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Troquei o Pai Natal pela Mãe Natal

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Um dia, há algum tempo atrás, fui à casa do Pai Natal. Era um sonho que tinha desde criança, conhecer o Pai Natal ao vivo e a cores, barba branca farfalhuda e longa, a sua vestimenta branca e a barriga tão característica. Montado no seu trenó, guiado pelas suas fantásticas renas, ao som de Let It Snow por Michael Bublé, a chegar à sua linda casa feita de chocolate ( isso era noutra historia, mas também pode ser nesta), com cem anões ou gnomos, tanto faz, a construir todos os brinquedos que as crianças deste mundo desejaram, em cartas escritas minuciosamente ao Pai Natal. Estava feliz nesse dia, acalentava desde tenra idade este sonho, apesar de só o realizar já cota, estava tão ansiosa como uma criança.

Depois de uma longa viagem, onde a neve e o frio imperaram, finalmente cheguei à casa do Pai Natal, imaginem uma cena em câmara lenta, uma tipa feliz e emocionada a correr de braços abertos…porra, isto é a casa do Pai Natal? Uma casa velha com vidros partidos, em vez de uma porta tinha uma cortina, sacos do lixo à porta, grafites a dizer Futebol Clube do Porto no coração, roupa estendida nas cordas (apesar da neve, mas tenho de dramatizar a cena), cuecas de mulher, f…, então o Pai Natal é casado? De certeza que me enganei! Como não tinha porta improvisei à moda do Porto: Ó de casa, está aí alguém? Bato palmas, faz favor, meu senhor uh uh. Aparece um gajo barrigudo de cerveja na mão e vestido de ceroulas. Ui. Desculpe, podia me indicar a casa do pai Natal? É aqui mesmo dona. Eu sou o Pai Natal! O meu coração gelou como a Elsa do Frozen. O o o senhor…quer dizer…mas…pois…o senhor é que é o Pai Natal? Sim sou eu, vais demorar a entrar, está um grizo do c… aí fora e eu não tenho aquecimento em casa.

Olhei para a casa…olhei para o Pai Natal de cima a baixo e vi os meus sonhos de menina a desfazerem-se como um xanax esmagado na água. Se o Pai Natal não existia, o menino Jesus também não, os três Reis magos também não, um primeiro ministro capaz também não, oh meu Deus, e o homem perfeito também não! Sentia-me horrível, os meus pensamentos deprimentes foram dissuadidos pela voz do suposto Pai Natal. Não fiques assim, a imagem que vendem é aquela que tu vês, aponta para um quadro da coca-cola de 1931. Mas a realidade é esta: tenho 55 anos, sou novo para a reforma e velho para trabalhar, o meu subsidio de desemprego está a terminar o que significa que não vou ter dinheiro para tabaco, cerveja e droga. Eu respirei fundo e continuei a ouvi-lo: tive de vender os gnomos um a um para matar a fome. Foram para escravos sexuais de uns árabes milionários de uma terra bem longe daqui onde só vivem malucos. Mas ainda tenho as renas, e apontou para fora da janela…as renas estavam mortas, com a língua de fora e com os chifres tapados pela neve. Pai Natal as renas estão mortas! Não Sandra, elas só estão a dormir! Oh my god, este Pai Natal está marado, sabe o meu nome e tem renas defuntas no jardim, vou-me já pirar daqui, nem que vá a pé para Portugal.

Chegamos à sala e o Pai Natal apresentou-me a sua companheira: Sandra, esta é a Mãe Natal. Mãe Natal esta é a Sandra. Muito bonita, claramente mais nova que o Pai Natal, olhos escuros e cabelo claro, jeitosa e bem vestida apesar do ar de ressacada. Acho que foi atracção à primeira vista. A Mãe Natal está com uma depressão, sofre de frigidez sexual, então fuma umas ganzas para descontrair e não pensar muito. Sabes, esta escuridão diurna deprime qualquer um. Chegamos a esta terra maldita tão felizes, eu e ela, com a nossa empresa com cem funcionários e agora estamos na miséria. Agora até postam fotos de pais natais todos musculados e torneados, onde já se viu uma m… dessas? As mulheres preferiam os gordinhos há uns anos atrás. Nada é como antigamente, quando eu era venerado e adorado pelas crianças e respectivas mães. Foi o ultimo desabafo do Pai Natal…só me lembro da Mãe Natal me perguntar, enquanto enrolava um charro, se eu queria experimentar como presente de natal…de manhã acordei na cama de ambos, mas o Pai Natal estava estendido no chão da cozinha. O final da historia desconheço, porque entretanto chamaram pelo meu nome para ir comer o farrapo velho e eu acordei…

Bom Natal e Um Próspero Ano Novo são os meus votos para todos os leitores do Mais Opinião. Continuem connosco em 2016. Um bem haja a todos!

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