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Ronaldo & Hugo Superstars – O Regresso do Hugo!

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Sabem quem é que está de volta? Não, não é o McGyver. Bom, vamos lá ao que interessa: quem voltou foi o Hugo! Qual Hugo? Mas vocês conhecem mais algum Hugo do que “O” Hugo? Claro que não! Ele está de volta e totalmente adaptado às novas tecnologias! Juntou-se a Cristiano Ronaldo e agora ambos são as estrelas de serviço num emocionante jogo (disponível para smartphones e tablets) completamente grátis! O “Desnecessariamente Complicado” desta semana vai ficar nostálgico pelo Hugo dos “velhos tempos” mas vai também viajar até ao Hugo do Século XXI!

Como orgulhoso filho dos anos 90 que sou, assim que percebi que o Hugo ia regressar fui logo a correr ao Youtube relembrar o genérico da antiga série da RTP2. Encontrar o rasto a alguns programas/desenhos animados antigos pode revelar-se uma tarefa muito difícil, mas esse não é o caso do Hugo. Felizmente existem muitos vídeos relativos à saudosa série do final dos anos 90.

Eu tenho uma excelente memória visual. A memória dita “normal” não é nada de espectacular, mas a visual sim. Mas, curiosamente, no caso do Hugo as melhores memórias que tenho são…auditivas. Não faço ideia porquê, mas é um facto. E percebi isso ao ir rever os ditos vídeos, pois se por um lado não tinha grandes memórias dos jogos em si, por outro lembrava-me de todos os sons. Literalmente…todos os sons! Dos pássaros às derrocadas, da gargalhada da bruxa má às frases cliché do Hugo quando alguém perdia uma vida. E tudo isso estava guardado, a sete chaves, numa gaveta esquecida da minha mente.

Primeiro ponto: o antigo genérico do “Hugo” era o mais auto-explicativo de sempre! Senão atentem à letra: “Hugo/ á esquerda e à direita/ a fazer asneiras/ Hugo/ para cima, para baixo/ até à caverna das caveiras”. E depois a letra repete novamente. Mesmo que nunca tivesse visto o programa antes dele começar já saberia tudo o que tinha para se saber. Engenhoso, admito.

Segundo ponto: o Hugo envelheceu muito mal (tal como tudo o que passou na televisão no final dos anos 90 e início dos anos 2000). Os gráficos, a estranha interacção entre o apresentador e o Hugo, a voz talvez demasiado aguda do Hugo, enfim, são inúmeros os defeitos. Mas os defeitos são aos olhos de hoje, porque na altura era “topo de gama”, obviamente.

Terceiro ponto: lembram-me da mascote do Hugo? Era um boneco de média dimensão, peludo e orelhudo mas super fofinho. Eu posso gabar-me de não só ter tido, como de ainda ter, um boneco do Hugo. Poucos presentes foram tão importantes para mim como esse. Foi o meu companheiro durante muito tempo. Com ele dormi muitas noites numa das fases mais complicadas da minha vida. Era a ele que me agarrava. Era com ele que falava e desabafava. E ele sempre me ouviu sem nunca reclamar. Ao Hugo, ao meu Hugo, estarei eternamente agradecido.

Tomei conhecimento deste regresso do Hugo através de um jornal gratuito (daqueles que encontramos nos transportes públicos). E se não fosse esse mesmo jornal provavelmente não saberia da notícia uma vez que não a vi em nenhum canal de televisão ou nos maiores jornais nacionais. Fiquei, naturalmente, ansioso para experimentar o dito jogo. Experimentado o jogo é tempo de dar o feedback, com alguns toques de humor.

Primeiro: o nome é “Hugo & Ronaldo – Superstars” ou, na versão curta, “Superstars”. Qual é o desafio que motivou esta união? A fuga de um paparazzi. Quer dizer o Hugo que escalou montanhas de dimensões titânicas, que mergulhou em águas letais, que sobrevoou todo o mundo no seu avião e no seu balão, que passou pelos nevões mais épicos que há memória agora vai….fugir de um fotógrafo? Para quem o viu na televisão nos anos 90, épico e corajoso, é complicado aceitar de bom grado o motivo deste regresso. Mas talvez seja eu que racionalizado demasiado este tipo de questões, não sei.

Segundo: tanto podemos jogar com o Cristiano Ronaldo como com o Hugo (mas também melhor seria que não pudéssemos utilizar o Hugo, não é verdade?). Contudo o jogo é feito para escolhermos o Ronaldo, não o pequenote do Hugo. O porte, o sorriso e os toques que o CR7 vai dando na bola enquanto olha para “nós” cativa qualquer um (até o maior inimigo do melhor do mundo).

