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Ele, Ela e a Sininho – Conto

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Francisco estava deitado de costas, mãos cruzadas sobre o peito e olhar pensativo direcionado ao tecto.

Grávida. A sua Joana estava grávida.

Observou-a a seu lado, virada de costas para si, de silhueta realçada pelo luar que irrompia na janela. Os ramos da bela japoneira tatuada nas suas costas eram bem visíveis tocados pela luz natural. Francisco esteve tentado a traçar todos aqueles ramos com os seus dedos, na sua pele deleitável e desnudada mas, em vez disso, voltou-se para ela e encaixou o seu corpo no dela, colocando a máscula mão sobre a sua ainda pequena barriga. Ele sabia que ainda era muito cedo para sentir aquele pequeno raio de vida, mas tentou imaginar a sensação enquanto descansava a maçã do rosto no seu perfumado cabelo encaracolado.

Joana murmurou entre o seu sono e agitou-se no seu abraço.

“O que estás a fazer, Francisco?” Perguntou de voz arrastada, seguida por um bocejo. As suas mãos entrelaçaram-se e Francisco sentiu um sorriso na sua voz quando falou novamente. “Estás a ver como está a Sininho?”

“Sininho?” Perguntou, soltando uma gargalhada.

Ela sorriu, enquanto se virava completamente nos seus braços para o fitar. Ah, aquele sorriso ao qual ele nunca resistia. “Sim, claro. Ela é do tamanho de uma pequena fada agora.” Disse-lhe num brando tom, enquanto enlaçava a perna nas suas e com um sorriso maroto. “Qual seria a criança que não adoraria esse nome?”

Ele não podia deixar de sorrir, enquanto tentava controlar os selvagens caracóis do seu cabelo, demorando os dedos na sua nuca. “Não a vamos chamar de Sininho, Ju.” Ele fez uma pausa, fazendo aquela expressão de ironia que tão bem ela conhece. “Aliás, não sabes sequer que é uma ela.”

“É uma menina.” Disse ela com certeza, baixando o olhar enquanto acariciava a sua barriga. Os seus olhos brilhavam como safiras quanto ela levantou o olhar novamente e o encarou. “Ela vai ter os teus olhos.”

Ele engoliu o nó que se formou na garganta e puxou-a para um beijo apaixonado, sorrindo quando ela reclamou e rolou-o de costas, pele contra pele, ela sentada sobre a sua cintura.

“Então que nome gostarias de lhe dar?” Joana perguntou.

Ele não lhe respondeu. Inclinou-se o suficiente para capturar os seus lábios noutro beijo apaixonado, envolvendo-a num abraço e puxando-a para si. “Eu amo-te, Francisco.” Disse com a cabeça pousada no seu peito e sentiu o seu coração a disparar.

A vulnerabilidade na sua expressão tocou o coração de Joana que, de dedos suaves, traçou as leves rugas no seu rosto barbeado. “Tu sabes o quanto te amo, Joana.” Disse ele, de voz frágil e entrelaçando os seus dedos nos dela. “A ti e à Sininho.”

Fim.

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