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A arte de fazer má vizinhança

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Existem pessoas neste mundo que possuem o prazer de fazer jus à expressão “fazer má vizinhança”. Confesso que, muito provavelmente, eu próprio já o fiz, mas sem clara intenção de o fazer. Mas existem pessoas que optam por se esforçar ao máximo, tornando-se em perfeitas bestas quadradas. São pessoas que, ao invés do comum ser humano, aproveitam todos os momentos vagos na sua vida para elaborar planos para criar um mau ambiente com os vizinhos. São, como disse anteriormente, aquilo a que se pode denominar como perfeitas “bestas quadradas”.

Eu habito num prédio que está localizado numa praceta inserida num bairro muito calmo. Mas o facto de eu nomear a zona onde vivo como calma, não invalida a existência de seres que possuem um gosto especial em praticar a arte de fazer má vizinhança.

São vizinhos que, basta olhar para a cara deles, para constatar que retiram um prazer extremo em provocar os vizinhos. Sentem-se importantes, como se o facto de conseguirem moer a paciência aos vizinhos fosse uma espécie de catarse pessoal para todos os seus problemas. Existem inúmeras situações que, ao longo dos três anos que habito neste bairro, têm surgido, mas vou optar por apresentar apenas algumas, não vá o leitor acabar enjoado e preferir ir passar o seu tempo precioso a ler o programa eleitoral de Tino de Rans.

Começamos pelo simples acto da boa educação. Todos os dias nos vemos. Todos os dias nos cruzamos com as mesmas pessoas aqui no bairro. Dita a regra da boa educação que devemos, pelo menos, dizer um “bom dia!”, “boa tarde!” ou “boa noite!”, conforme a hora do dia em que isso acontece. Existem vizinhos que, de uma forma absurda, optam por simplesmente fugir para não terem de cumprimentar os seus vizinhos. Ou, então, simplesmente não responderem ao nosso cumprimento, fingindo que não ouviram. São pessoas que nos olham com um ar desconfiado, como se nós fossemos um meliante com um x-acto na mão prontos para os assaltar.

Depois, existem os vizinhos que pensam ser os donos do estacionamento do bairro. Primeiro, criticam tudo e todos por ocuparem o lugar preferido deles. “Este lugar é meu! Eu já cá morava antes de você vir para cá morar!”, é uma das inúmeras e ridículas formas de argumentação para ficarem com aquele lugar. Esses vizinhos são os mesmo que, numa zona onde cabem dois carros, eles fazem questão de a ocupar com apenas o seu carro, como se estivessem a conduzir uma espécie de camião TIR e, por essa mesma razão, não sobrasse espaço para mais ninguém que não o mini-camião deles. Para não referir que, esses mesmos vizinhos, não possuem cuidado nenhum ao abrir a porta do seu carro, não se importando de riscar o carro de um vizinho ao embater com a porta de uma forma violenta na viatura que está estacionada ao lado.

Por fim, vizinhos que possuem canídeos. Os energúmenos dos seus donos acham que o mais correcto é levar os canitos para as portas dos seus vizinhos para que façam as suas necessidades fisiológicas de uma forma pacata. Nada contra o facto de os cães irem fazer as suas necessidades na rua, mas há que apanhar os dejectos do chão ao invés de os deixar à porta dos vizinhos que, ao sair de casa com os seus filhos, acabam por pisar os dejectos porque, na sua azáfama matinal de despachar os filhos para os ir levar à escola antes de ir trabalhar, não se lembram que existem bestas que gostam de colocar os seus cães a defecar à porta dos vizinhos.

Mas, há que reconhecer o mérito a este tipo de vizinhos. Pois é de louvar a capacidade que possuem em criar atritos com os vizinhos, transformando-se em perfeitas bestas quadradas para depois, nas redes sociais ou entre o grupo de amigos, afirmarem que são as melhoras pessoas do mundo e que estão sempre prontos para a ajudar um vizinho quando assim for necessário.

E essa é uma das razões por que gosto de habitar neste bairro. Por aqui existe de tudo um pouco, a começar por bestas quadradas que, indubitavelmente, possuem um dom único e bastante louvável: serem umas bestas quadradas e peritos na “arte de fazer má vizinhança”…

Isto é que é uma Vida de Cão, ein…

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