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Diálogos estapafúrdios entre colegas de trabalho…

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Vamos lá a saber uma coisa: quantos de nós, seres humanos absolutamente lindos que habitam neste maravilhoso planeta, não passaram já pela traumatizante experiência de participar em diálogos perfeitamente absurdos e completamente desnecessários com um colega de trabalho?

(Alto! Não vale tentarem interpretar o chamado “desmancha-prazeres”, afirmando que nunca tiveram qualquer tipo de diálogo estapafúrdio com um colega de trabalho, só porque são umas bestas insensíveis que gostam de contrariar os argumentos de autores de crónicas catitas — tal e qual como esta que vos apresento. Até porque se o fizerem, correm o risco de, num dia destes, aventurarem-se a atravessar uma passadeira e ser o autor desta maravilhosa crónica a passar-vos a ferro com o seu carro. Pensem nisso, porque “quem vos avisa, vosso amigo é”…)

É inevitável que certos diálogos estapafúrdios entre colegas aconteçam, porque são oito horas seguidas que têm de estar ali, lado-a-lado, a laborar que nem uns doidos. E como eu sou uma pessoa que só quer o vosso bem, queridos e super lindos leitores, e que, como tal, quer que vocês fiquem muito mais cultos no que toca à elaboração de diálogos estapafúrdios com outros colegas, tomei a liberdade de transpor para aqui alguns dos diálogos que eu — perdão! — que alguns colegas meus (é mais assim e tal…) tiveram entre si, para que vocês fiquem também um pouco mais ricos intelectualmente. E talvez até mais preparados para a vida adulta…

Ora vamos a isto.

 

1º Diálogo

O Ricardo — ups! — o Marco… e a Marta estão a laborar de uma forma intensa, como se não houvesse o amanhã quando…

Marco: Pois é…

Marta: É, é…

Marco: Porra, estou mesmo farto de estar sentado… Até já me dói as nádegas… Aliás, eu acho é que já nem as sinto…

Marta: Pá, nem me digas nada… Então e eu que já estou fartinha de estar em pé… Porra, que já nem sinto as pernas.

Marco: Pá, sabes que mais? O ser humano é um bicho muito estranho, pois nunca está satisfeito com nada…

Marta: Como assim?

Marco: Então, se está muito tempo sentado “ai, ai, que me dói as nádegas”. Se está muito tempo de pé, então “ai, ai, que já nem sinto as pernas”.

Marta: Pois é… Sabes que mais? Isso é falta de equilíbrio…

Marco: Falta de…?

Marta: De equilíbrio… É esse o problema do ser humano: nunca consegue encontrar o equilíbrio na vida. Se nós soubéssemos gerir bem a nossa vida, equilibrando-a de forma a que não nos custasse tanto, sabes… vivê-la, então tudo era muito mais simples.

Marco: Ah… É isso, é…

(Nisto a Marta cai para o chão de uma forma totalmente inesperada…)

Marta: Porra, como é que eu fiz isto, caramba?!

Marco: Marta…

Marta: Quié?!

Marco: Foi a falta de equilíbrio, filha… A falta de equilíbrio que tens na tua vida…

2º Diálogo

O Ricardo — ai o caraças! — o Rui… e a Sónia estão a trabalhar pacatamente lado-a-lado quando…

Sónia: Eh pá…

Rui: O que foi?

Sónia: Eh pá, assim não dá…

Rui: O que foi, pá?

Sónia: Eu assim não consigo, Rui…

Rui: O que foi que eu fiz, caramba?!

Sónia: Tu? Nada, pá… Eu é que não consigo trabalhar assim… Simplesmente não dá, porra…

Rui: Então? Dói-te alguma coisa? Estás naquela altura do mês, é?

Sónia: Não, totó!

Rui: Porra, então não sei… Vocês, mulheres, são um bicho que eu não consigo descortinar, pá! Ainda por cima a esta hora da manhã, que ainda nem acordei…

Sónia: Olha, é mesmo esse o problema… É que eu, a esta hora da manhã, sem café não consigo trabalhar… É como se, sem beber café, não conseguisse carburar como deve ser… Percebes?

Rui: Carburar?

Sónia: Ya! Tipo, eu carburo… Tu carburas…

Rui: …Ele carbura…

Sónia: Nós carburamos…

Rui: Vós… carbur… hum… E agora?

Sónia: Então… é vós carburi… Hum…

 (Nisto surge o chefe por detrás deles…)

Chefe: CARBURAIS! E sabem que mais? Se vocês não começarem a carburar imediatamente, quem vos carbura daqui para fora sou eu! Ouviram? E é montados nuns patins!

(Pausa)

Sónia: Vós carburais…

Rui: Eles carburam…

Sónia: Vamos beber café?

Rui: Siga!

3º Diálogo

A Vanessa e o Ricardo — ai a porra, hem! — o Zé… estão a trabalhar lado-a-lado há várias horas quando…

Zé: Nunca mais são 17h00, pá…

Vanessa: Podes crer. O tempo hoje está a custar a passar como o camandro…

Zé: Ya…

Vanessa: Pois…

Zé: Eh pá, estava aqui a lembrar-me de uma coisa…

Vanessa: Que coisa?

Zé: Estava aqui a lembrar-me de uns desenhos animados que davam há uns anos atrás, que eu curtia bué…

Vanessa: Deixa-me adivinhar… O Dragon Ball?!

Zé: Nop!

Vanessa: Os Simpsons?

Zé: Nop!

Vanessa: A Sailor Moon?!

Zé: Hã?!

Vanessa: Nada… Esquece. Então que desenhos animados são esses, afinal?

Zé: O Micha e a Natasha!

Vanessa: Oi?!

Zé: Eh pá, não te lembras do Micha e da Natasha?!

Vanessa: Eh pá, isso são personagens de um série de desenhos animados, ou são dois travestis que conheceste na noite lisboeta?

Zé: Eh pá, não sejas parva. A sério, o Micha e a Natasha eram dois ursos…

Vanessa: Ursos?! A sério?!

Zé: Yep! Eram uns ursos muito engraçados…

Vanessa: Hum… Muito me contas…

Zé: O que foi, pá? Quando tu colocas essa cara, é porque vem lá coisa parva…

Vanessa: Não é nada disso… É só porque… hum… Estava aqui a pensar que poucas pessoas aqui na fábrica devem conhecer esses desenhos animados. Então, se nós apelidarmos um ou outro colega de quem menos gostamos de Misha ou Natasha, isso quer dizer que os estamos a chamar de ursos sem eles sequer se darem conta disso…

Zé: És muita totó, tu… Isso tem lá algum jeito? Sais-te com cada uma… Isto só a mim! Só me saem é duques… Irra!

(Nisto, passa o chefe por eles…)

Chefe: Bons dias, Zé e Vanessa!

(Vanessa e Zé entreolham-se e…)

Vanessa/Zé (gritando em uníssono): Bom dia, MISHA!

Pronto. Esta semana ficamos por aqui. Podem, a partir deste preciso momento, auto-intitularem-se de “pessoas mais cultas e prontas para enfrentar o mundo do trabalho”.

Adeus e um beijinho.

Isto é que é uma Vida de Cão, hem…

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