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A Day in my Life

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Onze e meia da manhã.

Acordo para desligar o despertador e o que é que eu ouço?

Um cão a ladrar incessantemente, sempre no mesmo tom. Por acaso não estou acordada o suficiente para não conseguir voltar a dormir.

But first things first.

Eu vivo em Campolide, não na Nova Campolide, mas numa transversal da Rua de Campolide. Se conhecerem esta zona, perceberão que o contraste de uma rua para a outra é enorme.

Eu vivo num bairro e no início adorei, vizinhos óptimos, bem-educados, silenciosos.

No início morava no segundo andar. A única coisa que se pode dizer que me incomodava era a vizinha de cima que às sextas tocava jambé.

Esse era o único problema.

Eu e a minha mãe há quatro anos mudamo-nos para o rés-do-chão que tem um terraço grande onde o meu gato mais atrevido pode brincar, nós podemos fazer churrascos durante o verão. Um sonho, não é?

Lies

Bem, maior parte dos vizinhos que viviam cá há quatro anos foram embora, foram substituídos por pessoas mais novas.

Tudo bem?

Não… Não está tudo bem.

O meu vizinho do lado tem um cão que só sabe ladrar quando está sozinho (e isto pode acontecer durante um dia inteiro). O puto é simpático, é novo, muito querido, e o cão também!

Atenção que eu sou uma pessoa que não vai muito à bola com cães, eu só gosto deste e do meu que está em Sintra e esse eu conheço-o desde os meus nove anos. De resto tenho medo deles e não suporto os seus latidos.

A vizinha do primeiro andar adorava-me, uma miúda de 21 anos que é mãe (senão me engano? há dois anos) cujo filho ainda não sabe falar, mesmo, nada, ele faz sons e birras, ele passa o dia todo a chorar e os pais dele o dia todo a berrar.

Aliás por vezes acho que eles estão meramente a conversar, mas aos berros. Eles dizem palavrões que, em dois anos a viver no Porto, eu nunca tinha ouvido alguém dizer.Não me admiro que a primeira palavra do miúdo seja uma asneirola bastante brejeira.

A minha vizinha deixou até de me cumprimentar quando lhe disse que ela estava a invadir a minha privacidade quando bateu à janela do quarto da minha mãe à meia noite a perguntar se queria bolo (what?!), depois gozou comigo por pensar que estava assustada, foi quando lhe disse “Estás a invadir a minha privacidade”. Fez queixinhas ao marido, que é bem educado e cumprimenta-me a fala comigo, mas ela nem olha para mim e não gosta nada que ele fale comigo ou com a minha mãe.

A cereja no topo do bolo foi quando a minha mãe, na segunda feira passada saiu de casa de manhã e encontrou (peço desculpa a expressão) alto cagalhão de cão no meio do nosso terraço. Teve que ser ela a apanhar aquilo e foi deixado um papel na entrada do prédio a pedir aos donos de cães, que quando estes deixassem presentes no nosso terraço que os apanhassem.

Agora falando da rua em que vivo.

Viver num rés-do-chão é lixado, é mais barulhento. Temos duas oficinas em frente ao nosso prédio e um stand.

O barulho agrava-se.

MAS, brace yourselves!, o melhor de isto tudo é mesmo a igreja evangelica que temos mesmo por baixo de nós.

A minha mãe é quem sofre mais, pois a campainha da porta deles é “Pastô, abri à porta para mim!” e “Simôni, ‘cê ‘tá aí?”, claro, tudo isto aos berros.

A particularidade desta igreja é que também serve de apartamento, por assim dizer, e sinceramente, acho que eles acabaram com as missas e se dedicam ao exorcismo.

O cão do qual vos falava no início deste texto, precisa realmente de um exorcismo.

Depois há as testemunhas de jeová que me têm vindo chatear todas as sextas nas últimas três semanas. Elas querem converter-me, a única coisa que estão a conseguir fazer é converter-me de agnóstica a ateia.

São 14h55m, o cão do vizinho do lado que, by the way, partilha a parede comigo está a ladrar. O cão do prédio ao lado está a ladrar.

E eu? Eu estou com uma bruta de uma dor de cabeça e a galopar para uma bruta de uma otite, mas estou a galopar com mais velocidade para um segundo “Summer of Sam” ou quase a fazer como Zarathustra e ir viver para uma caverna na montanha, mas não ser tão idiota como ele e voltar a descer para o meio da sociedade.

De qualquer das maneiras, aposto mais num “Summer of Sam”.

Para terminar, eu tenho insónias, durmo mal e pouco.

Sou uma abençoada por viver no meio deste barulho!

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