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Uma girafa de madeira roubou-me as meias – Joana Camacho

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O que fazer quando estamos a ser perseguidos por um preto (perdão: indivíduo de raça negra) que nos tenta convencer, incansavelmente, a comprar óculos de sol e girafas esculpidas em madeira? Ora, em primeiro lugar: com que propósito iria eu comprar uma girafa de madeira? Pergunto-me se haverá realmente alguém a comprar aquilo. É um assunto que me intriga. Qual será a finalidade de uma girafa esculpida em madeira nos arredores de Zimbabué? Se eu tivesse uma girafa de estimação, suponho que poderia servir-lhe de, sei lá, ornamento para a coleira ou, até, como peça de decoração de habitat. Mas aqui está o problema: é que eu não tenho girafas de estimação. O meu pai não deixa.

Aliás: o meu vizinho Alberto é o ser que mais se aproxima da definição de girafa, tendo em consideração o pescoço estupidamente grande que tem. Mas não me parece, de todo, adequado, oferecer-lhe uma girafa de madeira. O senhor poderia levar a mal. E, além do mais, ele nunca me ofereceu a mim uma joaninha esculpida em madeira (tendo em conta que me chamo Joana, parece-me uma falha tremenda da parte dele), porque é que eu haveria de lhe oferecer uma girafa? Caro amigo: a vida não está fácil para ninguém. Se quer uma girafa esculpida em madeira, então compre-a você!

Depois há aquele senhor que passa os dias a vender meias na rua abaixo da minha escola. Não há um único dia em que eu passe por ele e não o oiça a gritar: Meias! Meias! Olha as meias! Três pares por cinco euros! – isto na altura até me pareceu um bom negócio, devo confessar. Era uma profissão a que eu era capaz de me dedicar: à venda de meias. Acho que tinha futuro. Quais são os pais que não sonham ver os filhos como futuros vendedores e vendedoras de meias?

O meu interesse por esta profissão fez-me levar a cabo uma investigação aprofundada na área da compra e venda de meias. Descobri, assim, que o senhor das meias vende marcas chiquérrimas como a Adido, a Niko, a Pumi e a Reeboka. Quem nunca sonhou com umas meias da Niko? Bem que me estavam a fazer falta umas, já que as minhas desaparecem sempre misteriosamente durante a noite. Vou para a cama com elas? Sim. Quando acordo elas ainda estão lá? Negativo. Será que a atração gravítica da Terra faz com que as minhas meias desapareçam em regime noturno, para os arredores galácticos, e orbitem em redor do planeta?

Deixo-vos com essa reflexão. Agora permitam-me que vá comer uma lata de leite condensado às colheradas. Caso eu não regresse na semana que vem, é porque faleci devido à elevada concentração de açúcar na minha corrente sanguínea.

Caras pessoas que me leem: caso, por alguma razão, tencionem subornar a autora deste texto, permitam-me que vos deixe uma sugestão… chocolates. Montes e montes deles.

JoanaCamachoLogoCrónica de Joana Camacho
A parva lá de casa

1 Comment

1 Comment

  1. Marino Gaspar

    24/05/2013 at 10:04

    Eu quando trabalhava no restaurante tambem tinha uns tipos desses que entravam por ali a dentro (mesmo sem autorização) e empinjiam isso aos meus clientes mas os piores eram: “Os Qre Flor”… Eram homemzinhos pequeninos que lhes cresciam flores nas maos… com a a sua evolução ganharam umas joias brilhantes em formato de chucha, patinho, qualquer outra coisa… que vendiam por 5 euros ou mais… mais porque se nao tivesses uma nota de 5 eles ficavam com o troco… loool esta especie alimentava-se de gasosa barata (fornecida por nos) e de carimbos nuns vistos de residência (esse era o bem mais precioso, mas so se alimentavam do mesmo uma vez por ano)… A melhor e que quando viam um funcionario de restaurante sentado numa esplanada faziam chantagem, sentando-se ao nosso lado e da nossa miuda dizendo.. “toma flor e gratis pa tua miuda” e depois baixinho ou ate no dia a seguir diziam “deves-me 5 eros….” E uma especie lixada looool

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