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Adeus, FMI! – Nuno Araújo

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As recentes alterações na liderança da representação do FMI na missão a Portugal, que dizem respeito ao plano de assistência financeira, anunciam obviamente o “adeus” ao nosso país, por parte da instituição. A nomeação do irlandês John Berrigan para o cargo de chefe da missão da Troika em Portugal determina o fim da “Troika”, tal como a conhecemos, para assim esse triunvirato passar a ser exclusivamente composto por instituições europeias aquando das suas visitas ao nosso país.

Há aqui alguma conveniência nesta eminente saída do FMI enquanto “tutor económico” dos países europeus com assistência financeira internacional. O falhanço clamoroso do plano do FMI, assente em propostas pela austeridade sem limites, e corroborada pelo governo de Merkel, é o legado do FMI em Portugal, Grécia, Chipre, Irlanda, Itália e Espanha.

O FMI, sediado em Washington D.C., nos EUA, é composto por vários “stakeholders”, países que financiam a actividade do fundo. O problema é que vários países emergentes que contribuem monetariamente para esse fundo, como o Brasil, pretendem que a UE resolva problemas a que esses países são alheios. Curiosamente, a UE também poderá aproveitar a ocasião para “ensaiar” um estratégico afastamento político de uma América do Sul, Brasil incluído, onde vários tumultos sociais estão a dar lugar a um abrandamento “feroz” do crescimento económico, e em que os grandes eventos desportivos de 2014 e 2016 têm tudo para “não correr bem”, como é o exemplo do atraso quase “irrecuperável” na construção dos estádios e demais infraestruturas para o campeonato mundial de futebol do próximo ano.

Neste momento, os instrumentos legais criados pela Comissão Europeia e Parlamento Europeu são já plenamente suficientes para que o FMI se torne uma entidade cada vez mais distante das praias do sul da Europa. Mais: o caso da denúncia do PRISM, por parte de Edward Snowden, evidenciou que a UE deverá seguir “o seu próprio caminho” em matérias várias, e uma delas passará pelo solucionamento da crise da austeridade, que cria problemas desnecessários à reeleição de Angela Merkel na Alemanha, país com uma opinião pública “maioritariamente irritada” com a “espionagem” exercida pelos EUA, e que deseja que o “sul da Europa” resolva os problemas financeiros, mas sem austeridade, até porque desta forma não compram as exportações alemãs.

Meus amigos e minhas amigas, as missões do FMI em solo europeu chegaram ao fim, e a mensagem mais óbvia é a da nomeação de um irlandês como chefe de missão em Portugal. Se isso não for suficiente para convencer um descrente, diria ainda que a sugestão do FMI em que se perdoasse parte da dívida grega é como uma carta de demissão posta na mesa de Durão Barroso. A UE, maior financiadora dos “cofres” do FMI, agradece, porque conseguiu que o resgate aos países europeus fosse feito com o dinheiro de todos os países mais ricos do mundo, que se justifica por a crise global se ter iniciado nos EUA, e assim o FMI reconhece a sua “douta ignorância” neste plano baseado em austeridade. A austeridade falhou, acabou-se.

Museu das Civilizações da Europa e do Mediterrâneo

A inauguração do Museu das Civilizações da Europa e do Mediterrâneo, situado em Marselha, ocorreu no passado mês de Junho, por ocasião da capital europeia da cultura, que é precisamente essa cidade do sul de França. É, assim, de salutar a criação de um local onde muita da herança cultural europeia está concentrada e à vista de todos os que a queiram conhecer. A cultura mediterrânica é muito mais do que a soma de várias tendências ou nuances culturais, é o “melting point” e o resultado de milénios, arrisco-me a dizer, de trocas comerciais e de experiências, de falares, de saberes, de sabores e de histórias e estórias.

A cultura mediterrânica ganha assim um merecido destaque na área da cultura e da museologia europeias. O mediterrâneo, área banhada pelo mar Mediterrâneo, é neste momento local de grandes tumultos a sul, com os últimos episódios ocorridos desde a “Primavera Árabe” na Líbia, Tunísia e Egipto, sem esquecer o referendo registado em Marrocos; obviamente, a crise da dívida europeia e da austeridade que fustiga os países mediterrânicos da Europa, como Grécia, Chipre, Itália, Espanha, Portugal e França.

Deste modo, a cultura poderá e deverá ser instrumento de mudança na sociedade e nas mentalidades. Sempre foi, e sempre será, até porque quando um regime pretende ser totalitário ou autoritário, escolhe os agentes culturais e demais artistas como os primeiros “alvos” a serem “silenciados”, pois um povo que não pensa, é um povo que não critica. E isso “dá jeito” a déspotas.

Crónica de Nuno Araújo
Da Ocidental Praia Lusitana 

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