Últimas Crónicas

Rita

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A um ritmo superior ao normal noutras ocasiões, sentia crescer de dentro para fora do peito uma ansiedade, à medida que se aproximava a hora de nos encontrarmos. Eu a ela, de olhar vivo e cabelo liso pelos ombros a dar-lhe um ar de estrela de cinema; ela a mim, de fato e gravata, que dependendo de ser azul dir-se-ia ter sido escolhida de propósito para combinar com a cor os seus olhos da cor do céu.

É sertaneja a minha namorada; chama-se Rita e é uma mulher de quem se gosta achando que carrega no interior um sertão inteiro por explorar. Tem um sorriso incandescente e, por força de ser impetuosa, ganhou o hábito de me abraçar com força, como se pretendesse impedir de transbordar a alegria que sente saltar no peito quando me vê. É generosa, veste com elegância e sinto correr-lhe nas veias, sangue cuja origem há-se vir a saber-se remonta diretamente coração.

Asseguro-vos tratar-se Rita de uma mulher de inegáveis recursos. É franca e não se contam pelos dedos de uma mão, as vezes em que, referindo-se a mim, disse tratar-me da pessoa que mais facilmente o tinha percebido.

À mesa do restaurante onde combinámos encontrar-nos, sentada esperando a minha chegada deve ter pedido uma cerveja. Beba-as comigo quando resolvemos ir a um bar e contamos no final os copos vazios, como se em função do seu número excessivo é que se justificasse termos ali passado tantas horas.

Ontem no quarto levantei-lhe a camisola felpuda e achei-a magra, mais magra do que se, em lugar de comer, começasse uma dessas dietas loucas, ainda com menos calorias do que motivos para alguém acreditar que ela pode realmente fazê-lo feliz.

Ao de leve, com o dedo rocei-lhe uma borbulha. Tinha outra mais abaixo, na região lombar, que eu adorava friccionar com creme, na tentativa de ela entender que não haveria só desvantagens em ter mais espalhadas pelo corpo.

Conhecemo-nos através das redes sociais e, em menos de quinze dias, passámos, por esta ordem, da condição de desconhecidos a amigos, amantes e depois namorados. Livres e descomprometidos, rapidamente passámos das palavras aos atos. Ato contínuo, entregámo-nos nos braços um do outro, sabendo que bastava, para nos reconfortarmos, ouvir o que pensava um a respeito do outro. Assentávamos um no outro como uma luva; tão bem como numa peça de fina seda, o corte de um vestido que se lhe ajuste perfeitamente ao corpo.

Mais tarde, quando nos encontrarmos, vamos certamente falar do que nos une, mais do que de pequenas coisas que pontualmente nos dividem. Talvez por chegar atrasado, a oiça queixar-se das minhas falhas constantes. De mim, vai escutar certamente um elogio; um elogio por continuar a estimular-me a imaginação, como das primeiras semanas em fizemos amor; a estimular-me tão intensamente que é na sua reação que me inspiro, de manhã na escolha da roupa pensando somente em agradar-lhe, não vá dar-se o feliz acaso de um destes dias nos encontrarmos.

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