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A Arte de Babar em Frente à TV

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  Quando sinto a cabeça muito cansada, tenho uma terapia que me faz mil maravilhas. Babar em frente à televisão. É isso mesmo, só eu, o sofá, as mantas, os cães e claro, a TV. A precisar desta terapia que tanto me apraz, estas últimas semanas vieram em boa hora. Para começar, passei a semana de Natal home alone com os meus patudos, dado que a minha cara-metade foi à terra visitar a família (coisas de emigra). Ora está claro que esta liberdade me permitia ver à vontade todas aquelas séries melosas que me fazem chorar baba e ranho. Posteriormente veio a semana do Ano Novo e depois (adoro Espanha) o Dia de Reis.

  Com tanto tempo livre, decidi começar a ver assiduamente uma série antiga, que via sempre que a apanhava na televisão, mas que nunca acompanhava afincadamente (digamos que na altura estava na fase da pré maturidade e queria era vadiagem). Falo da fantástica série E.R. Serviço de Urgência. Confesso que me assustei quando percebi que são 15 temporadas! “Catano!” – pensei -“tenho episódios para ver até meados de 2017!”

  Perseverante, já papei quase 4 temporadas completas mas a um custo elevado… trocar os horários todos… Acabava um episódio e pensava, “só mais um”… depois lá acontecia algo que me deixava de boca aberta e pronto lá estava eu “Opa, agora vou ter de ver o que acontece”. Claro que quando dava por mim estava o dia a nascer! Agora tenho de ver com moderação porque já não tenho a TV só para mim, se bem que quando a cara-metade faz uma sesta (sim, estamos altamente inseridos na cultura espanhola), lá começo eu a ver mais um episódio.

  Para além desta série, ando também numa fase de documentários. Eu sou por fases… Agora é documentários e séries de médicos, tipo ER, Chicago Med (que estreou há pouco tempo) e outra fabulosa e arrepiante chamada Code Black, também recém-estreada. Mas voltando aos documentários, comecei a ver na TV espanhola uma série da HBO, chamada Vice, na qual são apresentadas mini reportagens (duas por episódio). Só me ocorre uma palavra: BRUTAL! Um trabalho jornalístico excecional. Aprendi imenso e tomei consciência de inúmeras coisas que desconhecia por completo. Deixo aqui a lista de temáticas que foram abordadas. Destaco o episódio em que eles vão à Coreia do Norte… é surreal.

  Claro está que depois de ver as reportagens desta fantástica equipa fiquei com a neura porque realmente nos revelam o mundo cão em que habitamos… Mas continuando a saga dos documentários… eu que estou sempre em busca de coisas novas e adoro uma boa história criminal (aliás, adormeço todas as noites a ver o Discovery Max e as suas histórias de psicopatas ou homicídios ou casos de pessoas desaparecidas) dei de caras com uma série de dez episódios, um documentário que está a fazer furor pelo mundo fora, especialmente nos EUA, intitulada “Making a murderer”. Só me ocorre uma palavra… é uma palavra feia portanto não a vou pôr aqui.

  Mais uma vez, e desta vez acompanhada do meu mais-que-tudo, papámos non stop os dez episódios, não havia hipótese. Escusado será dizer que também lhe dei cabo dos horários! A série documental foi gravada durante dez anos e acompanha um indivíduo chamado Steven Avery. Não vou explicar a história porque senão começa-me já o sangue a ferver, mas pode saber pouco mais aqui e quase de certeza que, como eu, vai acabar por aderir à Netflix só para poder ver esta série (vale a pena porque o primeiro mês é grátis).

  Falando agora da Netflix, também disponível aqui em Espanha, decidimos experimentar, como já referi. Felizmente o primeiro mês é grátis porque não sei se valerá a pena subscrever quando é tão limitado… Cabe na cabeça de alguém ter o filme IP Man 2 mas não ter o IP Man 1 e outros associados como sequela e prequela? Já agora, o IP Man é um dos meus filmes de artes marciais favoritos. Conta a história do mestre do Bruce Lee, Yip Kai-Man, e da sua técnica “fabulástica” de wing chun. Já vi estes filmes várias vezes e cada vez que vejo acabo no Google à procura de escolas que ensinem esta técnica, mas depois ganho juízo e relembro-me que não gosto de levar porrada… Claro que, encontrando o filme na Netflix, decidimos revê-lo. Escusado será dizer que quando o filme acabou não demorei 2 minutos a lesionar-me (para vossa informação, tentar aplicar socos rápidos com a técnica wing chun, tendo unhas compridas, pode arrancar nacos de carne da própria mão). Estou ansiosamente à espera que estreie na Europa o IP Man 3, mas desta vez, lá por coisas, vou vê-lo de luvas.

  Basicamente o portfolio deste serviço é muito limitado, já para não falar que inúmeros filmes, séries e documentários não têm legenda em português ou inglês (têm em espanhol, é um facto, mas quando existe em português também aparece disponível, mas é raro). Não que eu não entenda mas perde-se sempre qualquer coisinha quando não há legendas, fora ser mais cansativo (o Tico e o Teco não gostam). Mas claro, se é de graça, aproveitamos ao máximo e temos vindo a descobrir coisas que de outra forma dificilmente encontraríamos, como por exemplo, o documentário Virunga.

  Virunga é um documentário sobre o mais antigo parque nacional da África, situado na República Democrática do Congo e retrata a dedicação imensa de quem lá trabalha para proteger e tratar de gorilas. É um documentário algo pesado, que dói na alma, mas o amor e dedicação daqueles homens é impressionante, portanto, devidamente apetrechados de lenços de papel, aconselho vivamente. Por outro lado, pode sempre contribuir com um donativo.

  E para finalizar, mais um documentário que se calhar é difícil conseguirem encontrar (não sei se está na Netflix porque a vejo na televisão espanhola), chamado Wild Frank. O protagonista chama-se Frank Cuesta, é espanhol e vive na Tailândia. Além da série Wild Frank, teve também outras, como “Natural Frank” e “Frank de la Jungla”. A história de vida dele por si só é interessante. Basicamente era tenista mas devido a um acidente de moto deixou de poder competir. Numa viagem à Tailândia apaixonou-se pelo país e (claro!) por uma tailandesa, converteu-se ao budismo, abriu uma escola de ténis e trabalha numa associação que auxilia as pessoas quando existe um bichinho selvagem nas moradias (é fã de répteis). Fora o seu dia-a-dia viaja pelo mundo para apresentar fantásticas e divertidas aventuras.

  Tem feito um trabalho excecional no campo da proteção de animais e, provavelmente devido a uma denúncia que fez na Tailândia sobre venda ilegal de bílis de urso, viu a sua esposa ser detida por tráfico de droga e condenada a 15 anos de prisão. Diga-se de passagem que foi detida com 5 miligramas de cocaína (equivalente a cerca de 0,35€). Existem várias petições para a sua libertação. Ele tem um canal no Youtube onde a maioria das aventuras estão disponíveis – mais uma vez, aconselho. O que mais aprecio nele é a sua personalidade. É muito cómico e transforma um documentário sobre a vida selvagem em algo completamente original e divertido de ver. Andou pela Selva Amazónica, pela Savana Africana, Índia, Nepal e finalmente nos Himalaias.

  E pronto, se andava sem nada interessante para ver na tv, já tem aqui umas boas sugestões. Só não faça como eu… o sono é sagrado!

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