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Arejar os monos virtuais – Teresa Isabel Silva

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A grande maioria das pessoas aproveitou a chegada da primavera e da Páscoa, para fazerem as suas limpezas. Tiraram tapetes e cortinas, lavaram panos e trapos, e até o adereço mais odioso escondido lá no canto da sala, para que ninguém o visse, teve direito a arejar.

Pois bem, eu não gosto de fazer as coisas segundo o timing dos outros. As minhas limpezas são feitas depois de todos os monos já terem sido arejados. Esta semana tirei o meu tempo (que é total) para arrumar a minha vida virtual.

Lamentavelmente também tenho uns quantos tessourinhos no baú. Coisas que me pergunto porque raios ainda ali estão a apanhar mofo. Quer dizer, blogs sobre culinária? Sobre a minha série preferida? Sobre o liberalismo durante as lutas liberais?! Quer dizer eu fiz isso tudo numa fase da minha vida em que, querendo eu tudo organizado, fazia um blog para tudo… Agora ao fim de uns quantos anos, tenho tanto pó virtual que ele quase que ganhou dentes e conversa comigo.
Outra coisa que me encanta nestas limpezas virtuais são aquelas pastas que toda a gente tem no computador bem escondidas que dão pelos nomes de “para arrumar”, “ver e arrumar” ou então “coisas soltas”. Se estão a ler isso abram lá a vossa pasta homóloga destas e vejam a tralha que para lá está!!!

Obviamente que como e qualquer limpeza encontramos sempre algo com que nos entreter, fotos antigas, frases ditas por A ou B que em determinada altura até tiveram piada. Imagens que sacamos da Internet só porque tinha graça e outros afins…
Ainda no outro dia passei horas a ver fotografias de mil, novecentos e troca o passo, em que eu e as minhas bochechas éramos figura principal de várias fotos, em que eu (muito senhora de mim), pensava “esta vai ser uma foto para a vida”. E qual quê, também ela acabou no baú das fotografias juntamente com outras menos felizes ou com roupa mais ridícula.
Depois estas limpezas ainda conseguem fazer coisas muito mais maravilhosas para a nossa saúde. E não falo das dores de costas por estarmos horas a fio sentados, nem do mal que isso nos faz á visão. Falo no desenvolvimento que dá-mos aos nossos maxilares, porque quanto a vocês não sei, mas cá eu passo horas a falar e a rir sozinha. E todos nós sabemos que rir faz bem.

Além de higiénico e bom para a saúde, as limpezas virtuais são ainda capazes de nos pôr a fazer milagres. Descobrir aquela password antiguinha, ou aquele e-mail que deixamos de utilizar porque era algo do género “ninawinda” ou então “fufinhah16” é sem dúvida um trabalho para o santo padroeiro das palavras passe.
E as redes sociais?! Bem eu ainda nem cheguei a essa parte, mas estou a prever mais uma semana de trabalho árduo. Não só a eliminar contactos de quem não conheço mas que adicionei a pensar que conhecia, como a eliminar fotos, que fui atirando para lá ao longo dos anos, só porque queria partilhar com os meus amigos facebokianos o que andava a fazer por aqueles dias.

O lixo virtual feito por nós é bem pior que aquelas bolas de poeira que se vêem nos filmes de cowbois. Aliás o nosso lixo fica tanto tempo por cá que começa a espalhar-se tipo vírus, e depois já é tarde demais para o encontramos. Quer dizer, encontrar, encontramos, basta fazer uma pesquisa no google, mas elimina-lo?! Bem depois de ganhar pernas o lixo corre que se farta!

Crónica de Teresa Isabel Silva
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