Últimas Crónicas

Amor de mãe

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O único amor que conheço de verdade é o amor de uma mãe por um filho. Todos os restantes tipos de amor, se é que podemos chamar assim, não existem na realidade. Desejo, paixão, compaixão, amizade, afinidade, atracção, tesão…são sentimentos efémeros mas reais, o amor não. O amor entre duas pessoas não existe, existe sim, uma serie de condições (ou falta delas ) que origina o potencial relacionamento entre duas pessoas.

Não sei o que seria de mim se eu sentisse por alguém o que sinto como mãe, é um sentimento tão gigantesco, tão poderoso e ao mesmo tempo tão sufocante, que às vezes fico com a sensação que estou louca. Seria uma relação miserável se eu amasse alguém da mesma forma e na mesma intensidade com que amo os meus filhos, por isso a minha opinião sobre a existência do amor.

Eu sei o que se passa dentro de um coração de uma criança que não é abraçada nem amada, eu sei o que se passa dentro de um coração de uma criança cujos pais não fazem da sua felicidade a principal prioridade, eu sei o que se passa dentro de um coração de uma criança a quem ninguém enxagua as lágrimas enquanto ouve uma canção de embalar : tu és a melhor coisa que me aconteceu la la la, tu és, tu és…tornamos-nos adultos sem medo, já nada nem ninguém nos pode magoar, afinal, se nem a nossa mãe e o nosso pai foram capazes de nos amar, é porque temos algo de errado.

Daí a importância de estar presente, do abraço, do amo-te, das canções de embalar, das cocegas, dos bilhetes a desejar boa sorte, dos raspanetes, de revirar os olhos, das gargalhadas pelas coisas mais parvas que eles dizem, dos sorrisos cúmplices pela ultima asneira que fizeram, do beijo de boa noite…de saberem que depois de um dia mau na escola, terão o colinho da mãe à espera, de sentirem que o abraço da mãe é o seu porto mais que seguro, de saberem que não importa as escolhas que façam ao longo da vida, o caminho que decidam percorrer, a mãe estará sempre aqui! “Eu estarei sempre aqui”…

Sabem o que é mais irónico? Nem sequer estava nos meus planos de vida ser mãe, talvez pela incerteza cruel se conseguiria cumprir tal tarefa, a tarefa de uma vida, é tão difícil ser mãe, tão mas tão difícil, a mãe é tão pouco valorizada pela sociedade, pelas pessoas, pelas pessoas à nossa volta, mas mesmo assim, com todas as loucuras que me passam diariamente pela cabeça, sem tempo para o meu tempo, depois de todas as lágrimas que chorei e das lágrimas que ainda irei chorar, os meus filhos foram a melhor coisa que me aconteceu na vida!

“Mãe, porque é que és tão bonita?”

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