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Sou a Mariana, tenho 27 anos e sou prostituta – Capítulo 1 – Sandra Castro

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Sou a Mariana, tenho 27 anos e sou prostituta.

Quando era miúda queria ser veterinária. Queria cuidar das pessoas e dos animais. Queria ter três filhos, uma casa grande com piscina e jardim. Um marido que cuidasse de mim. Seria feliz.

Concluí o décimo segundo ano e o meu primeiro e único emprego foi num supermercado. O meu ordenado era para pagar as contas em casa. Vivia com a minha mãe e com a minha irmã, dez anos mais nova do que eu.

Nunca tive um namorado, nunca me apaixonei. Perdi a virgindade com um idiota da escola no décimo ano e nunca mais tive sexo.

Actualmente não ambiciono nada. Tudo o que eu desejava em miúda não se realizou.

Há dois anos atrás, estava a marcar uns preços na secção dos lacticínios, quando fui gentilmente abordada por um cavalheiro. Alto, magro, olhos verdes e cabelo preto. Sorriu me e disse: tenho uma vida melhor para ti, se quiseres.

No momento não prestei atenção ao que ele disse, pensei que seria algum cliente que tivesse simpatizado comigo.

Passado uns dias, o tal cliente aborda-me à saída do trabalho. Fiquei um pouco tensa, porque não o conhecia, mas parei, olhei para ele e perguntei, atenciosamente, se podia ajuda-lo em alguma coisa.

Sou o Pedro e procuro acompanhantes, prostitutas. Pareces ter o perfil indicado e resolvi abordar-te.

Não estou interessada em ser prostituta! Obrigada!

Esgueiro-me e sigo em direcção a casa.

Ele vem atrás de mim, puxa-me a mão e pergunta:

Quanto ganhas por trabalhares aqui?

– Não tem nada a ver com isso! Desculpe, mas está a incomodar-me!

Ele riu-se.

– Ganhas 500 euros e uns trocos.

– Cavalheiro, vá-se foder!

Calma…aqui está o meu cartão com o meu contacto. Tu vais contactar-me, eu sei que vais. Os 500 euros que ganhas num mês podes ganha-los em duas horas numa noite. Agora imagina sete noites. Pensa nisso, boneca.

Fui para casa. Não dormi nessa noite nem na noite a seguir. 500 euros numa noite! Será possível? Não, não é possível! Rasguei o cartão à terceira noite sem dormir.

Lembro-me como se fosse hoje, estava uma manhã gelada de Dezembro. Tive uma discussão intensa com a minha mãe e desapareci porta fora, com a promessa de que não voltaria.

Enquanto caminhava na rua, fui aos bolsos do meu casaco e contei o único dinheiro que tinha, 45 euros e 31 cêntimos. Teria de ligar à minha amiga Carla para passar algumas noites em casa dela, até resolver o que fazer. Quando coloquei novamente o dinheiro no bolso, senti um pequeno papel, tirei-o do bolso e era um pedacinho do cartão que desfizera há duas semanas atrás. Foda-se! Ligo? Não ligo? Nenhum homem daria 50 euros para estar comigo , quanto mais 500 euros! E se corre mal? Eu não tenho experiência nenhuma! E se me tratam mal? E se me obrigam a alguma coisa? Não sei o que fazer!

Liguei para o numero indicado no cartão. Foi uma mulher que atendeu e disse-me, friamente, para me dirigir à Rua de Ceuta, a partir das 11 horas. Cheguei lá antes da hora, o edifício era velho, pareciam pequenos escritórios. Estava tão mal vestida e com uma cara de quem tinha ido a um velório, que seria impossível isto correr bem.

Quando entrei, estavam três mulheres sentadas num banco. Bonitas, vistosas, bem mais interessantes do que eu. Estariam ali pelo mesmo motivo do que eu? Era surreal pensar nisso!

Como te chamas? 

Eu…eu…sou a Mariana.

Olá Mariana, prazer em conhecer-te. Podes me acompanhar por favor?

Entramos numa sala e sentamos numas cadeiras de pele, perto de uma secretaria de vidro.

– Mariana, eu sou a Diana. Quero que me fales um pouco de ti.

Fiz uma apresentação básica, qual entrevista de emprego qual quê.

Ela olhou para mim de cima a baixo e disse-me:

– Aqui o trabalho é simples: Vais para uma casa, aonde moram varias acompanhantes, aonde terás o teu quarto e aonde receberás os teus futuros clientes. São clientes seleccionados, com muito dinheiro para gastar convosco. Fazes o jogo à tua maneira! Os preços podem ir desde os 50 euros por um trabalho normal, durante 15 minutos, até aos 2000 euros ou mais, em que o cliente passa a noite contigo e fazem o que ele quiser. Se fores profissional, simpática e carinhosa, terás clientes fixos que estarão dispostos a pagar o céu e a lua para passares o teu tempo com eles. Nós queremos 45% por cento do total que ganhes por cada trabalho que faças. Pagas o teu quarto, o resto das despesas é connosco. Gostas ficas, não gostas vens embora e a vida continua. O que achas da nossa proposta, Mariana?

Estou a tentar assimilar tudo, Dona Diana.

Não me chames Dona, sou apenas Diana. 

És jovem, bonita, precisas apenas de te arranjar. Porquê é que não tentas? Já viste a quantidade de dinheiro que podes ganhar em pouco tempo? Podes ter uma boa vida, realizar os teus sonhos sem dependeres de ninguém.

Eu aceitei.

A minha primeira noite como prostituta foi uma tortura. O meu primeiro cliente escolheu-me por ser a novidade da casa. Estava tão tensa, tão nervosa, não sei se queria estar ali ou ir embora. Era um homem nas casa dos 40 anos, alto, magro e sisudo.

Fomos para o meu quarto, de paredes castanhas e prateadas, cama longa e alta, espelhos em frente à cama, luzes fracas e um intenso cheiro a perfume.

Sentei-me na cama, tão nervosa que tremia, o cliente de nome João, sentou-se ao meu lado, olhou para mim e acariciou-me a face.

Não fiques nervosa. Eu vou ser carinhoso contigo.

Tentei esboçar um sorriso, mas foi em vão.

– Senhor João, o que gostaria que eu lhe fizesse? Quer que me dispa já, quer que eu lhe dispa?

Calma Mariana, relaxa, eu sou o João apenas. Vamos fazer apenas o que tu quiseres. Quero apenas saborear-te…

Continua…

~

Crónica de Sandra Castro
Ashram Portuense

6 Comments

6 Comments

  1. lucilia

    22/11/2013 at 9:24

    Este fim é pa deixar os leitores d agua na boca…..;)

  2. José Santos

    22/11/2013 at 12:31

    Excelente crónica… com muitos pormenores… por momentos deu para integrar a história, tal o conteúdo bem estruturado. Parabéns

    • Sukey

      23/02/2017 at 10:39

      it is okay for women to be depesesrd). The media is just a reflection of society, put into visual form. Eminem and Chris Brown have more issues than most females combined, but the only outlet that is acceptable for them is through violence and anger. Society would not except them to cry and write songs of how sad and depressed they are. What sells in the media? Sex, violence, and drugs. Sad but true. And who controls the media? Men! Who gets screwed in the end? Women!

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