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A Voz é Uma Mulher – Carla Vieira

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Eu não vejo a Casa dos Segredos, antes que me venham bater por causa do título. Não desejo mal a quem vê, porque é um programa como todos os outros e cada um sabe de si. Por esse motivo, se me vierem inventar que quem vê é inculto, peço-vos que se calem. Obrigada.

Falando abertamente, acho que há muita falta de moral e muita ganância da parte da TVI para continuarem com este programa. Sim, já vi uma ou duas Casas. Não é por isso que deixo de achar que o programa devia acabar e deviam deixar de rebaixar os participantes desta maneira. Confio que eles saibam no que se estão a meter… Até certo ponto.

A sério, vocês nunca quiseram saber, sei lá, que tipo de contrato os concorrentes têm de assinar? Será que lá diz que eles têm direito à sua dignidade e expressão e que são livres de recusar qualquer desafio que os diminua como pessoas ou os faça sentir mal? Sim? Não? O que eu sei ao certo é que a Voz tem uma maneira matreira de manipular os concorrentes, e nenhum deles é 100% livre de dizer “não faço isto”. Oh sim, há dinheiro à mistura para quem for obediente… Mas, será que apenas a possibilidade de ganhar dinheiro (que nunca é certo) deveria ser o suficiente para que alguém obedeça cegamente a uma voz sem corpo? Não, nem por isso.

Morais à parte, tenho uma teoria. Sim, a minha teoria é que a Voz, a maldita Voz, é a personificação de uma mulher. “Mas oh burra, a Voz é claramente masculina!” Sim filhos, eu sei perfeitamente o que a Voz é. “Mas então –“ Sim sim, deixem-me acabar.

Sabem, a Casa dos Segredos não revolve realmente à volta de dinheiro e fama. Parece que sim, mas acreditem que depois de estarem lá enfiados um mês, os concorrentes devem-se esquecer que estão a ser filmados, e que podem potencialmente ganhar assim um montão de dinheiro. Afinal de contas, eles não têm acesso a ele. Não o conseguem ver. Longe da vista, longe do coração, certo?

O que me leva ao meu próximo ponto. Muitos dos concorrentes vão para a Casa e deixam cá fora os seus parceiros com a promessa de que vão voltar e vai estar tudo na mesma e tal. Riam tudo, vamos lá.

Já se riram? Pronto.

Na verdade é admirável que tenham essa confiança nos seus próprios sentimentos, mas tal como eu disse, “longe da vista, longe do coração”… e infelizmente, não é só longe da vista mas sim um total desaparecimento das vidas um do outro por meses. Enquanto isso aparecem novas pessoas na Casa, homens e mulheres na mesma situação e que rapidamente sofrem de desmame de relação e – enquanto alguns hesitam em saltar para as calças uns dos outros – há pessoas que, já se sabe, têm morais diferentes das nossas. E é aí que a minha teoria se encaixa. Quem nunca notou nas várias missões que incluem tentar estragar uma relação de dentro da Casa? Ou missões atrevidas do tipo “atira-te àquele/a” e diz que disse? Pois pois. Lamento informar mas os homens não funcionam dessa maneira (abençoados eles, que não se metem em vidas alheias). Quem tem esses comportamentos são geralmente algumas mulheres, daquelas que se vêem em sitcoms e as vilãs das telenovelas. Vocês sabem exactamente o tipo de mulheres às quais me estou a referir.

Claro que podem argumentar comigo que ninguém obriga ninguém a fazer nada. Certamente que não, concordo perfeitamente. Mas não podem argumentar que a tal Voz é uma influência demasiado poderosa na vida in-Casa dos concorrentes, e que eles se sentem obrigados a fazer as coisas que fazem porque se não o fizerem podem ser prejudicados ou expulsos. De outra perspectiva podemos notar como uma influência modifica assim tanto algumas pessoas, e conjugando isso com socialização estática, é fantástico como uma Casa de aparentes colegas de quarto se torna rapidamente numa autêntica manifestação de degredos e morais quebradas.

Mas que se há-de fazer? Será que somos todos assim? Será que as pessoas insanas que nos entretêm costumavam ser mentalmente sanas e foi a Casa que as pôs assim? Será que só pessoas um bocado doentes é que se sujeitam às regras deste programa? Será que nós é que somos parvos por continuamente julgarmos desconhecidos que estão constantemente a ser pressionados por pessoas que não conhecem e por uma voz sem corpo? Hm, tantas perguntas.

Eu lavo as mãos deste assunto porque por mim já chega e não tenho tempo ou paciência para me divertir à custa dos outros e julga-los sem os conhecer. A minha teoria continua segura, mas sinceramente, pouco interessa. Todo este assunto é algo triste.

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