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O título anunciado que acabou confirmado por terceiros.

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E a 33ª jornada da principal Liga de futebol do nosso país, o Benfica conquista o 34º título. O Bicampeonato foi conseguido após um empate em Guimarães, que até podia ter relançado o campeonato, caso Tiago Caeiro, ponta de lança do Belenenses, não tivesse lançado o Belenenses na corrida pela Europa e oferecido de bandeja o título ao Benfica.  E assim se voltou a fazer história, há 30 que o Benfica não se sagrava Bicampeão, tendo o último feito idêntico sido celebrado por Sven Goran Eriksson.

Este campeonato não teve grande história. O Benfica acaba por ser um justo campeão – mesmo apesar de todos os erros de arbitragem e polémicas exteriores -, porque foi mais consistente, praticou um melhor futebol e foi absolutamente esmagador em casa, fazendo da sua prestação caseira o grande tónico para a época de excelência. Jorge Jesus apresentou um futebol muito mais atractivo e demolidor a nível interno, do que o fez a nível externo, tendo uma prestação ultrajante na Liga dos Campeões. Esse prematuro afastamento da Liga milionária permitiu ao Benfica reunir esforços e focar-se nas provas internas, tendo o enfoque recaído todo, claro está, no campeonato. Campeonato esse que ficou – indubitavelmente – decidido no desaire portista na Madeira, no reduto do Nacional, isto após uma derrota do Benfica. Algo imperdoável para os adeptos e castigador para as aspirações dos Dragões.

O certo é que quem olhasse para os plantéis das 18 equipas no inicio da temporada, nunca diria que o F.C.Porto não seria campeão, ou, pelo menos, que não apresentasse um nível exibicional tão fraco e incaracterístico. A culpa, antes de cair no principal culpado, terá de cair em Pinto da Costa que, em qualquer outro momento passado, nunca deixaria que isto acontecesse. Por isto subentenda-se um treinador com um currículo espetacular, que veio  ganhar balúrdios e que quando chegou à invicta, logo na época de afirmação, é incapaz de manter um estilo de jogo consistente, um onze base ou um discurso coerente e salvo de arrogância. Lopetegui, ou o “basco” como é conhecido do lado dos benfiquistas, teve ao seu dispor um dos maiores orçamentos já vistos no futebol português, aliado a um enorme investimento feito na compra de jogadores, que teve como corolário uma época medíocre, sem nenhum título conquistado, sem apresentar boas exibições, nunca assumindo as culpas, nunca chamando a si as responsabilidades e ainda focando todo o seu discurso em ataques pessoais ou em críticas à arbitragem. Algo que não previa, algo que não era – certamente – o que Pinto da Costa procurava e algo que os adeptos repudiaram e desejam ver longe do seu clube. Foi isto que Lopetegui trouxe ao futebol português: jogadores de tarimba internacional que se viram perdidos por serem orientados por um treinador sem qualidades e sem carácter. Esta foi a grande surpresa, a revelação da época. Não sendo o único factor decisor, deu um grande avanço a Jorge Jesus, que viu assim o seu caminho muito mais facilitado.

Porém, o demérito não é todo de “Lottopegui”, o timoneiro do Benfica merece grande parte dos créditos. Apesar de tudo, Jesus voltou a mostrar o excelente treinador que é e, quando muitos duvidavam da sua motivação, voltou a ganhar o campeonato, isto numa época que poderá ter sido a de despedida. Para recordar ficam as avassaladoras exibições em casa, a (re)descoberta de Jonas, a aposta bem sucedida na dupla goleadora, o carrossel ofensivo exibido e a coesão exibicional que manteve durante quase toda a época. Motivar a equipa após um desaire europeu tão grande não era fácil, mesmo assim Jorge Jesus conseguiu. Catapultou a equipa para os píncaros motivacionais e conseguiu à 33º jornada o título que já se adivinhava no 1º terço de campeonato. Teve a sua estrelinha nos momentos em que falhou, vendo o Porto a falhar da mesma forma, contudo, soube gerir o campeonato, soube manter a vantagem e soube fazer-se valer do seu discurso. Os méritos são muitos e são eles que lhe entregaram o 34º, algo pelo qual o Benfica e os benfiquistas tanto ansiavam. Nem a ameaça de puñetazo o fez recuar, está de parabéns.

Agora é tempo de balanços, é tempo de tomada de decisões, escolhas e pontos finais. Tudo isso terá de ser visto e revisto pelos dois rivais. A festa é hoje, mas amanhã já se prepara a próxima época. Sim, ninguém acredita que o Benfica se motive para a Taça da Liga. Jorge Jesus tem agora – novamente – uma oportunidade de ouro para sair e tentar a sua sorte lá fora, onde, se não for agora, dificilmente irá. Por sua vez, o treinador do Porto, Julen Lopetegui, deve continuar de dragão ao peito, mesmo sendo contestado e odiado por quase todos os adeptos. Veremos o que decide Pinto da Costa.

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