E a Sanção o Vento Levou

Bruxelas recomendou que haja cancelamento da sanção prevista nos termos inscritos nos regulamentos da zona euro. Para a Comissão Europeia, liderada por Juncker, não há sequer lugar à atribuição de uma sanção “zero”.
Tinha eu escrito (https://www.maisopiniao.com/as-liderancas-europeias-valem-zero/) que mesmo que se verificasse sanção “zero”, seria sanção à mesma, portanto era uma tomada de posição com teor e motivo político. Ora, um país como Portugal, que saiu de um ajustamento com recorrência a empréstimo ao FMI, não pode ser penalizado por se ter desviado umas meras décimas percentuais em relação ao objectivo dos 3%.
Ainda assim, esta decisão foi tomada no dia em que escrevo esta crónica, quarta-feira, e sem saber a decisão do Parlamento Europeu, nem tão pouco da ECOFIN (fonte de todos boatos e ataques ao esforço do país).
O fascism0 moralista de querer impor multas a Estados membros, portanto pessoas de bem, e que tanto se tem verificado, um pouco em Bruxelas e outro tanto em Estrasburgo, poderia ter surtido efeito na Comissão de Juncker, sobretudo se o Brexit não tivesse ganho o referendo…mas o Brexit ganhou essa votação, e a Comissão não se pode dar ao luxo de criar uma imagem de (ainda maior) desunião entre os estados membros (sejam eles 27 ou 28).
Por último, uma palavra para quem acharia que a Comissão Europeia deveria, ainda assim, ter aplicado multa, ou sanção a Portugal: quem não se defende a existência de solidariedade entre os Estados membros europeus, como nesta novela das sanções a Portugal e Espanha, então porque se afirma defensor da integração europeia e da presença do nosso país na União Europeia?

Nuno Araújo