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Ainda Podemos Reverter o Caos: Nasceu Uma Flor

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As notícias más que chegam a todo instante, leva-nos a pensarmos que o ser humano está mesmo caminhando para o precipício. Além das atrocidades cometidas pelos terroristas, devemos contabilizar ainda o crime que todos nós praticamos contra nossa mãe natureza, agravado pelo processo de industrialização que emite toneladas de gás carbônico (CO2), fazendo com que o planeta perda o controle de seu funcionamento, provocando os mais terríveis fenômenos. Lembremos também das vítimas da violência física, dos acidentes, das doenças graves e, principalmente, do preconceito.

Parece mesmo um cenário caótico, há quem diga: “é o fim.” Mas, o fato que me levou a essa escrita, faz-me pensar que o ser humano ainda não estar por completo perdido, há uma luz no fundo do túnel. Carlos Drummond de Andrade, no poema A flor e a Náusea, aquele que foi utilizado na abertura das Olimpíadas no Brasil, já falava sobre isso. A flor que nascia no meio do asfalto, precisava ser contemplada, ser cuidada, pois, mesmo sendo feia, era uma flor. As boas atitudes e os bons gestos precisam ser propagados para contagiar o máximo de corações, em um mundo onde O ódio está dizimando o que existe de melhor dentro de nós.

No meio desse caos, uma atitude me chamou a atenção. Era uma segunda- feira, 19 de dezembro de 2016, ainda pela manhã, mas já muito quente, era verão. Rodava pela BR 101, extremo norte da Bahia, próximo à divisa com Sergipe, quando parei o carro em um posto de combustível, ia apenas abastecer. O movimento estava normal, típico de uma rodovia como aquela, em plena segunda-feira, as pessoas apressadas, buzinas acionadas constantemente, frentistas trabalhando freneticamente alimentando os carros. Como tinha dois automóveis a minha frente, parei o percebi dois jovens tomando café.

Estavam devidamente uniformizados, fazendo a propagando da empresa que fornece o pão que eles levam para casa diariamente, imaginei. Também já tinha percebido alguns motoristas que iam até o bebedouro repor suas garrafinhas de água, pois comprar esse líquido nas rodovias do Brasil é muito caro. Uma das torneiras do bebedouro aparentava problemas, ela não parava de pingar, mas eu não tive a bondade nem de pensar em sair do carro e tentar fechar a torneira e evitar o desperdício. Provavelmente, eu estivesse do lado daqueles que apenas reclama dos problemas, mas não busca solucioná-las.

Mas, há sempre um Chapolin Colorado para nos ajudar. Um dos jovens que estavam tomando seu apressado cafezinho, esquecendo a pressa por alguns segundos, levantou-se, sem nada dizer ao companheiro, foi até o bebedouro e fechou a torneira que parou de gotejar. Retornou à mesa, finalizou o café, foi ao caixa e pagou devidamente a despesa, a dele e a do parceiro. Naquele momento, chegou minha vez de ser atendido, abasteci e fui embora, renovado, outra pessoa, nunca mais seria o mesmo.

A partir daquela cena que presenciei, decidi que iria tentar ser uma pessoa melhor, mais humilde, mais bondosa. Aquele jovem me ensinou, através de sua atitude, que se todos nós fizermos o que nos cabe, teremos um mundo melhor. Uma flor pode nascer mesmo no calor de um asfalto, pode ser feia, mas será uma flor e precisamos contemplar e cuidá-la. Uma boa ação, mesmo no caos de um posto de combustíveis, à margem de uma rodovia Federal, é uma ação gloriosa, precisa ser contemplada e propagada. Nós podemos construir um mundo melhor, a luz ainda está acesa, mesmo que seja bem no fundo, ainda é uma luz.

Crónica enviada pelo leitor: Manoel Matos

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