01/06/2020

A comichão Tecnológica

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Com o evoluir dos tempos, a dependência do ser humano pela tecnologia tem-se intensificado de uma forma abismal. De tal forma que, hoje em dia, se entrarmos numa casa-de-banho pública e depararmo-nos com torneiras em que é necessário puxarmos uma alavanca para fazer correr a água, ficamos completamente chocados e damos por nós a pensar: “Irra, cadê os sensores? Onde é que já se viu isto, ter de estar a puxar uma alavanca para que saia o raça da água?! Meu deus, a malta que engendrou esta casa-de-banho, fisicamente avançou nos tempos, mas o cérebro ficou algures pelo século XX. Só por causa disto, não vou lavar as mãos…” E é assim que se propagam algumas doenças hoje em dia – devido à obstinação de algumas pessoas perante a escassez de evolução em alguns locais. Ah, e por serem javardas também.

Incrível como hoje em dia não passamos sem o telemóvel. É um raiosmaparta de uma dependência que, sem notarmos, nos deixa doentes. Eu confesso: eu sou doente pelo meu telemóvel. Não passo sem ele. Por causa dele, deixei de usar relógio de pulso. Por causa dele, deixei de usar o mítico bloco de notas, para apontar algumas das ideias que tenho – o telemóvel também tem um bloco de notas, e é muito mai bonito. É oficial: sou obcecado pelo meu telemóvel. E é por isso que resisto em aceitar que algumas pessoas consigam sair de casa sem o telemóvel.

Há uns dias atrás precisei de falar urgentemente com a minha cara-metade. Ela não estava à minha beira, por isso a atitude mais lógica e repentina que tive foi telefonar-lhe. Telefonei-lhe uma, duas, três, quatro, cinco, seis, sete, oito… vezes, e o telemóvel estava desligado. Pensei: “Ah, ela deve estar com a mãe, vou telefonar para minha sogra.” Assim pensei, assim o fiz. E, para mal dos meus pecados, não é que, depois de dez chamadas, chego à conclusão que também estava desligado. Foi nesta altura que uma espécie de comichão interior começou a florescer em mim. Daquele tipo de comichão que, por mais que cocemos o local, nunca conseguimos chegar ao ponto onde a comichão se encontra. “Calma rapaz, pode ser que o teu sogro também esteja com ela…”, pensei eu, tentando evitar que o raio da comichão interior se intensificasse. Mas, infelizmente, o telemóvel do meu sogro também estava desligado.

E foi aqui que a comichão se intensificou e levou-me a fazer – uma vez mais – uma pequena figura de palhaço. É que, depois de usar todas as minhas opções para conseguir falar com a minha cara-metade, decidi regressar ao principio de começar de novo: telefonando novamente para ela. E o telemóvel continuava desligado. E, num ápice, dei por mim a berrar literalmente para o meu telemóvel, completamente consternado pelo facto de ela não atender e de eu não conseguir transmitir-lhe o assunto urgente que tinha. Não fosse o facto de estar no meio de um centro comercial, e a coisa até que nem soava muito estranha. Mas nunca o pode ser, quando se está num local repleto de pessoas por todos os lados, em todas as direcções e se grita: “OH PÁ, AGORA NÃO ATENDE O RAÇA DO TELEMÓVEL! ESTÁ DESLIGADO! MAS COMO ESTÁ DESLIGADO? NÃO PODE ESTAR DESLIGADO! MAS QUEM É QUE SAI DE CASA SEM O TELEMÓVEL, HOJE EM DIA! MAS QUEM! AH, JÁ SEI QUEM: A MINHA NAMORADA! PORRA! RAIOS A PARTAM! E AGORA? COMO É QUE EU VOU CONSEGUIR FALAR COM ELA!? COMO?! É QUE NEM ELA, NEM A MÃE E NEM O PAI! NINGUÉM ATENDE O TELEMÓVEL, PORQUE ESTÃO DESLIGADOS! COMO É QUE PODIAM ATENDER, ESTANDO DESLIGADOS? TAMBÉM ÉS POUCO ESTÚPIDO, ÉS! E AGORA, COMO É QUE VAIS SABER QUAIS SÃO OS PENSOS HIGIÉNICOS QUE ELA QUER? COMO?! RAIOS!”

É caso para dizer que, de facto, a tecnologia deixa-nos muito doentes… DOENTES DE ESTUPIDEZ!

 

Até para a semana, malta catita…