manifesta através do seu clima, dos seres vivos e não vivos, das marés e maremotos, da terra e terramotos, das nascentes e cursos dos rios, o sol que nasce todos os dias, a lua que nos aparece com as suas fases, as plantas e os animais que nascem, crescem e morrem, dando alimento e adubo a outros seres, das tempestades de vento e de chuva, dos glaciares de gelo aos trópicos, tudo se manifesta.

O ser humano como animal pensante tem a capacidade de se manifestar de forma organizada e racional. Porém, as razões das suas manifestações nem sempre serão as mais racionais…

Ora, quando todos assistimos ao afundamento da economia e ao escalonamento da dívida do país por parte de anteriores governos, não se vislumbravam manifestações contra. Muitas das que se assistia eram as que poderiam conduzir ainda a maior fosso económico-financeiro e aumento da dívida. Inaugurações atrás de inaugurações e lá estava o “Zé” a bater palmas, independentemente da utilidade e da urgência daquilo que se estava a inaugurar. Professores que não queriam ser avaliados, médicos que não querem fazer horas, e muitos outros, lá estavam aos milhares a manifestar-se contra isso. Desempregados que não queriam trabalhar, esses aparecem sempre nas manifestações… porque os outros, os que querem trabalhar, andam à procura de trabalho.

Hoje, temos um governo com muitos defeitos, lacunas, omissões e uma incapacidade mórbida para comunicar devidamente com o povo. No entanto, não se pode dizer que não estejam a tentar fazer aquilo que (infelizmente) é preciso para “ajustar” a economia. O que se assiste neste momento, já não é ao manifestante com uma razão fulcral e urgente. Hoje em dia, alguns dos manifestantes só querem saber onde é e a que horas, nem precisam de saber do que se trata… (talvez esteja a exagerar um pouco, mas penso que há muito de verdade no que digo).

Assistimos hoje ao fenómeno do aparecimento do Profissional da Manif: o cidadão cujo perfil ainda não está muito bem traçado, mas que a polícia, pelas notícias que vieram a lume acerca do visionamento das imagens televisivas, já está em campo para “traçar”.

Ficamos todos estupefactos quando visionámos a imagens (editadas) da provocação dos manifes e consequente carga policial em frente à Assembleia da República e nos apareceram, em vez de jovens de capuz e cara semi-tapada, pessoas de certa idade com o rosto ensanguentado; ficámos estupefactos quando os jornalistas nos informaram que a polícia perseguiu os provocadores a mais de 1km de distância do local ficando a Assembleia da República alegadamente “desamparada” de qualquer segurança; ficámos estupefactos ainda quando a versão oficial que passaram ao povo foi a de que tudo aconteceu de forma inesperada (quando após a manifestação da CGTP os sindicalistas se ausentaram) e que as pessoas que ficaram foram os profissionais da desordem, indo mesmo ao ponto de alguém afirmar que teriam vindo pessoas do estrangeiro ajudar à provocação.

Não estamos todos já a ver?

Então, existe aqui um filão por explorar pelos grupos radicais tanto de esquerda como de direita que assustadora e silenciosamente se estão a infiltrar na sociedade e estão a chegar a este “Jardim à beira mar plantado”, onde mora um “Povo de brandos costumes”. Não somos a Grécia? Não! Mas também não somos a Irlanda! Nem a Espanha, nem a Itália! Somos Portugal, com muito gosto e muito orgulho!

Sim à manifestação organizada e legal, não à irracionalidade. Para irracionais, já nos basta o mau tempo, os tufões, os furacões e os nevões.

Feliz Natal a todos, esta época em que se celebra uma das maiores manifestações da História e, para os crentes cristãos, também da religião: o Nascimento de Jesus!

Crónica de Rafael Coelho
A voz ao Centro 

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