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“Tempo de Ano Novo” (Poema)

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Cada novo ano renova a esperança,
De que tudo muda, tudo por fazer…
Até que um dia passa, e nada mais há,
Vidas que acabam, amargo o morrer…
Num desses anos novos, o dia virá,
Em que quem vivia, deixou de o fazer,
Amarga a saudade, o rosto fechado,
Perpétua a lembrança de te poder ver.
São os anos que passam, rostos que se elevam,
Envelhecida imagem, desse bem querer,
Álbum que se rasga, sorrisos eternos,
Tempo que avança sem nada o deter…
Passou tempo sim…Nesse tempo vão…
Nada há que o tempo não possa esconder,
Efémero o sopro de vida que foi…
O que ontem foi tudo, vai desaparecer.
Para quê a vaidade?… Se um dia te vais?…
O tempo te leva ao tempo em que cais…
E se nunca olhaste um rosto de amor,
Nada daqui levas, somente a dor,
Daquilo que foi…e que hoje não é…
Mas se amaste, e deste, tudo o que eras tu,
Se deste de ti, vestiste o nu,
A vida que deste e imortalizaste,
Esbatida é nos anos, renovado o Amor.
E assim vale a pena, cada novo ano,
Solidário o passo, humano o caminho.
E será sempre nesse suave e doce encanto,
Daquele que tudo dá e com todos reparte,
Que a vida se torna significante…
Que o tempo deixa de existir…
Que o Universo explode de novo e tudo renasce…
Só essa vida importa…
Aquela em que tudo dás, e tudo recebes.
Assim sim, vale a pena gritar bem alto…
Vale a pena dançar à chuva e abraçar o Sol,
Sorrir ao vento e olhar o mundo,
Nesse eterno amor que nos reúne…
No Sempre, no Agora, onde o Tempo já nada é…
Onde o Tempo já nada pode…
Onde todo o olhar se faz para além dos cinco sentidos,
Num abraço de Luz, Som e Cor, que nos torna eternos…
Só assim vale a pena gritar bem alto: Bom Ano Novo!

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