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A educação das crianças está pela hora da morte…

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É certo e sabido que educar uma criança nunca é — e nunca será! — uma tarefa simples. Porque nunca se sabe se o que se está a dizer a um petiz, em várias situações, poderá vir a ter as consequências mais benéficas para a sua educação. A mente das crianças é muito fértil e, habitualmente, nunca o é para assimilar ideias positivas. É mais fácil assimilar ideias negativas do que as positivas. Para uma criança, isso é que tem o interesse necessário para ficar registado nas suas mentes. Posto isto, vou tomar a liberdade de partilhar uma série de situações que assisti recentemente num café perto da minha casa.

Estava eu pacatamente a beber o meu cafezinho na esplanada do café, quando chega uma mãe com a sua respectiva cria. Cria essa que não deveria ter mais de 4 anos. A mãe senta-se numa das mesas da esplanada a degustar o seu café enquanto a menina fica a brincar com uma espécie de brinquedo que atirava pequenas bolas pelos ares. Até aqui tudo bem. Nada de anormal. Até que…

Até que uma das bolas do brinquedo da menina vai parar perto de um senhor que estava na esplanada igualmente a beber o seu café e a ler o jornal. Ao aperceber-se de que a bola era da menina, o senhor apanhou a bola e esperou que a criança a fosse buscar. E assim que ela chegou ao pé dele, ele arremata o seguinte: “Menina, olha, tu tens de ter cuidado com as bolinhas. Sabes, é que elas vão para o chão. E o que é que se encontra no chão? Bactérias e micróbios. E sabes o que acontece se as bactérias e micróbios te apanham? Elas podem matar-te! Podes morrer! Não queres morrer, pois não?!”

A miúda ficou um pouco estática a olhar para o homem, mas depois de ele lhe dar a bola ela voltou à brincadeira. Mais tarde, passa pela esplanada uma senhora a passear o seu cão. Claro que isso despertou a curiosidade da menina, que larga o seu brinquedo das bolinhas e vai a correr para junto do cão para fazer uma festinha ao bichano. Perante esta situação, a dona do cão diz as seguintes palavras à menina: “Olha, não faças isso. Não mexas no cão. Ele não morde, mas perde muito pêlo. Se fazes uma festinha a ele, podes ficar com pêlos nas mãos e depois levas as mãos à boca e acabas por os engolir. E isso é mau, porque podes morrer. Não queres morrer, pois não?”

A miúda assentiu, e voltou a correr para ao pé da mãe. A dada altura, o sol começou a ficar mais forte e a mãe da menina começa a ralhar com ela: “Sai do sol! Sai do sol, Raquel! Tu não vês que o sol faz mal? Sai daí! Não sejas teimosa! Tu queres morrer? Não queres morrer, pois não? Então sai já do sol!”

E a pequenita lá saiu do sol. Sentou-se ao lado da mãe na esplanada, e continuou a brincar com o seu brinquedo das bolas. Como seria espectável, umas da bolas voltou a sair disparada do brinquedo e, dessa vez, foi parar ao outro lado da estrada. A miúda sai disparada a correr mas estagna perto da estrada por um homem que ia a passar e que, apercebendo-se da cena, achou por bem intervir: “Menina, cuidado com a estrada! Sabes o que é que anda na estrada? Carros. Sabes o que pode acontecer se passares a estrada a correr sem te certificares se vem algum carro? Podes ser atropelada. E sabes o que significa ser atropelada? Ires para o hospital. E sabes o que pode acontecer no hospital? Morreres. Não queres morrer, pois não?”

A menina abanou a cabeça e esperou que o homem fosse buscar a bola por ela. Voltou para ao pé da mãe, que estrava distraída a olhar para o telemóvel e que, a dada altura, exclama: “Eish! As horas que são! Anda Raquel, vamos embora antes que o teu pai me mate!”

A menina, perante aquelas palavras da mãe, diz a coisa que eu menos esperava naquele momento: “Ok, mamã. Vamos lá, antes que o papá te mate. E tu não queres morrer, pois não?”

Perante todas estas cenas resta-me dizer que, infelizmente, consigo entender a elevada taxa de suicídio que existe na adolescência a nível mundial. Pois perante este tipo de situações, está para nascer a primeira criança que não se torne fascinada pela “morte”…

 

Isto é que é uma Vida de Cão, hein…

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