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X Factor New Generation em “teste” na Austrália

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A versão australiana do formato milionário criado por Simon Cowell tem vindo a ser usado bastantes vezes para testar novas alterações ao formato. E, em 2016, chamaram-lhe “X Factor Next Generation”.

Qual é a principal alteração?

O programa iniciou-se com 3 jurados apenas. OK, até aqui tudo normal, pois o X Factor original (do Reino Unido) também começou por ser com 3 jurados (que também são mentores). Normalmente, nestas condições, as categorias seriam rapazes, raparigas e grupos. Mas não. Na versão 2016 do X Factor australiano serão menores de 25 anos (sendo que a idade mínima é 14 anos), maiores de 25 anos e grupos. Cai a distinção por género, fica apenas a por idade.

Mas há mais: criaram o underdog judge. Underdog é uma expressão anglo saxónica normalmente usada para apelidar uma pessoa ou um grupo cujas expectativas são que venha a perder. Se quisermos fazer uma comparação, podemos dizer que é parecido (mas não a mesma coisa) que a nossa expressão “lanterna vermelha”. E não é exactamente a mesma coisa porque o “lanterna vermelha” muitas vezes é o último da competição temporariamente ou inesperadamente, enquanto o underdog é aquele que toda a gente sempre perspectivou como condenado a falhar.
Feita a breve descrição, há que dizer que a série ainda só tem 3 episódios e a informação é escassa. E que está prometido para o próximo episódio (que vai para o ar amanhã) a revelação de quem é o underdog judge. Mas pelo que já se sabe pela comunicação social, este novo jurado vai fazer uma equipa para o programa tendo por base concorrentes que os outros 3 jurados disseram “não”. Isto é, concorrentes que normalmente já estariam fora da edição 2016 do talent show australiano podem ser repescados – se assim se pode dizer – por este jurado invulgar para a história do X Factor. E em que categoria irão concorrer? Nas já 3 existentes ou há uma categoria especial? Vão ser equiparados a concorrentes normais ou terão algumas características especiais? Isso ainda não se sabe. Talvez amanhã, no novo episódio, já se saiba mais.

Audiências

Muito se fala na comunicação social que o X Factor, que costumava bater todos os recordes de audiências na tv australiana (e não só) está a perder para a concorrência. Mas se isso é um facto (contra números não há argumentos), também é um facto que há uma queda de todos os talent shows (Got Talent, The Voice, etc). A comunicação social refere-se a isto como um sinal de que os australianos estão fartos deste tipo de formato televisivo. Daí que seja necessário “abanar” um pouco o formato, torná-lo diferente para criar no público (pelo menos) a curiosidade de ver o que mudou. Até ao momento, dizem os media australianos, não tem resultado, pois as audiências continuam muito baixas. Mas talvez a revelação do underdog judge ajude.

Mas pode, pelo contrário, prejudicar. Simon Cowell, o criador do formato, admitiu há algum tempo ter errado quando alterou – e muito – o formato nos EUA. E reconhece que o fez pois achava que as audiências estavam muito baixas. O que aconteceu foi que as audiências acabaram por nunca subir e o canal Fox cancelou o programa, depois de 3 anos no ar.

No Reino Unido também houve bastantes alterações – mas não tantas como anteriormente nos EUA – o que levou a critica a subir de tom, com os fãs do formato a acusar Cowell de estragar o programa. Um dos mais críticos foi Louis Walsh, manager de artistas e jurado do programa desde o seu inicio, que foi afastado na edição 2015, quando Cowell decidiu por no painel Cheryl (ex-Cole), Rita Ora e Nick Grimshaw. Grimshaw e Ora fizeram o que nós portugueses chamamos de “panelinha” e conseguiram afastar os concorrentes das outras categorias, inclusive os potenciais vencedores como as meninas filipinas 4th Impact (ex-4th Power). Em 2015 a produção afastou também o apresentador habitual desde a temporada 4 (2007) Dermot O’Leary para colocar o duo Olly Murs e Caroline Flack, dupla que tinha apresentado o spin-off Xtra Factor em 2011 e 2012. As alterações nas pessoas e nas regras mostraram-se infrutíferas.
E, consciente disso, Cowell trouxe de volta para a versão britânica em 2016 o apresentador Dermot O’Leary e de volta ao painel Louis Walsh, a manager Sharon Osbourne (que fez parte do painel deste a primeira temporada em 2004 até 2010 e depois em 2014) e ex-Pussycat Doll Nicole Scherzinger (que já tinha feito parte do painel na versão americana na sua primeira temporada em 2011 e depois da versão britânica em 2012 – que ganhou com James Arthur e o segundo, Jahméne Douglas, também era da sua categoria – e 2013). Muitas das regras voltaram também ao formato original, fazendo assim a vontade aos críticos da versão de 2015. Como diria Jorge Jesus, equivale a “colocar a carne toda no assador” para reverter a tendência das audiências. Resultará? Temos de esperar pelo evoluir da temporada cujos directos começam hoje. Mas, numa nota pessoal, só a mudança do apresentador já muda completamente a temporada. Dermot está a anos luz da concorrência em termos de profissionalismo e entretenimento.

Crónica de João Cerveira
Este autor escreve em português, logo não adoptou o novo (des)acordo ortográfico de 1990

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