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Taça de Portugal: Leão de garras afiadas vence Dragão sem chama

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Já está. Foi isto que todos os adeptos do Sporting, entre os gritos de vitória e a sensação de alívio, pensaram quando aos 83 minutos, André Carrillo empurrou a bola para o fundo da baliza e fixou o resultado num claro, e nos dias que correm, expressivo, 1-3 para a equipa forasteira, que não ganhava no terreno do Dragão desde 2007. Um feito. Porém, este clássico do futebol português foi tudo menos normal, há pano para mangas e, no ponto em que estamos, o fato do F.C.Porto está curto, e vai ficando cada vez mais a cada jogo que passa.

Após duas semanas de um clima tenso e com muita polémica à mistura, por culpa das declarações proferidas por Bruno de Carvalho, antevia-se um clássico quentinho, com muitos insultos de parte a parte na bancada, algumas entradas mais duras e provocações entre os bancos. Assim foi. Contudo, nem só de animosidade se fez o jogo entre leões e dragões, tanto o bom futebol como o factor surpresa estiveram presentes. A surpresa, todavia, foi só para quem não viu o jogo, ou então para aqueles que se baseiam nos nomes ou no passado, porque quem viu os 90 minutos, apercebeu-se bem cedo qual seria o rumo dos mesmos. Um Sporting sem muitas mudanças no onze inicial, e um Porto a apresentar-se com diversos jogadores que não são habituais titulares, fruto da habitual rotação imposta por Lopetegui, apresentaram um futebol de extremos. Do lado dos leões, uma equipa determinada a vencer e a atirar o estatuto de favorito dos portistas relvado fora, do outro lado, o dos dragões, uma equipa fraca, sem ambição e com erros de fazer corar os infantis.

A primeira nuance a ser destacada no jogo, é a postura ofensiva com a qual o Sporting se apresentou logo no inicio. As melhores oportunidades leoninas, bem como a dinamização de quase todo o seu jogo, surgiram dos pés de Nani, que apareceu mais no meio do que costuma e criou por diversas vezes perigo para a baliza de Andrés Fernandez. É igualmente importante mencionar a forma como Marco Silva dispôs a equipa em campo e as instruções que lhes deu, tendo como principal foco o controlo do meio-campo e a forma como impediu o F.C.Porto de sair para o ataque, pressionando a fase mais recuada da construção. A referência a Nani é justa, não pode é ser a única. Adrien, William e João Mário estiveram irrepreensíveis na forma como controlaram o meio-campo e limitaram as ações do adversário, dando assim uma maior consistência ao jogo do Sporting e uma maior estabilidade. Mais atrás, na baliza, Rui Patrício voltou, uma vez mais, a ser imperial e a defender tudo o que lhe apareceu à frente. Do lado portista as coisas foram de mal a pior. Pouco rotinados, os jogadores que compuseram o onze do Porto foram incapazes de fazer frente ao adversário, teoricamente, mais débil. A sensação que passava era que não tinham estudado a equipa rival, de que não estavam aptos a imporem-se. Começando na baliza e na mediocridade de Andrés Fernandez – “volta Hélton, sentimos muito a tua falta”, devem pensar os portistas – , continuando nos centrais que não fazem, de todo, uma boa dupla, não tendo conseguido entender-se por uma única vez e tendo dado aso a vários erros comprometedores, Marcano falhou imenso e Maicon não lhe ficou atrás, muito fracos. Seguindo para o meio-campo, onde as coisas não mudaram muito. Casemiro é um jogador que caiu de para-quedas no Real Madrid, o trinco brasileiro não tem tarimba nem para o campeonato português, quanto mais para o colosso espanhol. Um jogador que faz da sua principal arma a falta, não pode ser titular num assumido grande do futebol português. Herrera também se mostrou igual a si mesmo, fraquinho. O único que se safou, é também o com mais qualidade, Quintero. Acabando no ataque, que se não fosse Jackson Martínez  a coisa tinha sido catastrófica. Adrían Lopéz tarda, há quem diga que de mais, a provar que vale os 11 milhões, exibição muito cinzenta, foi o pior elemento da frente de ataque. A acrescentar só há a forma patética como a equipa defendeu, oferecendo várias bolas que, por sorte, só duas é que deram em golo. Foi de um amadorismo tal, que quem não soubesse, não adivinharia que a equipa de azul é um candidato crónico ao título. Ainda se deram ao luxo de falhar penaltys.

O cartão vermelho do jogo tem de ir para Julen Lopetegui. O treinador espanhol tem mais matéria prima que qualquer um dos grandes, o clube teve um investimento maior que o dos outros e, mesmo assim, as exibições e os resultados têm sido miseráveis. O espanhol insiste em promover o rotatividade que, apesar de ser muito bonita no papel, não resulta. Os jogadores não ganham rotinas, os processos não são assimilados e, há que ressalvar, que a qualidade de uns não é a mesma que de outros, mesmo que se apregoe a sete ventos que sim, que é. Lopetegui, ainda não conseguiu arranjar uma forma de por tantas estrelas e tantos egos a fazer o mais importante, a jogar futebol. O F.C.Porto está a defender pior que nunca e não consegue ter um meio-campo imponente e que sirva o ataque em condições, há demasiadas falhas que têm de ser revistas, pois já deram erros graves que acabaram em eliminações. Para o orçamento que têm, os adeptos exigem mais, muito mais do que o que tem sido demonstrado, é necessário estabelecer um onze base e apostar sempre nos melhores, afinal, é para isso que eles lá estão. Por fim, há o normal de um treinador sem coragem de admitir os seus próprios erros, que é, a descredibilização da competição. Logo após a derrota, Julen Lopetegui veio dizer que há competições mais importantes e que a Taça de Portugal não é assim nada de muito essencial, por outras palavras, veio retirar importância ao troféu. Um tiro no pé de todo o tamanho de um treinador no qual se depositavam imensas esperanças. Com este discurso, esta forma de defender e a sua rotatividade ineficiente, o ex-guarda-redes espanhol terá de rezar a muitos santinhos para aguentar até ao Natal.

No pós-clássico, há algumas conclusões a ser retiradas. A primeira, e a mais evidente, é que o Sporting está mais forte com Nani, mais candidato e com mais qualidade. Depois, importa referir que as declarações de Bruno de Carvalho funcionaram, tanto pelo lado negativo – a tensão entre os adeptos – como pelo positivo, para galvanizar a equipa. Por último, este dragão é fraquinho de mais para os jogadores que tem, é tempo de Lopetegui dar corda às ideias e por a equipa a jogar bom futebol, caso contrário, nem os adeptos, nem Jorge Nuno Pinto da Costa, vão perdoar. Assim acabou mais um clássico, com um dragão sem chama que não conseguiu levantar voo até à próxima ronda e um leão com as garras bem afiadas, que se mostra faminto mesmo depois de ter devorado e esmagado o dragão – que foi dragãozinho, neste jogo – . Para o futuro, ficam algumas ideias do que pode surgir, no entanto, não percam mais episódios da novela Bruno Carvalho vs Pinto da Costa, promete fazer rir quem gosta de uma boa comédia.

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