Terceiro: O cenário do jogo é a sempre emocionante Las Vegas. O que motiva a minha seguinte pergunta: “Mas o que raio é que o Cristiano Ronaldo estaria a fazer em Las Vegas com o Hugo?”. Mais rapidamente parece o início de mais um filme do tipo “A Ressaca” do que um jogo para tablets e afins. Outra questão: existe alguma explicação plausível para o CR7 e o Hugo terem a cara espalhada por Las Vegas? É que mais depressa acredito na resposta “estão a ser procurados pela polícia” do que no cliché “são acordos de publicidade”. Se bem que isso podia explicar esta larga ausência do Hugo: tinha estado todos estes anos na Cidade do Pecado a dar espectáculos privados em Casinos para Barões da Droga, e bandidos em geral, de todo o mundo (admito que possa ter deixado fluir demasiado a imaginação agora).

Quarto: Esta versão de Las Vegas é ligeiramente diferente da original. Não é só a publicidade excessiva às caras do jogo, é também o número estupidamente elevado de autocarros, táxis, eléctricos, barcos e corrimões. Sim, corrimões. Corrimões que os protagonistas percorrem a pé e de skate. Exacto: o Ronaldo….de skate. Mas querem a melhor parte? Enquanto anda de skate o Cristiano…dá toques na bola. A cada salto que faz dá um toque na bola e sorri para o fotógrafo (e para nós, obviamente). E sempre que ele salta há alguém que lhe envia uma bola para a cabeça ou para os pés. Conclusão? De certeza que um dos 543354 elementos do clã Aveiro ficou encarregue dessa tarefa (parece-me a única explicação plausível, mas aceito outras sugestões).

Quinto: o paparazzi é extremamente irritante. Nós, meros mortais, podemos ser tentados a pensar: “Ok, o Ronaldo e o Hugo querem fugir da fama e dos fotógrafos mas eu não, eu até gosto da atenção das revistas…vou-me deixar fotografar à vontade!”. Até ao momento em que ouvimos a buzina extremamente enfadonha que a sua scooter vermelha faz. Aí passamos a odiá-lo de morte e a fazer de tudo para que ele vá a sua vida.

Sexto: se não é o maior fã do Ronaldo é natural que esteja tentado a enviá-lo com toda a força contra um autocarro, táxi ou qualquer outro obstáculo. Mas, acredite em mim, pense apenas e não o faça. Sabe porquê? Porque apenas vai ajudar a que se irrite ainda mais dado que o Ronaldo nunca (repito…nunca) é apanhado em falso. Se o tenta enviar contra um eléctrico pode perder o jogo mas ele não se deixa enganar: a seguir a perder vê uma sequência de fotografias onde Cristiano se agarra, de lado, ao eléctrico, deixando o paparazzi embater com toda a força contra o dito cujo. E quem diz agarrar-se de lado diz saltar, abaixar-se ou qualquer outra acrobacia. Conclusão? Quanto mais o tentar aleijar mais frustrado vai ficar!

Sétimo: a sequência de fotografias que referi acima fazem capa de uma revista. E como se chama a dita cuja? Eu digo-lhe: “Revista dos Famosos”. Aparte o nome sem ponta de imaginação podemos ver, ao lado, uma série de linhas que pretendem simular letras mas que não dizem, na verdade, nada. Ou seja, acaba por ser uma forma de criticar a imprensa cor-de-rosa pelo “trabalho” que faz e de gozar com os mesmos ao colocar o paparazzi sempre no chão e o CR7/Hugo sempre em “bom”. Aqui admito: é subtil, e inteligente, a forma como a aplicação nos molda para ficarmos do lado natural desta contenda.

Oitavo: percebemos que o Ronaldo teve um papel a dizer a nível criativo ao darmos conta de que com as moedas que apanhamos ao longo do jogo podemos comprar outras roupas para o melhor do mundo. E quem diz roupas, diz acessórios ou skates e afins. O jogo está, portanto, bastante realista.

Nono: porque é que nunca vemos uma única pessoa? Vemos o Hugo/Ronaldo e o Paparazzi Pete, é um facto. Mas tirando eles não se vê mais ninguém. Os táxis, autocarros e eléctricos são conduzidos, mas não vemos por quem. Serão robots? Serão extraterrestres? Pois, não sei. Gosto de pensar que é uma destas duas opções (sempre é mais espectacular que a realidade).

Décimo: se apanharmos um objecto específico é possível voarmos e apanharmos ainda mais moedas (que, no fundo, é o objectivo do jogo). Até aqui tudo bem. A minha questão é: para voar era preciso o Ronaldo ter um fato que parece ser extremamente justo e feito de licra? Não havia outra forma de colocar o homem nos céus? Não é por nada, mas é que aquele fato parece saído das “50 Sombras de Grey” e deixa muito pouco à imaginação. Depois disto não vão conseguir dormir de noite não é verdade? Eu sei, não têm de quê.

Conclusão: o jogo é engraçado, diverte e acaba por viciar se se deixar contagiar pela maior dificuldade que vai ganhando com o passar dos minutos. Os verdadeiros fãs do pequenote vêem este regresso com bons olhos. Seja com o Ronaldo ou a solo é sempre bom ter o Hugo de volta, principalmente a custo zero.

Boa semana.
Boas leituras e…bons jogos!

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