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As características de um taxista português

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Desde sempre que utilizo os táxis, sou uma cliente que necessita dos serviços de um taxista com alguma frequência. Nunca utilizei a Uber, na realidade nunca tinha ouvido falar desta empresa até que, os próprios taxistas, no meio de toda esta palhaçada, deram gratuitamente e de forma positiva, publicidade à Uber.  A Uber está presente em portugal desde 2014…estamos em finais de 2016, surpreendido leitor? Eu também. Não foi só em Portugal que a entrada da Uber originou toda esta consternação ( peixeirada ao mais alto nível, proporcionada pelo sexo masculino, o que ainda dá mais gozo de ver ), no Brasil, Estados Unidos, Alemanha, Espanha, Holanda, entre outros, a Uber tem passado por diversas dificuldades com a sua implementação.

Ora, eu não estou aqui para dramatizar a situação, ditar os prós e contras de um serviço “old school” versus um serviço aliado à tecnologia, porque isso já todos escreveram, leram e comentaram. Eu vou apenas enumerar, com todo o meu sarcasmo e humor diabólico, as características intrínsecas de um taxista, correndo o risco de levar com merda na cabeça no dia a seguir à publicação desta crónica, ou não fosse eu vizinha de uma praça de táxis, seguramente, uma das mais famosas de Portugal e não pelos melhores motivos…et voilà:

CARACTERÍSTICAS DE UM TAXISTA PORTUGUÊS:

  1. Bigode farfalhudo – o bigode está para um taxista, como o fato está para um motorista da UberBLACK, é a sua imagem de marca. Alias, quando vemos um gajo na rua com bigode, pensamos logo: este é taxista!
  2. Barriga à taxista – um taxista sem barriga não é taxista.
  3. Mal amanhado – apesar de um taxista saber que se vai apresentar diariamente a vários clientes, o figurino é o que menos importa, desde que a Micolina tenha dado a ferro, está pronto para vestir…a semana toda.
  4. Cigarrinho a potes – sou uma cliente, chego ao pé do táxi, pergunto se posso entrar, o taxista que está fora do veiculo, em amena cavaqueira com os colegas, a fumar o seu cigarrinho, dá mais um passa, deita a beata para o chão e siga com o cliente. É na arte de puxar mais uma passa e deitar a beata para o chão, após dizer à cliente: Faça favor, menina!, que está a beleza da coisa.
  5. Ambientador – taxista não é taxista se não tiver um ambientador pendurado no espelho do popó.
  6. Emblema do F.C.P ou do S.L.B –  imprescindível dar a conhecer ao cliente o nosso clube de eleição.
  7. Um terço ou uma imagem de nossa Senhora.
  8. Foto dos filhos e dos netos.
  9. Dar a volta ao bilhar grande – os taxistas tem a capacidade, por vezes, de nos confundirem com turistas (deve ser do meu sotaque britânico ), uma corrida que deveria rondar os oito euros, fica por treze euros porque, o Sr. taxista resolveu dar-nos a conhecer a cidade de uma ponta à outra.
  10. Não tem troco – taxista que se preze raramente tem troco, o objectivo é claro: ouvir o cliente proferir a frase favorita: deixe ficar assim.
  11. Dar duas de letra – por ultimo, a característica mais predominante no taxista, frases como: “os políticos são todos uns ladrões” e perguntas como: “de que clube és meus rapaz?”, já fazem parte da rotina da condução. Ter a conversa da treta é essencial.

O mercado é livre, os clientes são livres de fazer as suas escolhas, a concorrência existe em todas as áreas, apesar da evolução contínua, ainda existe clientes para todos – a velhota que precisa de ir a uma consulta ao hospital chama um táxi, o jovem turista que está de ferias em Portugal, utiliza a aplicação Uber. Não quero de todo transmitir negativismo em relação aos taxistas, para desmistificar isso, vou contar uma pequena historia…há cerca de três anos atrás precisei de um táxi para me deslocar de Vila Nova de Gaia ao centro do Porto. Em poucos minutos após a chamada, aparece um popó todo lavadinho e a brilhar ( até cheirava a flores, carago ), um mercedes preto e novinho em folha. O motorista sai do veiculo – menos de trinta anos, moreno, barba bem feita, jeitoso q.b, vestido de fato e gravata ( sim, examinei tudo isto em milésimas de segundo, sim, as mulheres têm esta qualidade ímpar ), cumprimentou e abriu a porta do táxi para eu entrar. Eu entrei e pensei: ok…concentra-te chavala, sim é um taxista como nunca viste, é um grey taxista, não comeces já a imaginar cenas…estacionar num pinhal próximo, tirar a gravata, banco de trás…não, na realidade eu só pensei: f…, a viagem vai ficar mais cara com todo este tratamento! No final, no acto do pagamento, o motorista sorriu e entregou-me um cartão de visita com o seu contacto, firma e pessoal, e disse com ar tremendamente charmoso: tem aqui o meu numero se precisar de alguma coisa. Eu sorri e agradeci…nunca mais o vi, quanto ao cartão que ele me deu…não sejam curiosos leitores.

Nota importante: a imagem que se apresenta nesta crónica, não corresponde à realidade dos motoristas em geral, sendo que, é apenas uma fantasia da cronista. As mais sinceras desculpas por qualquer transtorno causado a alguma das nossas leitoras. Obrigada.

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