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O Portas deixou um panfleto no presépio – Joana Camacho

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Podem parar com esses trocadilhos que envolvem portas? Sim, já todos percebemos que se divertiram imenso a estabelecer uma analogia entre o sobrenome do político Paulo e o objeto: porta. (Um artefacto que nos possibilita o acesso às mais diversas divisões.) Agora podem parar com isso? Sim? Vá, lindos meninos. A próxima pessoa que disser que “o Portas bateu com a porta”, passará a ser olhada como o judeu na minha cadeia alimentar. Isto assumindo que sou nazi e possuo um bigode ridiculamente estúpido. Estúpido mas – calma! – que mete respeitinho, sim?

E, já que estamos em ambiente político, podem parar com essa coisa do presépio? Ai, que lindo, o Gaspar saiu. (Ui, o Rei Mago Gaspar.) A Maria entrou. (Ai, a Virgem Santíssima de nome Maria.) Muito bonito. Sim, sim, sim. Mas parem com isso. A sério. É parvo. A vossa catequista estará, com certeza, muito orgulhosa por saber que ainda se lembram das aulinhas da catequese. Os vossos pecados foram perdoados. Estão livres de ir à missa durante as próximas quatro semanas. Blá blá blá. Estou muito feliz por vocês. Mas agora parem. A sério – acabou. Dou uma paulada nas rótulas da próxima pessoa que fizer analogias entre os Ministros das Finanças e as figuras do presépio. E, acreditem em mim quando vos digo: uma paulada nas rótulas aleija. Tá?

Agora que já resolvemos as coisas, preciso de opiniões. Hoje de manhã apareceu-me um panfleto no carro que dizia: “Perca peso: saiba como!” E a questão que vos coloco é: não é um bocado indelicado estarem agora a chamar-me de gorda? É pá, isto mexe com a autoestima das pessoas. E depois surge a questão. Como é que eles sabem? Quem é que me anda a vigiar, para se achar no direito de tecer considerações sobre o meu estado físico? Aposto que são aqueles chatos do Centro de Saúde, que há anos que andam a tentar convencer-me a assinar um cartão qualquer, cuja assinatura traz um médico de cinquenta e poucos anos como brinde. Não me levem a mal, mas um Ovo Kinder sai bem mais barato e os brindes não vêm sem dentes e enrugados como aquele cão do anúncio do papel higiénico. (Sim, porque todos os médicos de família são razoavelmente desdentados e… as semelhanças ao cão do anúncio do papel higiénico são evidentes, convenhamos.)

Há dias apareceu-me no carro a publicidade da Revista Maria. E esta revista é, realmente, algo que me intriga. Porquê Maria? Porque não Joana? Revista Joana. Soa-me chique. Pensem lá nisso. E, jovens que colocam papéis aos molhes nos carros das pessoas: da próxima vez que me quiserem chamar de gorda, chamem com jeitinho. Também tenho sentimentos, pá. (Se o meu Centro de Saúde me estiver a ler, queria só deixar presente que continuo a não querer aderir ao vosso cartão. Vá, adeus.)

JoanaCamachoLogoCrónica de Joana Camacho
A parva lá de casa

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